sábado, 7 de maio de 2011

A ESSENCIA DA BARBATANA

eu sei que há versos que nos ficam
e frases
e ideias
e eu sei…
é, pode ser, o essencial

se conseguir fazer do que sei
o que sou
o que vem
o que fica… é,
tem de ser a poesia

trabalhando a essência da barbatana
a orientação,
a deslocação,
a essência re-
sume-se num único item

algo de
iluminado,
inusitado,
íntimo, e,
isso, só acentua o que sei

quando digo eu sei posso pensar
ue vai o q
ue fica a q
uerer e
ue é onde eu sei a essência

quinta-feira, 5 de maio de 2011

CORPO TODO

CORPO TODO

na viagem que um ramo faz
a outro ramo
o corpo todo da árvore
é um poema

saber olhar a poesia
em folhas
para onde olhas no verde

é sentir o coração solto
a bater no espaço

nu o infinito dum momento

Este poema envolve, necessita de toda uma poética que encarna, torna-se carne no seu nome “CORPO TODO”. É um poema cujo título seria bom para nomear toda uma obra mais vasta, um conjunto. Também está bem para o poema, um conjunto de versos, cada verso uma folha da copa, um galho da armação, uma raiz das raízes, o florir dum botão abrindo em todas as flores que chegam a fruto, passando a fase exuberante de abrir seu pólen ao vento, chuva, insectos, aos pássaros, ao espaço!
Vemos os ramos a mover ao vento, num aceno que dança, o movimento na imobilidade aparente do tronco que cresce afundando as raízes da árvore no seu chão. Dessa imobilidade aparente do tronco o poeta passa aos ramos, tentando esgalhar o poema tendo como ponto de partida a viagem no olhar, olhando «o corpo todo da árvore».
O poema não se esgota nas palavras, nasce delas nascendo das coisas e pelas coisas. Gosto da ideia de «saber olhar a poesia», para poder fazer/chegar o poema. Uma ideia que, antes de ser ideia, é o gosto de que gosto. Pode até ser… algo irracional, algo que não se discute. Não se discute, é algo que se curte:

é sentir o coração solto
a bater no espaço

Todo o poema, podendo guarda como desejo a redenção, tenta viver no último verso uma primeira e última palavra, uma derradeira ou nova ideia, um episódio único na sua história, o essencial da essência, o perfume dum verso final onde ainda SE guarda o que se liberta:

nu o infinito dum momento

O que é que te pediste, o que te pediu o poema, o que te poderá pedir? Os poemas são bons ou maus, como todas as obras, devem ser sempre julgados pelo que dão:

saber olhar a poesia
em folhas
para onde olhas no verde

A poética é a ética da Poesia, a Estética do poema, uma Metafísica do poeta. Cá deixo a prosa, uma leitura, dos versos.

terça-feira, 3 de maio de 2011

LUGARES E DESTINOS

LUGARES E DESTINOS
 
I
as palavras podem dizer a vida dos poetas
pois delas fizeram a sua vida
tentando esculpir a língua
num canto a perpassar o tempo
de espaços conhecidos e seus destinos

de Neruda me deram a poder coleccionar
uma lista de lugares para escrever:

habitante del sur de Chile
caminante de los bosques
gestor de la travesía del Winnipeg
su tumba junto al mar de Isla Negra
los mascarones de proa...

II
su casa de Valparaíso  "La Sebastiana"
teria uma janela sua para olhar
sonhando as palavras
antes das escrever sangrando
a consciência de as poder pensar

há sempre uma janela diferente
de onde se vê com mais alma

su casa de Santiago "La Chascona"
aí se sentaria como o imagino
olhando a folha sem olhar
enquanto compunha
um tempo que se queda a viajar

verso que lhe dedico imaginando…
(um tempo que se queda a viajar)

segunda-feira, 2 de maio de 2011

NU ALÉM

A arte dá uma alegria e felicidade cuja natureza é diversa dos pensamentos, imagens, ideias onde poderíamos ir em primeiro lugar procurar correspondências imediatas em festas, jogos, divertimentos para a alegria, sendo a felicidade idem aspas, aspas, mas com o tempo e a disponibilidade de procurar mergulhar no sentimento, com o qual ganha espessura e substancia, no amor, admiração, enlevo, em situações onde, então sim, a arte reclama a sua presença e tem o seu lugar.
Procuro a arte dum momento, perfeição duma identificação plena e completa entre o meu eu e a tua presença minha lua iluminando-me com uma presença reflexa de não sei que sol em torno do qual imagino gravitemos em translação a cada momento em que, em rotação, vamos sempre girando sobre nós mesmos, ao mesmo tempo em que há um outro tempo, outros tempos, de interacção entre astros onde pertencemos a um sistema solar onde o sol seria deus ou a forma para lá (nu além) de todas as metáforas.
Leva o seu tempo este tempo sem história, acaba por apetecer ser mais terra a terra, ganhar a animalidade das acções que captam dum instinto mais acerbo a sua necessidade, dando resposta a coisas mutáveis, sentir-me depender da sorte e do acaso que casam com a observação onde sou uma parte mais facilmente identificável no instante onde coloco em risco o destino, trazendo-o para a descoberta dum sentido para o lirismo no seu percurso onírico, como se, sonhando, fossemos acordando os sonhos até os despertar: escritos.

Questão:
Pesaria aqui pesar, ponderar, medir... se sim ou não os versos trazem em si a necessidade com que devem nascer, alguém saberia dizer?

Eu responderia à pergunta: Não, não haveria necessidade desses [pus a prosa aos esses...] versos, muito corridos e longos, onde apenas a prosa, transportando com ela o pragma, dá a consistência que eu encontro no texto. Nada os impede, respeito-os. Neste caso, eu sei e dei a saber como eles são desnecessários.
 A Poesia é um género à parte, onde nasce? Nasce no coração, como tudo… Nessa medida, ela é medida e dá a medir um sentimento.
Uma pancada no cravo, outra na ferradura. Ferrei, está ferrado!
O importante é que quem faz, faça algo que lhe dê… um gozo superior.!. Muito de orgânico, orgástico, orgia. A poesia só pede à Poesia versos, para se ver a emitir um sos onde eternamente regressa a ver-se no seu espelho: - Versos, ver_sos meus…, conheceis outra mais linda que eu? Ai dos versos que respondam à Poesia algo diferente do seu desejo!

domingo, 1 de maio de 2011

QUOTA-PARTE

Não tenho paciência para celebrações militantes do Dia do Trabalhador, quedo-me por poder celebrar a Liberdade dum 25 de Abril excepcional. A Liberdade é o respeito «a Paz, o Pão, Habitação», conquistas anónimas, para cada um ganhar e todos terem na medida do que há. O que se tem, sempre conta com o que falta. Não me deixo instrumentalizar em tempos de crise, tomo como minha quota-parte da responsabilidade de estar vivo e pertencer ao povo onde pertenço. Quanto à poesia, o povo é quem mais orden(h)a!…

DESESPERAR O POEMA

ainda que não saiba o que dizer, escrever
faz-se de olhos fechados, se apetece
sentir a mão a desenhar letras

as palavras percorrem o movimento
até ter a imobilidade e silêncio

um poema se traduz desesperadamente!
R

sábado, 30 de abril de 2011

poema

um poema que se constrói (peça/ a peça)

um poema que se constrói no teatro
das personagens que vivenciamos actores
para sermos a pessoa e os outros também presentes
falando dum nós onde nos atamos atendendo
ao que nos toca como toca, como fuga, como alimento,
como… onde as palavras se avolumam crescendo
na procura de falar do que fere e aleija ou distorce
mas também o contrário, tudo correndo
como um rio de margens por nós desenhadas
onde os versos correm a água procurando o mar

quando um verso ilumina uma conclusão
a conclusão é o poema ter vindo e chegado
e, tristes, alegres, satisfeitos, preenchidos, ou
o contrário de tudo isso, sabemos que o poema
é um osso que nos alimenta e guardamos
para nele voltar a uma insana vontade de roer
mesmo sem fome, às vezes com fúria, ou
outras tão diferentes dessa e tão outras
como qualquer outra emoção sempre necessária
para sentirmos que a poesia é verdadeira

(recebe-a, como um pensionista, com necessidade)
http://poemadia.blogspot.com/2011/04/normal-0-21-false-false-false-pt-br-x.html

sexta-feira, 29 de abril de 2011

TERCEIRO ELEMENTO

A minha visão da poesia e da sua linguagem é nela procurar e encontrar a emoção de ler e fruir um poema, isso presta-se a procurar duas coisas mais evidentes, a forma como é construído, o que nele terá sido dito, um terceiro elemento é a-pro-fun-dar procurando a intenção, isso torna tudo mais esotérico. Um terceiro elemento pode ser revertido, a intenção com que o poema é lido. Este “terceiro elemento”, torna a análise crítica um exercício com tanto de estéril como de delírio.

«um carrossel elástico e não linear», este verso ilustra a ideia guardada e a percepção vivida durante a leitura, a plasticidade verbal, a sua não linearidade; «o carrossel e toda a energia» outro verso que transporta uma imagem, aborda e borda, a importância da energia que se sente alimentar toda a composição; «todo aquele pó mago açucarado» alimento de magia e doçura, um cativar despertando, o lado material/sensorial; «um enorme átomo de liberdade» importância dum verso, coesão do poema, fecho aberto na abertura do final encontrado! Dando a satisfação no gozo/ do gosto: «amparo-me no pó-de-açúcar», a doçura: «sortudamente». Parabéns!

Voltei à página COMENTÁRIOS, onde pretendo juntar os comentários deste mês quase a findar.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

AGORA

quem sabe
não será
para

sempre
que vivo
este agora

?
A AMORA & AMOR

A AMORA

onde mora a amora
quando colhida
a olho

em minha mão
eu a miro

se admiro este fruto
Assim

AMOR

na tua mão
meu equilíbrio
surpresa nua sou

ficando presa
como a nota solta

a vibrar só de amor!
Mim

quarta-feira, 27 de abril de 2011

parágrafo

Hoje é dia de prosa. Abro a janela do Envio de mensagens, comecei a minha mensagem. Ocorre lembrar-me das mensagens que correm por conta de momentos de introspecção, meditação, chego à oração. Termino mais uma, a frase. Hoje, fico-me por [] parágrafo, estas frases: oração à p_rosa...


QUEM GOSTA & APOSTA BEM

QUEM GOSTA

sentindo uma presença
a pele, o pelo, o eriçar
quem gosta sentir?

capaz de arrepiar
todo o prazer

lado bom!
Assim

APOSTA BEM

é essa sensorialidade 
todo o meu arrepio
quando me toca

sentir aproximar
tua presença

dita minha sentença!
Mim

terça-feira, 26 de abril de 2011

PEDINDO & MEDINDO

PEDINDO

despeço-me do dia
pedindo à palavra
para dizer mais:

diz, peço ao dia, dê
o como me peço

para que continue
Assim

MEDINDO

as tuas palavras: «
pedindo à palavra
» medem/pedem

o como ao cúmulo
inusitado dizer

para não parar aí…
Mim

segunda-feira, 25 de abril de 2011

TRIGÉSIMO SÉTIMO

Existe um (de 1974), (em 1975), o 37º (Sempre!...) é hoje e deve ser celebrado, soltando um brado interior sem limites que não sejam a repercussão do mesmo em todas as vozes que se façam eco: — 25 de Abril, Sempre!
Ontem pensei o que poderia publicar hoje, chegámos ao hoje.
Depois de “ESPERANÇA” viria “A LIBERDADE”, aqui a deixo.
Viva - o 25 de Abril - Sempre!

A LIBERDADE

Sabes o que acontece quando, conversando com alguém, olhamos os seus gestos, o movimento dos lábios a mexer, o desenho das mãos, o movimento dos olhos na cintilação das pupilas, esse alguém: é a tal, sente ele. Essa personagem apaixonante que se desmultiplica durante o desenrolar do texto, ora é ela ou ela o vê e lê-se nele até um e outra serem um só, acontece neste momento. Não vale a pena prolongar o momento, é bom deixá-lo efémero, um despertar eterno, terno, no éter, indefeso, infantil e feliz. O momento deve ser como ele o quis e ela o fez, nesse dia houve, ainda há, para quem a recorda e vive: A LIBERDADE
Fazer Poesia?

MAIS-QUE-PERFEITO

haver um dia por ano dedicado à Liberdade
faz desse dia uma efeméride salutar
cuja importância não será demais saudar
em busca da única palavra feita de Verdade

palavra Poesia: sua verdadeira identidade!

Acabo de criar COME, uma nova página, visível no menu do blog. 

Comemoração passada Presente & Futura com a amizade de quem a mantêm no ar… atribuindo “inspiração pura” que muito agradeço!
http://www.lulicoutinho.com/francisco_coimbra/viva_o_25_de_abril_sempre/francisco_coimbra.htm

domingo, 24 de abril de 2011

ESPERANÇA

o dia de hoje anteceder o dia de amanhã
trás para hoje o futuro e o passado
dando da esperança o que ela
é no que se transforma
mostrando a vida
(e)
hoje basta esperar
pois amanhã é já a seguir
quando o dia der lugar à noite
trazendo a noite dentro de si tudo
no que consigo viajar para um novo dia

sábado, 23 de abril de 2011

LEITURA(S)

Oi Renata,
O terceto é bastante enigmático, mas fica enriquecido com o título “Prenúncio”. Um prenúncio não é um anúncio, todo o poema é o que se indica no título, um prenúncio… Um amor militante à palavra, um amor de mangas arregaçadas… a caminhar para um lugar de chegada, lugar de partida. Bem-vinda (onde a vinda se une ao Bem) nesta breve Poesia, sem fim: onde o tempo chega e não acaba. Beijos

Vera,
Da ideia dum diálogo entre espaços distintos do psiquismo resulta um equacionar do querer, onde a vontade oscila e a palavra dança, no avanço e recuo da afirmação. Firma-se a contradição, o processo mental num diálogo interessante de seguir onde, o que se destaca é o que as palavras dizem. Não é o domínio plástico da linguagem que se impõe, sem distracções, dispõe-se da razão a seguir e decidir das virtudes da enunciação:
«
A minha decisão está acima
Da minha natureza
E a minha consciência,
Além dos meus impulsos.
»
Ser ou não ser, eis a questão? É um poema para ler e pensar, dá razões à razão, mesmo sem passar pelo coração? Há alguma emoção, para quem entrar no diálogo.
«
Clamando em silêncio
Pela minha liberdade.
»
A liberdade dada pela opção de jogar o ser, n(um)a dúvida, ser_á!...
Parabéns.

Flávio:
Um poema interessante disposto em três estâncias, como pedras no leito do rio onde temos de deixar correr a voz do poeta nas suas pedras, letras dispostas no leito do rio. É ver como se aguenta a metáfora, essa á a leitura que nunca deve ser passiva sem se correr o risco da indiferença que anula toda a diferença e liquida a poesia. Poesia que se quer líquida, como a água no rio a correr…
Primeiro a solidão, tristeza, choro.
Segundo, a amargura transborda em frustração.
Finalmente a criação de sedimentos futuros de/pendentes da “meteorologia”, o que ficou das leituras que se façam.
«
invadindo as margens
levando na enxurrada
»
Parabéns.