terça-feira, 12 de julho de 2011

IRREMEDIAVELMENTE

IRREMEDIAVELMENTE
«Assim, me livro das palavras,
Com as quais você me veste»,
Fauzi Arap
(de poema declamado
por Maria Bethânia
quando cantou a canção
“um jeito estúpido de te amar”)

as palavras me estorvam
neste não saber sequer
o que quero e desejo
para dizer A poesia

esta que eu quero
assim do que sinto
irremediavelmente

mesmo se não há
uma palavra única
capaz de dizer tudo

eu corro atrás dos versos
e vou fazendo o poema
até cansar da canseira
de sentir ser asneira

este meu jeito
estúpido de te amar

segunda-feira, 11 de julho de 2011

domingo, 10 de julho de 2011

HIPER REALISMO

Cara confrade, ainda bem que não há mulheres que são frades. As freiras são umas frieiras, têm febre de Deus! O bem que um homem não faria a essas mulheres que dão a vida a Ele? Quanto a eles, os frades, esses, mesmo sem saberem de mim, nem eu quero saber deles mais do que a possibilidade de escrever isto: são meus confrades, na realidade, todos existimos nela. 
Vamos ao real, procurando o hiper-realismo! Hip-hip!...

REAL

Aos 10 dias de um mês qualquer, que é este, escrevo isto. Dou continuidade ao que escrevi ontem, vou usar a arte. Ela parte da realidade para dela, na idade certa, no momento, captar o real.

EM SI MESMO

Um texto pode ser grande ou pequeno, engloba sempre, em si mesmo, p_artes…

SIMBIOSE

A arte faz-nos saber fazer de forma simbiótica: saber/fazer, a arte que tento replicar.

VIDA À ARTE

Adaptar e tornar apto à situação de “apanhado”, captar e adaptar. Um apanhado diferente, a adaptação da realidade ao real: vida à arte.
Vou tentar fazer o apanhado, este vai de REAL a VIDA À ARTE (o hiper-realismo é “fora”).
A partir daqui, juntamos ou apartamos os “apanhados” ainda indiferenciados, tentando não ser indiferentes à realidade, dela procuramos o real. Esse é o papel da arte, feita de partes como tudo que existe, ela procura uma realidade utópica na realidade mas possível no real.
Vou voltar à realidade e fazer os apanhados, vou ser um “apanhado”. Nome empregue para apelidar os alienados da realidade, aqui aplicado para quem o faz no sentido inverso, procurando entrar no hiper-realismo.

Falta o texto já ontem prometido, este:

O QUE É ISTO

Uma inquietação antiga, a velha oportunidade do medo: quem sou, onde estou, o que é isto? Donde surgiu este corpo cheio de necessidades, movido a estímulos, tão estranho à minha realidade que é, esta dúvida: toda a dúvida, toda a sua fragmentação? Há possibilidade de crer e, por ventura, quero?? Um eu??? A a_ventura…
O que… a pergunta, mesmo inerme, é tudo o que resta: o solo para tocar, bater na bateria, até parar, arar, ar… Viajar de novo em poalha, ser levado para o Espaço!

sábado, 9 de julho de 2011

AS ESTRELAS EM PÓ

Eu sou uma mulher calma e paciente, ponto. Se o que vou contar me desdisser, de forma desprendida aceitarei o resultado dos meus atos.
Esta possibilidade do que dizemos ou fazemos fazer ou dizer o contrário do que desejamos, cremos, acreditamos e somos!? Ah, de bom grado me ponho em causa antes de começar a contar a história, talvez preferisse ser homem nesta história. Na verdade, acho que ninguém fica muito bem na fotografia. Nem sei mesmo se devo contar a história, para que escrevemos contos? Com este não irei adormecer ninguém, gostaria que a história fosse electrizante! Com todas as minhas hesitações já me começo a sentir estúpida, talvez imbecil? As duas coisas muito possivelmente, primeiro porque não resolvo nada, de seguida porque a fraqueza parece dominar o meu perfil.
Imbecil, sim. Escolho ir por este caminho da auto-punição, sem procurar a auto-crítica, nem explorar o ponto de vista do outro. O outro seria o meu namorado, aquele que sofreu as consequências duma cena de ciúmes ridícula, absurda, histérica, mais alguns adjectivos dos quais perdi o rasto e não interessa procurar, já que ela não decidiu ser ele e ele ou ela talvez caiam sobre a alçada dum narrador que se diverte a fazer um guião duma cena ridícula.
Ela não tem razão de queixa dele, namoram porque não se vêem a apresentarem-se como este é o meu homem ou esta é a minha mulher. Já o namorado ou namorada, parece ser mais simples. Ah, está-me a dar de novo, estou quase a desistir de contar a cena triste de novo. A culpada de persistir é a minha amiga Camila, a quem chamo camela quando quero insultar, sempre na brincadeira pois é esperta, amorosa e… é para ela que escrevo esta prosa.
Pois é, isto é um castigo. Não sabes porque fizeste o que fizeste? Vais escrever como quem conta um conto, um sonho, uma história. Tenta ser objectiva, falar de algo vivido e deixa acontecer a história. Quando chegares ao fim dizes: Vitória, vitória, acabou a história! Sentir-te-ás melhor, posso garantir-te. Disse ela, eu acredito. Logo logo... porque, só de ter acabado, será um consolo.
A minha amiga falou de catarse, o que me convenceu foi dizer que o seu interesse também faz parte do estudo que anda a fazer: a interpretação dos sonhos, segundo a interpretação psicanalítica do Freud. Terá sido pelo Freud, pela psicanálise, pela Camila, pela catarse? Também gosto desta ideia. Contudo, com tudo, a possibilidade de desdizer o que venha a dizer, a efabulação que possa dar ao que escrevo, as resistências que coloco no enredo e a forma como venha a ultrapassar toda a trama que possa ou não montar na forma como conto o acontecido isso, diz a Camila, é a parte mais rica para a desmontagem dos obstáculos que criamos à realidade. Pode ser essa a forma de melhor vir a tornar compreensível o que não percebo, do que me aconteceu.
Acho que só vou dar o nome a uma das personagens, aquela que fica com a obrigação de desembrulhar toda esta embrulhada! Estou a ser mazinha? No meio disto, não me livro de estar a lidar com uma certa má consciência do que fiz. Embora, verdadeiramente, ache que não vou desdizer nada do que tenho a dizer. Estou a empatar, isso é verdade. Também, salvo erro, não devo estar enganada, estou a encanar a perna à rã para que o caso passe a merecer ser, ter, valer um conto. Então estou a trabalhar para a história, a entrar no folclore da ficção.
Neste caso, é bom que diga que as minhas influências literárias são as revistas e os jornais. As revistas na cabeleireira, os jornais, os desportivos do namorado, o da terra quando vamos ao café e ele se põe a ler a Bola ou o Recorde e eu vou ver as crónicas. É destas que retiro o gosto de acompanhar o pensamento de alguém que decide abordar um tema político, cultural, económico, religioso, pouco importa, gosto de ver os meandros por onde o pensamento vai tendo o seu curso. Imagino estar a fazer um rio, cá vou metendo água…
De resistências à história verdadeiramente a história não as têm, não tarda esvazio o saco, veremos como. É que isto é muito lindo dizer que vamos dizer, mas depois não sabemos se queremos mesmo dizer, finalmente estamos a fazer um conto. Neste momento é mais isto, deixar a minha amiga intrigada, o que é que esta “camela” está à espera para chegar aos factos? Vejo-a a vingar-se, a camela sou eu, a esperta é ela. Nisso até estamos de acordo, a camela da Camila é muito esperta! Até lhe dou graxa, tenho curiosidade de ver o que ela pode tirar desta tramóia do digo que vou dizer e sigo a dizer que vou e não chego a lado nenhum, adiando antes, adiante e depois. Depois hei-de contar e, quando o tiver feito, há-de ser como o que fiz, um disparate.
Estou arrependida, isto é para o Tó também ler a minha veia de romancista! Topam? Afinal não resisti dizer o nome do meu amor. Era o que faltava para me sentir inspirada, agora vai. Foi assim, ele é um ferrenho pelo futebol, tem coleccionado os posters com a equipe da sua predilecção. Regista em roda pé ou nas costas da fotografia a composição da equipa e sei que tem um grande amor a essa recordação que guarda, de ano para ano aumentando a sua colecção.
Na segunda-feira passada acendi um fósforo, queimei a foto com a equipa deste ano e guardei as cinzas dentro do pirex que serviu de pira ao meu lindo serviço! Pois é, foi isto e foi mal feito. Nada que ele não tenha já resolvido, com uma calma absoluta. Chamou a Camila e mostrou-lhe: Vê o lindo serviço da Vitória!...
Não foi só esta calma, foi a cama à noite. Deu-me uma cama tão boa, Nossa Senhora! Ah, e é o meu último: Ah! Esmigalhei, até transformar em farinha, o poster depois do queimar. Foi como se o estivesse a transformar, não em cinza... Pó das estrelas. As estrelas do futebol, pu-las a arder, vinguei-me do tempo que me roubam do meu Tó! Pô… as estrelas em pó.

Uma versão mais curta, para a_bordar… o mesmo tema, fica para amanhã.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

ANÁLISE CRÍTICA

ESQUECIDO?
“poderia ter esquecido alguma coisa importante, ou alguém”

Um texto não tem de ter nome mas, não tendo pede, para referência, exige estratégias. Nos poemas geralmente o primeiro verso, na prosa, “Entre aquelas folhas amareladas…”, uma primeira frase ou o seu inicio.
Depois de lido o texto, dei por mim a pensar o que escrevo, a escrever o que penso. Pensei no título, na sua ausência. Criei um título, onde vale a afirmação e interrogação, lançando a dúvida como vida prévia ao dúbio destino do escrito: ao que nos levará? Nada pior, opção p(i?)or, destacar o seu inicio: “Entre aquelas folhas amareladas…”
Quanto ao texto, ele aceitaria bem Shakespeare citado por William Fawlkner, em torno da ideia do texto viver entre a hesitação e o sentido e etc. Daria para entrar no mundo das referências, onde se fazem as pontes que permitem passar da bidimensionalidade, à tridimensionalidade, à quarta, quinta e todas as dimensões. Verdadeiramente a arte exercita um poder de auto e hetero hipnose, sua melhor hipótese para um estado alterado de consciência sem recurso a químicos orgânicos ou sintéticos. Produto natural da nossa mente onde, procurando o artificio, o oficio do artista é: atingir a Arte. Sinónimo de perfeição levada ao superlativo (loucura!), significado do sentido do sentido, no mais prefeito entendimento entre o corpo sensível e a alma sobrenatural. Se não é assim, também não faz mal, deve ser o que o entendimento der e pedir. Se o intelecto nada pedir e o corpo nada der a sentir, a alma, para a perfeita ignorância, é perfeitamente ignorada, é nada.
Tentando ainda voltar ao texto, o pretexto desta leitura, vive dentro dum contexto. Neste caso, este texto é o desenvolvimento de "o que se perde enquanto os olhos piscam", o título do texto? Entremos nesse espaço de automatismo no uso da razão, onde estamos impossibilitados de parar o coração e cada um leia e frua. Dizer o quê? Fazer juízos de valor? Procurar o fio condutor, onde o que há é um condutor que se deixa conduzir pelo texto onde se transporta? Resisto, mas não resisto, vamos lá… Há uma ela, sem remorsos ou culpa e um rosto de culpada, meio sorriso e um “poderia”, a mata ao sol, mistérios e histórias à mesa, verdades descartáveis, aventuras juvenis a reviver o passado, esquecer o quê? É-nos dito que não saberemos, e ficamos bem com isso «Cremos, a partir de então, que tudo [se havia perdido]»... Qual a receita sugerida? A que é dada, inventá-la [a ela]!
Quem seguir William Fawlkner como referência, poderá encontrar menção ao fluxo de consciência e patati-patatá, já está.
Claro, é uma leitura, é o que todo o texto pede. 
Tive como referência prosa de Marcos Maxnuk.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

CONFRADES

Cá estamos, agora fazendo parte dum grupo que vou tentar começar a conhecer. Ficando a ler, participando nos desafios propostos. Sem dar muitos afagos, mas mostrando interesse em interagir, usufruindo deste espaço de convívio e amor às letras.
Se repararem, tudo na nossa vida alimenta uma ficção, a ficção é mesmo a nossa realidade, vivemos do que ficcionamos. Sem imaginar a realidade em que nos movemos, paramos e nada fazemos. Somos movidos por emoções, paixões, sentimentos, palavras...
Muito bom partilhar a curiosidade e interesse de quem se interessa a uma causa, o que causa tanto as causas como as consequências, quando escrevemos. Gostei do teu texto, gosto desta tua intervenção. Como muitas, como todas, pode ser uma fonte de inspiração!
Confrade e confrades, abraço.

Grato pelos considerandos!
A expressão "desdobramentos licenciosos" faz-me sorrir,
licencioso |ô|
(latim licentiosus, -a, -um, livre, desregrado, sem freio)
adj.
Que excede os limites do lícito. = DEVASSO, LIBERTINO
Plural: licenciosos |ó|.
Ser libertino com as palavras, meu caro, podes crer, essa tentação é sempre uma tentação!
Por mim não terás errado nada, nem um milímetro ao lado, onde o centro pode e deve variar. Como dizias em teu texto anterior, logo, amanhã, depois, quando ler o que estou a ler/escrever, já lerei de forma diferente. Entre outras coisas, poderei pensar: ele (eu) poderia ter escrito outra coisa...
Um grande abraço.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

POEIRA ESTE_LAR…

Com Fé ou sem, todos acabam acreditando transformar-se tudo que é terreno em pó. A matéria duma terra seca e improdutiva, onde o que nasceu foi e já não é. Pó ao pó, diz a despedida fúnebre. Agora… que pó é esse de que somos feitos?
Pó das estrelas, a ventura da matéria! Aventura começada do nada para tudo, por tudo e por nada, transformação cósmica, realização cómica e trágica, a vida pronta em todos os seus aspectos, sempre incompleta. Já o pó é completo, completíssimo, competentíssimo, absoluto, soluto, dissoluto, dissolvente… comovente, como gente. Já se transformou quando chegamos aqui com a disposição de parar nesta posição, adormecer e sonhar.
Quando quero estar acordado e livre, deixo-me adormecer acreditando na liberdade, no meu poder de decisão, pronto para ser árbitro do meu livre arbítrio. Sorte de quem dorme bem, como é o meu caso.
Se é esse o caso, porque perco tempo a sonhar acordado? Porque não sonho o suficiente enquanto durmo! Adão desistiu de continuar a fazer um artigo, apetecia-lhe agora escrever um conto. Como se fosse o primeiro homem, esperando encontrar nas palavras sopro divino!
O seu conto logo se transformou ou guardou como uma crisálida no interior dum casulo, Adão ficou esperando romper o casulo e aparecer uma borboleta, pronto a voar na leitura como pó das estrelas, fecundo: libertando sua fé no mundo!

terça-feira, 5 de julho de 2011

UM(A) GATO

UM(A) GATO

Apontou e disparou, só depois parando para pensar. Não havia nada a pensar, não iria esconder o corpo, não iria fugir nem se esconder. Ia ficar, enquanto ficasse, ia escrevendo. Inescapavelmente, sem capar a mente, a mente deu-se como solução, pensar noutra coisa. Comer? Não, nada de bulimia, nem as coisas inanimadas bolem, nem o gato adormecido mia. Respira, o corpo movesse mesmo na imobilidade de não ir a lado nenhum.
Depois dum parágrafo tudo devia ser diferente, mas é como são as histórias. Se não mudam, continuam, apesar de todas as diferenças possíveis. Depois que nascemos, só há dois estados definitivos da vida enquanto elementos básicos: estamos vivos ou mortos. Continuo vivo, falar da morte, dizer porque carreguei no gatilho. Isso interessa, na perspectiva de argumentar o gatilho como uma peça chave na arma, talvez a mais importante de todas!
O corpo, um péssimo desenho da gata, colado na parede. Isto porque, nesta série de “contos realistas”, só se deve dar um tiro depois de ter, de forma objectiva, visado um alvo. A fonte de inspiração? Sim, a necessidade de mudar a areia à gata, o gato que melhor conheço. Agora que já cacei um gato para este painel de história hilária, o Hilário disse um dia… Vou ouvir cantar, um fado.
Não querendo terminar sem deixar o inicio ainda mais intrigante, o batismo da história deveria ser feito durante um daqueles mergulhos nas piscinas donde os crestes saem renascidos. Só consegui foi desconseguir, inescapavelmente…

segunda-feira, 4 de julho de 2011

DO TEMPO AOS DEUSES

UM MINUTO

Um minuto antes de chegar ao depois, o depois já era: tinha o relógio adiantado, um minuto.

ELE

um minuto
antes de chegar
ao depois, o depois
já era: ele tinha o relógio
adiantado (um
minuto)

DEUS

Uma espécie de desafio lógico, para provar ter vindo antes o ovo e só depois a galinha que pôs o primeiro ovo, permite afirmar que Deus só foi deus, depois do homem. Como se formou o primeiro ovo sem a galinha que não o pôs? É como dizer que só houve Deus na sequela dum deus que ainda não era Deus e já era Osíris, um deus único contrariando a existência de deuses que coabitam.

sábado, 2 de julho de 2011

O CANTO QUE DESPERTA

Maria Bethânia canta "O doce mistério da vida"
«Nesse vídeo, a cantora diz o "Poema do menino Jesus", de Fernando Pessoa e, em seguida, canta "O doce mistério da vida". Mais um trecho do Dvd "Maricotinha ao Vivo".»

O CANTO QUE DESPERTA

é um arrepio ouvir a voz da cantora,
sentir que nos atravessa e deixa a vibrar,
como se dentro de nós nos desse a descobrir
um diapasão – a vibrar de profunda emoção
o canto que desperta – da poesia mais incontida
aquela que só pode ser a que nos reclama

sexta-feira, 1 de julho de 2011

RETA A RE©TA

na minha forma de pensar
ela está pedindo reforma,
não dá nem para hesitar
se quadra em nova forma

desisto de me incomodar
procurando novas rimas,
continuo onde venho dar
sem procurar mais cismas

soneto sem ter emenda,
brincadeira para o poeta
a deuses fazer oferenda

com a sua poesia da treta
feita pronta de oferenda,
a terminar curva na reta

quinta-feira, 30 de junho de 2011

CARTA DE AMOR

CARTA DE AMOR
Um 2º testamento deve hoje ter lugar, cumprindo um compromisso. Se o 1º foi (A) PALAVRA-CHAVE, o 2º bem que pode ser qualquer coisa. Já que, relido o texto, da prosa à poesia, está lá tudo. Vou desmontar um poema e ver como fica:

Em geral escrevo-te um poema na hora, como agora, como se estivesse disposto a inventar as regras da Poesia para fazer algo onde te possa amar de modo a seres, Sim, porque não, tu mesma, a minha Poesia como género de rir do literário e, pelo contrário, respeitar imensamente essa coisa que é imensa e, Sim, porque não, escrever a prosa que me falha quando procuro escrever cartas de amor ridículas como as radículas da raiz do corpo deste amor profundo com que abraço o mundo para te dizer como é meu coração a bater no peito e senti-lo a querer ser boca, lábios, língua… palavras a acariciar o teu pescoço até entrarem no teu ouvido e segredar como as mudanças de linha têm regras tão nossas como promessas à Senhora da Agrela que não há outra como ela, dizem, e faço eco para o boneco, boneca. Vês como é, quando a minha fé me abandona, improviso sem regras nem Fé? Nunca, a minha fé abana como as ervas, as árvores, as plantas com flor ou sem elas, esperando-as! Quando as flores chegarem, será sinal certo da tua presença.
Depois deixo-o como foi.

CARTA DE AMOR

Em geral escrevo-te um poema na hora,
como agora, como se estivesse
disposto a inventar as regras da Poesia
para fazer algo onde te possa amar
de modo a seres, Sim, porque não,
tu mesma, a minha Poesia como género
de rir do literário e, pelo contrário,
respeitar imensamente essa coisa que é
imensa e, Sim, porque não, escrever
a prosa que me falha quando procuro
escrever cartas de amor ridículas
como as radículas da raiz do corpo
deste amor profundo com que abraço
o mundo para te dizer como é meu
coração a bater no peito e senti-lo
a querer ser boca, lábios, língua…
palavras a acariciar o teu pescoço
até entrarem no teu ouvido e se-
gredar como as mudanças de linha
têm regras tão nossas como pro-
messas à Senhora da Agrela que não
há outra como ela, dizem, e faço
eco para o boneco, boneca. Vês
como é, quando a minha fé me aba
ndona, improviso sem regras
nem Fé? Nunca, a minha fé abana
como as ervas, as árvores, as plantas
com flor ou sem elas, esperando-
-as! Quando as flores chegarem,
será sinal certo da tua presença.

O que podemos dizer das coisas só as respeita se não as altera, posso mudar tudo num texto mas nada altera o essencial «Quando as flores chegarem/será sinal certo da tua presença». Das flores aos frutos, a vida lança as suas sementes.

terça-feira, 28 de junho de 2011

A DISTÂNCIA

A DISTÂNCIA
(a palavra e a coisa)
 
a incomensurável distância
entre a palavra e a coisa
ainda por dizer nua
por baixo dela
toda pele
toda
i
n
t
e
r
i
o
r
das letras
onde se guarda
aguardando estender(se)

domingo, 26 de junho de 2011

DESEJO

quando quiseres escrever um longo poema
conta uma história para ti mesmo
começando por escrever

a morte não existe
não precisamos de procurar
dar-lhe uma forma diferente da vida

estabelecido um ritmo
está escolhido um padrão
cuja possibilidade vem variar

está lá e varia mesmo se
ficarmos quietos a escutar
versos ao vir-se escrevendo

na formulação da sua construção
de versos que se vêm escrever
como as ondas na praia

onde desagua a poesia
ela é a maré dos nossos dias
a correr para a praia dos sentidos

toda a beleza é um objectivo
maior que a vida e, por isto, a vida
só acaba na morte para quem morre

escrita a imortalidade
só falta definir o que seja
escrever a poesia que se faz

por isto, o poema tem
uma duração que retemos
enquanto a procuramos sentir

até não sobrar nada por dizer
por isto também já ter sido dito
escrito pode voar como as nuvens

condensando o sonho na aragem
onde viajam as formas duma fantasia
de quem se senta a ler o que se vislumbra

da natureza ao natural
dos nomes às coisas reais
onde se explica o que se quer

quando se quer explicar o que é
um verso a vir-se como uma onda
a dar à praia… longo poema desejado

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Versos dum fado

«A minha canção é verde, verde,
mas porque é verde não sei»

Oiço este versos dum fado e sem enfado começo, esta prosa que começada continua. Deixo-a seguir seu fado, enquanto Fado vou ouvindo. E é a canção da língua, cantada na ponta da língua, por quem a sabe cantar. Penso voltar ao que ontem escrevi, para passar uns versos, deixando do dia que passou um dia que ficou. Antes disso é ainda isto, o silêncio que fica quando ficamos em silêncio…

CAPOTE RODANDO

aquilo que digo quando penso
poder dar-te do sentimento arte,
è capote rodando em mão toureira,
ensaiando a dança ao movimento

uma última verónica,
no limiar onde a imaginação
perpetrando o número… é faena

segunda-feira, 20 de junho de 2011

O BICHANO

Apanhei um gato na rua, porque levantou o dorso sem eriçar o pelo, fazendo uma espécie de dança coquete, como quem oferece o lombo para receber uma festa. Não quis criar nenhum compromisso, ele deu um miau nem muito baixo nem muito alto, na despedida; fiz uma festa, deixando-o ficar onde ele se encontrava. Amanhã quando lá passar lembrarei o bichano, já lá não estará. Pelo menos é improvável, o lugar fica no meio do caminho, num passeio público duma estrada com bastante movimento. O acaso, às vezes dá-nos momentos como esse, para recordarmos a sua presença? No caso, o acaso foi gato.

Ale,
Se esta festa teve lugar, por certo; improvável é ter sido num passeio público, certo é ter gostado muito de poder responder ao teu comentário. Beijos


SAUDADES

I
mas que saudades sinto
e não conheço
melhor que isto que é
o suficiente para me confessar
assim?
e dá-se
esta curiosa
materialização vinda
da vida para a poesia enquanto
poesia
espaço para
apreciar as palavras
e a sua importância relativa mas
ao mesmo tempo absoluta
e total

II
num segundo momento
procuro as sa_u_dades sem
saudades verdadeiras
das ter
gozo com a prosódia
deste versar
feito
como quem conversa
deixando o tempo passar

III
não tarda
estarás aí a chegar
onde a leitura te interrogará
sobre
como ler o poema?
foi para esse momento que
ele está a ser escrito
e ficará acabado
como se isso fosse possível
tão possível
como ler (o poema)
nas palavras os sentidos
quando nos vivem todo o ser

SA_U_DADES
SA Sociedade Anónima
U Urdida de idades
tão intemporais
como o Futuro neste momento
ainda lá não chegámos
e é quando o temos

domingo, 19 de junho de 2011

PROCESSO INTUITIVO

PROCESSO INTUITIVO

eu queria fazer algo especialíssimo
onde tudo viesse debaixo da língua
para surgir com uma naturalidade
nada compatível à urgência surgida
não se sabe bem de onde nem como
a não ser no processo intuitivo

acreditar a necessidade da Poesia

posto isto, cá vamos nós: O ovo
com a proximidade sonora a novo
indo ao encontro de não saber como
o processo intuitivo faz acreditar
nesta frase feita “seja no que for”
interior deste ninho (as palavras)

Nota: com alterações à publicação em Sobresites


 

NUNCA ACABADO

não é preciso muito tempo,
p’ra falar basta deixar o ar
sair articulado pela boca

mas por outro lado
pensar de dentro,

dá-nos um sentimento…
Assim

ACABADO? NUNCA

o sentimento de sentir faz-
-se ligação sem limites…
temporais ou outros

como um sonho vindo
até nos despertar

verso na pontas das unhas!
Mim