sábado, 23 de abril de 2011

LEITURA(S)

Oi Renata,
O terceto é bastante enigmático, mas fica enriquecido com o título “Prenúncio”. Um prenúncio não é um anúncio, todo o poema é o que se indica no título, um prenúncio… Um amor militante à palavra, um amor de mangas arregaçadas… a caminhar para um lugar de chegada, lugar de partida. Bem-vinda (onde a vinda se une ao Bem) nesta breve Poesia, sem fim: onde o tempo chega e não acaba. Beijos

Vera,
Da ideia dum diálogo entre espaços distintos do psiquismo resulta um equacionar do querer, onde a vontade oscila e a palavra dança, no avanço e recuo da afirmação. Firma-se a contradição, o processo mental num diálogo interessante de seguir onde, o que se destaca é o que as palavras dizem. Não é o domínio plástico da linguagem que se impõe, sem distracções, dispõe-se da razão a seguir e decidir das virtudes da enunciação:
«
A minha decisão está acima
Da minha natureza
E a minha consciência,
Além dos meus impulsos.
»
Ser ou não ser, eis a questão? É um poema para ler e pensar, dá razões à razão, mesmo sem passar pelo coração? Há alguma emoção, para quem entrar no diálogo.
«
Clamando em silêncio
Pela minha liberdade.
»
A liberdade dada pela opção de jogar o ser, n(um)a dúvida, ser_á!...
Parabéns.

Flávio:
Um poema interessante disposto em três estâncias, como pedras no leito do rio onde temos de deixar correr a voz do poeta nas suas pedras, letras dispostas no leito do rio. É ver como se aguenta a metáfora, essa á a leitura que nunca deve ser passiva sem se correr o risco da indiferença que anula toda a diferença e liquida a poesia. Poesia que se quer líquida, como a água no rio a correr…
Primeiro a solidão, tristeza, choro.
Segundo, a amargura transborda em frustração.
Finalmente a criação de sedimentos futuros de/pendentes da “meteorologia”, o que ficou das leituras que se façam.
«
invadindo as margens
levando na enxurrada
»
Parabéns.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

A PLENITUDE DA CRÍTICA

Começo por onde o comentário é acessório e desnecessário, como tal, provavelmente desinteressante, a quem achar que um erro pode ser algo estranho à essência dum texto. Essencial seria, será, finalmente, é, aquilo que o texto tem “para contar”, dizer: ser.

“A plenitude da crítica” pode e deve ser aquilo a que pode e deve ficar a dever o seu ser, uma distracção do leitor em relação ao texto, redacção, conto, análise, crítica...

A ideia de sermos exaustivos em relação às palavras levar-nos-ia à exaustão, deste modo, o que me torna pleno, o que me enche é o que deve estravasar da leitura. Não se tratando dos erros, trata o que é saudável, o que se quer saudar!

Estou ao volante, tamborilo com os dedos, tento deixar passar o tempo, olho as pessoas à volta, imagino uma história. A primeira coisa, qual o motivo do engarrafamento àquela hora?

Surge um gato sem botas, mas a crescer a olhos vistos... O maravilhoso é recriado como o universo fabuloso das narrativas mais activas, onde a fábula fala em todas as coisas e criaturas.

A história acaba como veio, deixando o gato deitar-se e voltar a ser tão real como uma criatura doméstica ou, melhor ainda, tão fantástico como a nossa fantasia: o gato deita-se onde está deitado, o engarrafamento continua, o conto não tem fim.

Apenas deixo de tamborilar, fico a pensar como seria a música, caso tivesse estado a escrever num teclado que me desse acesso a uma realidade virtual.

Virtude da plenitude, o gato veio para o meu colo e ESTÁ a ronronar. E esta, em?... Está a sonhar, caminha entre os carros. Quanto lhe captar o sonho, o conto tem fim.

Ah, pois, o acessório. Onde lê «outras impetuosidade» leia «outras impetuosidades», em «seguirem animal» leiam «seguirem o animal». Num caso a letra em falta dá o plural, no outro caso acrescenta-se “o” artigo. Nem de propósito, nunca leia ou escreva de castigo. Então, é sem propósito? Digamos que sim, ou que não, o que conta é que sinta ter ficado tudo dito. Para esse efeito, o verdadeiro texto foi “A Plenitude”.

Se me for comunicado onde “A Plenitude” está publicada, é sinal que a mesma é publica, virei deixar a ligação (ativarei o sublinhado).

quarta-feira, 20 de abril de 2011

OUVE ONDE HOUVE POESIA

ouve uma pessoa que diz poesia
e o faz sem pressa, dando
a cada uma das palavras tempo
para rolar na língua

os sons que a distinguem
de todas as outras coisas ditas
e feitas como elas, dando
às margens do tempo as ondas

estes versos onde o que chega
mais que vir passar, dando
balanço, vem chegando
ao que veio ficar onde ela houve

terça-feira, 19 de abril de 2011

NU NÓ

Quando escrevo há frases feitas que querem ser escrita(s) mas ainda só produziram o embrião de uma ideia que vem a lume como a chispa que se acende por acção de ideias que assam em lume brando(1) onde só a memória se côa, filtrando uma primeira pausa, num discurso continuo como o luar desde a fonte até à voz onde se faz foz a fala que quer falar… daquilo que é: quilo da insustentável leveza do ser, medida da identidade onde se identifica a presença do que fica mensurável uma vez feito: o que é, o ser de uma ideia.
Aquilo que é o ser, é uma ideia de… o que é o ser, i. é, isto e cada coisa distinta disto, cada coisa distintamente distinta, tintas da nossa mente pintada, pintura, marca, distinta coisa. Diz, tinta. Pinta, coisa. A marca que, para ser marca, se demarca: (o) se.
No Diário de Letras procuro deixar a Escrita como valor absoluto dum soluto onde tudo se mistura dissolvendo as soluções com os problemas, dando o problema e a sua solução como uma única realidade mutável, permutável. A leitura torna-se a escrita, a escrita procura-a, no seu encontro: (o) nu é o nó.
Nu, o nó, é uma acentuação onde assenta a realidade, sendo (o) real esta acentuação onde o nó se dá, sublinhado, final. Nu nó, faz foz a fala e a escrita é, a sua nua ondulação.

(1) O lume arde no coração da célula, vem do átomo cindido, desde o primeiro momento.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

DURAÇÃO & DURAÇÃO

A DURAÇÃO

Andava a passear com o tempo,
meu velho camarada,
quando
registo a fala:

Nada  dura mais que a duração,
mesmo podendo ser
mínima,
por um motivo:

sem ela não há verso para mim!
Assim

DURAÇÃO MIM

Eu sou o teu verso tu és o meu,
o meu tempo é tudo
e tudo é teu,
regista esta fala:

- Ateu, ateia a minha teia,
deita nela e espera,
a noite-ideia,
sonha:

acorda sempre a sonhar comigo.
Mim

A SENSAÇÃO

A poesia é a sensação, a emoção, o que quer que seja que, quando está presente se sente como sendo, nunca o complemento, antes a essência. É daquelas coisas cuja definição parece não deixar dúvidas, até a tentar darmos e atentar contra a dita simplicidade, desencontrada de si mesma, na propriedade maravilhosa de pertencer a todas as artes. Este ponto vem atentar… contra a facilidade, duplamente, de definir o que seja poesia encarando a Poesia.
O rosto das palavras na Poesia é a sua expressão? Devia ser, mas não é também a sua forma? Não será mais a forma? O que é a expressão, na expressão poética? Em qualquer arte? E na arte particular da Poesia!? É uma alegria, as palavras cheias de «som e fúria significando nada», já vou extrapolando para a literatura!
Nada melhor, parar e reler. Seria ótimo o poema reduzir-se a uma letra, tornar-se simples e visual ao ínfimo, viver das sensações mais primitivas do nosso cérebro, equacionar o problema e não encontrar sequer a incógnita, tudo se resumiria em menos duma palavra. Provavelmente não haveria palavras suficientes para traduzir o espanto, a provocação daria à vocação uma nova dimensão, evocaríamos o sublime sublimado e dado, no limite, como um limite ultra futurista. Faltaria unir estas palavras, descansando então, como Deus ao sétimo dia.
O desafio aqui é mais simples, uma frase dividida em dois versos: um à esquerda, outro à direita, preenchendo o espaço dum extremo ao outro. À esquerda… e à direita:
«Eu deveria estar feliz,

ou sou só um homem de pouca fé?»
A poesia a questionar a Poesia, agora e sempre, espaço para a poesia!
É claro, será sempre a poesia a alargar o espaço e o âmbito da Poesia, «a verdade é que nos salva»!
Se são soubesse alguma das coisas que digo quando falo, muito provavelmente não saberia de todo o que estaria a dizer quando tento falar. A escrever é a mesma coisa, se escrever «a escrever é que as pessoas se entendem» já não é a mesma coisa…
A insatisfação é que nos mata mas, por mim, e, já vai sendo tempo, por fim, fiquei satisfeito. Só me vou queixar da falta dum título, «ou sou só um homem de pouca fé?»
Quando uma obra permite que a partir dela se problematize a realidade, ela só pode ser interessante. Mais um texto, de autor, onde a escrita surge como local de problematização, pelo matiz para a prática de toda a arte. Parabéns!

Um itinerário da construção da teia onde, ao ler, o leitor tenta ficar preso desse discurso do poeta. O discurso duma poetisa que cativa e envolve, pela mestria com que dá as pistas para nos perdermos no labirinto. Disse, escrevi o que sinto. Parabéns!

Bem que gostaria de fazer o resumo, «O Resumo é o bacanal!»
Tentar não custa: «Pra comprovar a teoria...»
Um abraço e, não fica em falta, Parabéns!
Nota: algo falhou na formatação.
http://poemadia.blogspot.com/2011/04/papo-furado-em-serie.html

sexta-feira, 15 de abril de 2011

POEMA EM FORMA DE BILHA

beijo
é essa coisa boa
de se sentir e ter
em todo o lado
sem ter nada
de lateral
©entre

POEMA EM FORMA DE BILHA
guarde a água do desejo, a verta certa…

quinta-feira, 14 de abril de 2011

ESPUMAS

"ESPUMAS"

deixo as sensações
sentir o coração
enquanto procuro
nu lugar sentido
um corpo despido

vou à sensualidade
imaginando nela
encontrar boutique
de véus e plumas
onde nosso prazer
expluda a espumas

deixo só a leitura
duma ideia pura
como o coração
feito com razão
se descobre rima

debaixo da língua
descubro a língua
línguas tão iguais
vêm viver sinais
onde nosso prazer
expluda a espumas

Querida poetisa,
Você realiza uma poesia sensual, como a Flá... É uma alegria ler a poesia a realizar do corpo um espaço de vida, por mim conduzido à razão de versos para um lugar onde o poema vive a língua enriquecendo-a de ideias, como as próprias rimas construindo marcas de ritmo e melodia; não aconteceu despertar para esse lado tão fecundo que é descobrir em sensualidade o mundo. Por vezes, o namoro dos tropos, é trôpego arremedo onde o sentido se enamora dos sentidos. Dito isto, posso escrever, nada substituir a razão às sensações que a transcendem e mergulham nesse espaço mu(n)do onde em silêncio se pode pensar o desejo; impossível escrever com sensualidade sem sentir os sentidos a fluir para serem dados como dados jogados na sorte de partilhar seu resultado. Essa partilha teu poema consegue, como o mencionado em igualdade de razão pela temática da Flá. Temática que é mais a sua problemática, a transfiguração do desejo em corpo e vice-versa. De resto… meu comentário é aqui deixado como conversa, vale talvez por trazer poesia e mostrar que a poesia gera poesia e perpétua a Poesia enquanto género.
Cá continuei fazendo género, dando à leitura a componente de escrita que melhor é descrita pela própria. Sem ter a pretensão de dizer o que li, deixo ficar de mim para si ou para ti, como se diz por cá quando se trata por tu. Sem esta o gozo não é o mesmo, pelo menos perde em proximidade e partilha; então tu és o eu outro mais rico de real que qualquer realidade feita das coisas concretas onde o dia tem horas ou o ano meses e um minuto segundos.
Valem estes momentos onde, num instante, tentados a escrever o que insistentemente quer ser… queremos criar do ser; no caso um agradecimento, de prazer colhido! Bjs

COM A PAZ DO SER

A caminho do ponto onde cheguei, cheguei ao ponto onde estou. Vinha como vim, para ficar como hei-de ficar. No Presente a caminho do Futuro vindo do Pretérito Passado, se isto faz sentido? Tudo faz sentido, se o sentido é sentido! Posto isto, o porto fica à beira mar, onde haja mar e porto. O porto não é o porto, é um porto, qualquer porto. Sucede, acontece, regista-se que tudo o que pode ser, pode ser tudo. Quanto a uma pedra não ter ser e o ser não ser uma pedra, é duro e estúpido, como uma pedra? De ideias feitas, está o Inferno cheio! Uma metáfora, a deitar por fora Metafísica! Fiquemos por aqui, uma anotação nota-se havendo alguém que nela notasse que ficámos por aqui? É capaz de ser.

«A maldade me engolia./ Comovido, o sal de minha face/ como mar ardia.», euforia em apoteose! A este comentário, juntar mais uma passagem registada «o torpor/ de haver uma identidade.»
O poeta, autor, não sei se não resistiu, se o fez incólume, certo é convocar os leitores a irmanarem-se com ele «de meu ser,/ do teu,/ do nosso». Transformado em oficiante “Carnívoro”, dum espécie capaz de, chegado aos píncaros, terminar a sua composição: «Falava desgastadas sílabas. / Não sabia se a amava ou a comia.»
Não se vislumbra aceitação, nem conformidade com «desgastadas sílabas», menos um desconhecimento ou hesitação: «a amava ou a comia»? É um exercício de encenação, virado para o excesso e a estranheza, duma “euforia em apoteose!”
Também eu fecho este texto, como se ele fosse detentor da verdade. Afinal, o que este poema nos dá a suspeitar e sugerir! É uma obra que não pede conclusões, nela caminhamos sobre pistas, verso(s) de palavras.
O facto de toda a realidade nos desafiar à objectividade, a encontrar a idade aos objectos com que nos deparamos, paramos neste limiar: daqui se contemple o que nos é dado a contemplar! Entre o excesso e a carência, a coerência é um belo exercício, para procurar a beleza? A beleza é a coerência, a procura que (se) encontra. Parabéns por um texto poético, forte e verdadeiro: capaz de coar a essência…

Pegando em comentário do autor: «foi de um susto» que surgiu o poema, lemos composição que guarda no seu corpo o ritmo onde se move (agita, dança, …) em versos.
As afirmações dentro dum texto, mesmo poético, guardam intacta a necessidade de coerência, é fácil encontrar e chocar com (in)coerências: «poesia vira ácido limão/ quando forçada/ goela abaixo/ ouvido adentro», a poesia são as palavras, e, não são todas, são as que reagem com acidez na recepção a elas dada pelo corpo, pela mente.
Não chocar com as palavras, deixá-las deslizar… como ideias, de forma ideal. Continuar a leitura como leito a preceito para ideias «mesmo de um susto/ nasce o poema/ e se faz sensível riso», procuro um “sensível riso”, o prazer é sempre preciso.
«terceira intenção// mesmo fugaz/ o poema fica flutua», onde param a primeira e segundas intenções?

«mora faz morar
na clareira
perto da fogueira
donde se acendem sonhos»

Na primeira flutua e mora, na segunda acende sonhos, na terceira escreve poemas. O importante é descobrir respostas e pode-las cobrir, como se elas dessem seu copo ao nosso espírito! Se não é belo, é bonito! Parabéns!!

Poderia dizer melhor se lesse com mais vagar e atenção, meditando o que escrever? Diria talvez outras coisas, ficando à espera do que pensar fosse? Pensar é, e acontece, vem com o sentir. Dar-lhe tempo, é perder tempo esperando que o tempo passe. Ganhar distância e corrigir a percepção, por que não? Se isso acontecer, quando acontecer! Não podemos ter medo das palavras, devemos domá-las como se fossem feras a quem conseguimos dar meiguice e carinho, se elas deixarem. Não podemos ter medo, mas podemos ter medo, seja ele tão pessoal e próprio que, fazendo parte do sentido, não tem de ser dado ou mostrado. Então? O que mostramos? A certeza das dúvidas poderem ser certezas, o que nos cai nas mãos, quando tentamos apanhar a escrita.

Oi Fla,
Teu poema, tua poesia, chegando a tempo de chegar e ultrapassar, ela bate: a Hora!
Não é a rosa de Hiroxima, é a Rosa abrindo em botão até dar todo o aroma e soltar a imaginação. Vim então deixar um comentário de quem quer crer, mesmo sabendo ser otário e não atravessar o rio. Fico-me por banhar o corpo nas águas que nunca mais voltam, passam e passam a ser outras e só o rio é o mesmo, no seu leito.
Tua poesia, para dar todo o proveito, temos da procurar em seu/teu leito e como tem um leito trabalhado! Apetitoso osso para dar o gozo a quem o quer roer, morder, comer, ser cão abençoado pelo profeta!
Pois é amiga, sei lá o que se pode dizer da poesia!? Bom mesmo é fazê-la, senti-la. O leito é uma mina, destila da nascente: uma só frase, servida inteira, em três estâncias.
Tua confissão «Minto/ no sentimento», um arrebatador momento, abertura sinfónica! O maestro executa a entrada e, logo de seguida, indica a pausa e dá conta do andamento seguinte «mas…» e isso, uma suspensão temporizada no tempo e espaço, abrindo espaço à estância, uma palavra, parte do corpo, todo em si, «falo» erigido, palavra erecta, mostrada, à mostra! Para passar ao “canto final” «da boca/ pra dentro.»
Tempo então de imaginar deixar acontecer: da boca para dentro, da boca para fora… a escrita dando a ler, o que gostaria de ouvir, sentir, ver eclodir em som, voz de vós senhora e dona das palavras, fazendo a fala, da fazenda desses breves e tão intensos versos como as cordas da lira que, tocando, a ideia vibra, delira!
Deves ter publicado com a data do dia, só isso explica a falta de comentários. Belo, obrigado!

terça-feira, 12 de abril de 2011

FIM INFINITO

Do Breviário deixei a primeira página, seguiu-se o hiato dum dia dando atenção ao Futebol, endeusado e canónico em formato televisivo. Prevalece a ficção, a ideia de toda a realidade fazer parte do real. Sendo este a matéria dadivosa de leitura na literatura, ou outra impura conclusão. A bênção leitor, a bênção irmão!?
Vou partir para a fórmula de cavalgar as formas, deixando os estereótipos férteis de infertilidade e fecundantes nas hipóteses alargadas por estimativas estimáveis onde vale a certeza tanto quanto o acaso incompleto do caso inacabado onde se produz o acerto de contas entre o Deve/Haver dum balanço para a dança da escrita acompanhar com canto a poesia duma oralidade dada ao areal das letras, como um corpo lançado do mar, até mergulhar na praia onde raia as raias da fantasia a preclara transparência, capaz de render dividendos à evidência, quando uma conclusão se concluir como imperfeita, desde que acabada e, assim sendo, deixemos o inacabado finito e o fim infinito.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

folha 1

Imagine-se a bordo dum navio, onde encontra um micro livro de bolso… vou corrigir, um pequeno livro de bolso; com um subtítulo sugestivo: breviário d’um poeta.

Como vou apresentar o livro, fazendo-o acontecer na partilha da vida deste blog, escolho a ver_tente… ficção. Ler aos poucos… um livro do qual ainda não conhecem o título.

Trata-se, para já, de um livro sem capa; mergulhamos no miolo directamente. Vai ser uma série longa, até à folha 64. Desdobrando as folhas em frente e verso, teremos 128 entradas.

Como anotar a série?

frente 1, verso 1; frente 2, verso 2… Não

folha 1, verso 1. Sim

A nossa ficção queda-se por nos imaginarmos a bordo dum navio com um livro, sem sabermos o titulo do livro? Sim. Imagine-se também na posse duma Sebenta onde, na capa, escreveu “ANOTAÇÕES”. Se nos quiser dar a ler… a viagem vai começar. Uma particularidade, o livro é apócrifo!

Talvez esta particularidade seja + um elemento ficcional, somemos-lhe outro: Livro e Sebenta são oferecidos aos passageiros no inicio da viagem, às crianças pequenas são dados lápis e Sebenta.

Como num cozinhado, onde apenas se conhecem os ingredientes, esta é a receita.

Como o livro é apócrifo e não tem uma história conhecida, por exemplo ter sido deixado debaixo do colchão duma camarata de estabelecimento prisional utilizado com fins de repressão política (Guantanamo não serve, não tem camaratas), imaginem o que apetecer. Pode ser num país Árabe onde foi parar por acidente, de forma acidental, um ocidental dissidente, não se sabe de quê, por motivos religiosos?

domingo, 10 de abril de 2011

UMA ORAÇÃO AÇOREANA

o Domingo é um dia excelente
para o amor

+

UMA ORAÇÃO AÇOREANA

o mar namora a terra, lambe-a
rodeando-a de atenções, em ondas
sucessivas e ininterruptas

meu coração milhafre paira
a partir dos segundos

são décimas de tempo meus versos

Sinto que o Assim não se importaria de assinar estes versos, é a minha melhor obra desde que me lembro da ter tido, agora mesmo.
Ontem acabei de passar “A (POESIA)”, o primeiro livro de “A (POESIA) E E.U”. Acabei “CRÓNICO”, acabei a crónica experimental de experimentar ler o que escrevi, ligando a leitura à escrita onde me tornei “crónico” durante alguns dias.

O Domingo é um dia excelente para o amor

Daria um verso longo, inicio de ditirambo em honra de Dionísio, para a divindade ressuscitar se, a Poesia, não reclamasse, para ela mesma, a poesia. Servo da natureza, como um cervo, amo pasto e pasto nele: meu pasmo e alegria!

O MESTRE

Não sabia o que fazer, fez o que sabia. Saiu-lhe uma obra díspar, diferente, captando influências de todo o mundo, algo transcendente. Foi a sua primeira “obra de arte”, outras se lhe seguiram. Tudo era inexplicável, só a beleza conseguida, a impressão causada, revelavam a natureza da obra.
Quando lhe perguntaram o que pintava, em vez de se quedar por dizer que fazia arte, a explicação da maioria dos artistas que não sabe o que faz, disse fazer o que via abrindo os olhos sobre a tela até vê-la preenchida com o que sentia dentro de si.
Foi explorando determinadas cores predominantes, procurando desenvolver contrastes e cambiantes dos seus coloridos. Deste modo criou várias “Épocas”, tendo esse sido o título da sua primeira exposição.
Subitamente deixou de pintar, dedicando-se inteiramente ao desenho. Primeiro explorou o carvão, a mancha, o chão das formas. Deste modo se identificou com alguém que procura escavar abaixo da superfície, chamou “Matéria Mineral” aos seus desenhos a carvão.
Não tardou a passar para os lápis de cor, primeiro só lápis de cor. Corria os gestos, desenhando as formas, como quem explora as possibilidades da dança dos gestos, numa escrita colorida. No final desta fase começou a fazer micro desenhos em espaços abertos na cor, utilizando a minúcia do pormenor, com lápis de grafite. “Fios de Luz Com e Sem Gravuras” foi um nome longo, quase descritivo, da tendência de transformar a sua arte numa escrita.
De seguida abandonou os lápis de mina, passando aos lápis de cera. Começou a usar a técnica das manchas, recordando as suas experiências com o carvão. Também o risco simples, entregue ao bailado dos gestos. Não demorou a criar “Metamorfoses”, uma exposição onde incluiu um último quadro que serviu de ruptura com mais uma “época” da sua arte, incluindo o uso do pastel.
Finalmente voltou-se para o guache, parecendo voltar a sua necessidade de explorar os contrastes e cambiantes da cor. A paixão nas cores quentes e fortes, da melancolia e melodia nas cores ténues e fracas, segundo uma classificação pessoal, baseada no poder da emoção sobre o sentido dos sentidos. Nesta fase as suas exposições deixaram de ter nome, “José Maria Expõe Guaches e Aguarelas”.
Já era o artista a ver o seu nome associado à sua arte, suplantando-a? Nunca explicou a ausência de títulos quando entrou numa nova “época”, pintava agora a acrílico, quadros brilhantes, cheios de luz, explodindo de cor “Fusões”. A arte alquímica assumira o labor o artista, trabalhava no cadinho do cuidado extremo da superfície do quadro, dando-lhe camadas de verniz, tornando-a lisa e brilhante.
Não tardou a mostrar quadros a óleo, mais caros, valorizados pelas texturas, associando algumas colagens de tela sobre tela. Foi “A Minha Forma de Tê-la” o nome dado a essa exposição de pinturas de grandes dimensões. Pensou-se que o pintor tinha atingido a sua “idade institucional”, disputado por importantes mecenas e clientes, desejosos de poder apresentar como suas obras dele.
Deixou de pintar e dedicou-se à escrita, desenhava letras: a tinta da china, caneta, lápis, lapiseiras, lápis de cor, lápis de cera. «Só quero escrever a fazer será, não quero dizer mais que isto sobre aquilo que agora faço», acabou expondo “A Arte da Caligrafia”. O que mais chamou a atenção dos críticos foi o cruzamento do desenho com a pintura, começara a pintar dentro das letras e a cruzar aguarela com pastel, acrílico com base para a pele do rosto, rímel com pó de arroz, alargando o tamanho das letras até expor “ALFABETO MAIÚSCULO” primeiro, concluído com “alfabeto minúsculo”. Nesta última exposição o pendor da escrita atingira as proporções do inusitado, começara a combinar pontuação e letras.
Quando deu a conhecer as suas esculturas, foi pasmo associado ao espanto, o espaço da exposição transformou-se em canto: “O Encanto da Poesia: Meu Canto”. Este regresso a um título quase figurativo da descrição deixou sem fala toda a gente em “Mudo de Moda”, uma exposição mais pequena e restrita de obras associadas entre si, como SE/se trata-se duma instalação de Poesia (mais uma vez, sob cada uma das obras, as letras do abecedário).
esta época já não se deixava fotografar, nem dava entrevistas. Quando morreu tornaram conhecido o quadro “Epitáfio”, «O silêncio fala de dentro»: um O até aos limites da tela, dentro dela:

sexta-feira, 8 de abril de 2011

O CONCEITO

A existência dum destinatário dá bem a noção da importância do destino, aponta para além dele, onde se forma o conceito, a ideia, a veia por onde ela corre e cria o seu leito: o conceito.
Escrever para quem não nos inspira, é esta a tónica do meu texto; era, foi; pode ser, recupera-se ou perde-se.
A indicação dum email no texto anterior, gera a possibilidade de responder ou corresponder, dá um toque pessoal que pode levar o leitor a sentir-se como um estranho ao texto. Criando nele a sensação de se tornar voyeur de algo que não lhe seria destinado; engano, engano mais fácil de ultrapassar em livro? Nessa situação outra, mais manifestamente despersonalizada de pessoalidade na relação com quem nos lê, será verdade?
Complicação atrás de complicação; explorando eu a presença dos comentários fazendo-os, expus-me à possibilidade de não ser comentado. Possibilitando criar a barreira mencionada, com a personalização referencial, apareces-te tu, cara amiga, mostrando que, através do afecto, ninguém fica afectado do afastamento. Este, a existir, deixa de produzir efeito! É ter defesa contra encantamento ou mau-olhado, protecção de amor fraterno.
Voltando ao texto anterior, fazendo-o pertencer à categoria dos textos escatológicos, é criar um texto forte! Este tipo de textos, quando não afugenta o leitor, geralmente torna-o mais forte e cria um tipo de empatia bem simpático. Não é pois óbvio que qualquer leitor, independentemente de conhecer ou não o autor, se sinta refém de qualquer sensação de afastamento.
Estou para aqui a escrever e dou conta de “o conceito” ir valer pelo que já dei a ler, a partir daqui acaba. De repente, fique com a sensação, de haver perdido qualquer fio condutor. Imagine-se a fazer rappel, ficando sem corda…

quinta-feira, 7 de abril de 2011

PARAMÉCIA

Fui procurar o email, o registo de uma das tuas “paramécias”. Nunca me dei ao trabalho de lhe responder, seria um trabalho e não seria uma resposta. Em substituição, um conto, um pouco desmedido e caótico. Lembro-me que andaste uma semana a escrever o dito email, assim será o meu, o resultado de uma semana de deambulações em torno das palavras.
Como não tenho uma história, tu cozeste histórias sobre histórias, tendo por linha, a imaginação do sentir. As sensações também andam por aqui a boiar, prefiro usar bóias. Serão contos, separados por conta de títulos? Desagrada-me a ideia de incluir títulos no texto, quando for o caso, faço uma nota (1).
Isto não passa de Lixo, lixo num sentido etimológico que desconheço. Fico com étimo+lógico, o nome mais lógico. Seria justo cada autor ter uma etimologia própria, cá estou a escrever uma paramécia. Será como quem fez uma promessa e agora a está a pagar, andando devagar, de vagar, sobre a ponta dos dedos, sobre um teclado.
O teclado é virtual, encontra-se desenhado de forma informática sob o ecrã. Sobre a pressão muito ligeira de cada dedo, um de uma mão, um ou dois de outra, vou escrevendo. Tu não estás vendo, usas uma venda e estamos a jogar à Cabra Cega. Quando chegar ao fim da página, minha cabra, já ganhei direito a gozar-te todinha.
Vamos começar por examinar o sinal na barriga à luz de muitos beijinhos, aplicando os lábios como instrumento de análise. A Língua ainda ela, aqui continuamos a saborear. Tem sabor de framboesas, os frutos do bosque mergulhados em iogurte cremoso, saboroso, líquido. Devemos ir bebendo a imaginação, cada imagem liquefazendo uma palavra ou frase inteira.
Por mim já estávamos no sinal e inventávamos um novo sinal, um Stop ao contrário: não parar! Com tantos sinais repetidos: virgulas, pontos, dois pontos… estou no pára arranca de escrever sem pressa, como quem emula uma conversa feita em monólogo com o enólogo do lado guardado numa garrafa de tinto donde vou servindo “Um vinho frutado…”
Com vinho a comida sabe sempre melhor, na escrita passa-se o mesmo, a descrição tem acompanhamento. Vou acampar, montar a tenda, armar barraca, dizer o que importa e o que se exporta sem importância. Até voltar à importação, tentando receber qualquer ideia que se perceba e seja uma espécie de sobremesa. Só nessa altura será servido o iogurte, enquanto isso não acontece, continuamos a pagar promessa.
De que cor era o cavalo Branco do Napoleão, branco é galinha o pôs, um ovo, se voo. Não falha, depois duma falha, a falha passa. Só fica permanente e permanece quando chegar ao fim da folha, estamos muito perto, entrámos na zona do aperto, anota a nota, um conto desgarrado, flutuante… adiante: a) diante do abismo o artista cisma, concentra-se… mergulhar.
(1)
Faltam quinze linhas que acabei de contar uma, outra, outra, até perfazer as quinze. Quantas serão as linhas do conto? Vou contar, depois subtraio ou acrescento ou deixo ficar o que crescer, o cogumelo atómico dum átomo fissurado contaminando quem conta minando o peyote (eu alucino o génio: PEIDO)
A ideia surgiu-me como um enorme peido mal cheiroso, depois dela, ainda durante a mesma, fechei os olhos enquanto ela se vinha e eu lhe dava o iogurte na boca pelo gargalo da garrafa entornando o tinto sobre o branco, escrevendo a vermelho. Fiquei com os olhos raiados, os cabelos em pé! Por um momento o mundo todo tremeu e três meus eus foram separados dum quarto, o que me leva a reagrupá-los agora: 1 – o eu que julgo que sou, 2 – o eu que julgam que sou, 3 – o eu que julgo julgam que sou, 4 – o eu que realmente sou. Realmente sou este quarto, às vezes com esta ideia ficamos abalados até às suas bases. Inescapável não sentir a ideia, não a aspirar, é a inspiração fedorenta e desagradável a impor-se ao bom senso e bom gosto. Impossível dizer que não gosto, a escatologia tem uma lógica própria, insofismável: a verdade e nada mais que a verdade, o vermelho da cor vermelha, o verdadeiro sangue da vida, é para guardar de cor!
escatologia
(grego éskhatos, -ê, -on, último + -logia)
s. f.
Teoria acerca das coisas que hão-de! suceder depois do fim do mundo; teoria sobre o fim do mundo e da humanidade.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

NÃO DECRETO

«Não decreto nenhuma conclusão, entro nos versos…», do texto
Olá Sidnei,
Tentar fazer-me presente neste teu poema “ausente”!
A primeira coisa que me chama a atenção, um título em minúsculas. Uma forma de ausência, uma presença desapercebida, discreta? Não decreto nenhuma conclusão, entro nos versos… Tento ir nu, despido de pré conceitos, sem preconceitos, nu como gosto de ler os versos e, já agora :), de os fazer também. Surpreender o corpo, observá-lo com toda a nitidez. Vou tentar a ideia de “tábua rasa”, procurar (o) tema. Qual o tema do poema, uma identidade objectiva, a possibilidade de identificar um assunto? Assumo, vamos tentar dizer…
A musa, a ideia “me amuse”! Uma incursão, perdão pelo francês, sorriu e mostro os dentes… rio :))
Meu caro, a Poesia, esse momento onde a escrita encontra o verso, é o verdadeiro verso do real: o seu rosto. Escrever, prosar sobre a Poesia, escapa ao que ela é, é já outra coisa. A verdadeira tentação, a gratificante tentativa, deixá-la implícita, licita, genuína e generosa: o género rosa, como gosto de pensar e, às vezes, também, dizer. Abraço, abraços.
João,
Um comentário, enquanto abordagem dum texto, tentativa de compreensão do autor que o tenha escrito, ou qualquer subjacente intenção, é sempre uma procura de intimidade. Algo que me falta em relação à tua poética, ao ideário, à construção que possas usar com algum hábito. Hábito no sentido pleno, abarcando o significado de veste, guarnição, decoro, defesa, protecção, tanta coisa!...
Deixemos da mão todos esses significados, nada importa, importemos o título, deixemo-lo ultrapassar a fronteira da leitura, entrar na praia dos sentidos, procurar a nossa emoção deixar “Lugares (ainda) vagos” falar connosco. Su_gere-me e deixo-me gerir por esta ideia: o título trás consigo uma promessa, “lugares vagos” prontos a serem preenchidos durante o “ainda” onde irá andar a duração do poema. A partir daqui, tudo é leitura, tudo é poema! Parabéns. http://poemadia.blogspot.com/2011/04/lugares-ainda-vagos.html
Ainda não foi hoje que continuei CRÓNICO, com ligação ao dia de ontem, será amanhã.

terça-feira, 5 de abril de 2011

A ESQUINA DA IDEIA

A ESQUINA DA IDEIA (ligação ao blog POEMA DIA)

Porque a palavra branca da ansiedade anseia
a minha ceia é uma ideia lisa como lâmina
a segurar o fio por fronteira para cortar
a alma como balão liberto ao espaço

Tudo isto num momento se engendra
base
bitola
busílis

Até que o fio passa a fronteira
calma
crise
crê

Dás por fado o enfado de viver sem porquê
ditas o que dizes às palavras e escreves
desenvolves a vida vendo o ouvido
e é no canto que encostas a esquina da ideia

OS TEXTOS E OS OUTROS

Companheiros, muito grato pelos comentários! Gratidão que pouco mostro, mas estive pensando... Tudo depende duma vontade, mas ela fica entregue ao desejo e quando este não persegue aquele é este entretém que nos entretém, não nos tendo verdadeiramente.
Bem que gostaria de acasalar desejo e vontade, e que procriassem!
Feitos os agradecimentos, engendrado este paliómetro (mede o paleio ao metro), é preciso levedar as palavras, deixá-las crescer para criar a "massa crítica".
Vamos ver o que dá, vou passar ao dia 1 de Abril!
Seria muito interessante lermo-nos e relermo-nos, procurando uns nos textos dos outros, na opinião uns dos outros: OS TEXTOS E OS OUTROS.
De algum modo isto obrigaria a ganhar hábitos e a gerar, gerir e ter, tempo e disponibilidade para sermos... outros. Eu, um comentador dos outros, alguém melhor, mais participativo, com mais tempo!...
Pois é, este é sempre o grande busílis. O tempo é a nossa vida, a nossa vida é o que fazemos com o tempo.
Temo ser a contragosto que me fique por breves saudações aos outros e aos seus textos. Que fazer? Vamos ver... Abraços transatlânticos para o Brasil e Portugal, da insularidade dos Açores.
A ilha, um lugar onde o tempo, permanentemente, tem ondas!
Fica o paleio e saio do Metro onde mergulhei viajando imaginar, o Metro, o paleio, a escrita onde viajei.
Dando o Metro como comboio, bóio... Fico à deriva agarrando a dita cuja, anel de borracha, onde me sento e fico sentindo as ondas, flutuando. Deixando a massa crítica crescer, levedar como o pão, fazendo um bolo. Um suculento: suco lento... para convidar os leitores a, pelo menos este mês, viajar nos dias, fazendo a "crítica literária" da presença mais interessada e dada à presença neste blog! Valeu? Topou!?
Seria muito bom ver mais companheiros entrar nesta demanda dum Graal que será procurar dar uma presença Geral nos textos de "todo o mundo"!
O Henrique ainda não deixo seu comentário, acho que ele é a pessoa certa para alimentar esse húmus da leitura onde é bom que a escrita possa mergulhar suas raízes.
Bom, também fica o convite de visita ao Diário de Letras II, deixo link onde meu poema de hoje tem título. Tenho de me despachar, o hoje está chegando a ontem: a vida a andar para trás... andando para a frente. Abraços!!

NOVA CONTAGEM

Pensemos a realidade do seguinte modo, olhamos através de óculos para ver o que imaginamos, depois queremos olhar para os óculos e lembrar o que vimos? Vemos o que vemos, vemos os óculos.
Imaginando os óculos serem o instrumento através do qual vimos a passagem para a paisagem, o que fica da paisagem olhando os óculos? Uma impressão na cana do nariz, essa seria uma possibilidade, não estando habitados aos óculos. Não se trata disso, os óculos são a metáfora para as palavras: o texto.
Viajar, olhar através das palavras. Onde regressamos depois da viajem, ficando com areia da praia colada ao corpo? O uso da metáfora parece ser, ou ter, neste último exemplo, um papel demasiado superficial, epidérmico. Algo apenas colado à pele, apenas esperando um banho para desaparecer?
O texto é mais areia suficiente para sacudir a memória e encontrar a praia de novo, sem as pegadas varridas pelas ondas. Imaginemos uma praia deserta, sem marcas? As marcas, os seus relevos. Entrar nessa praia, fazer novo texto, uma espécie de viagem inaugural.
Olhemos para a praia, sem a marcar. Se necessário sem a ver, sem óculos, às escuras, imaginando apenas. A escrita nas_ce… nas ideias, conquista-as, governa ou instala o caos SE/se imagina sem ser escrita. Turbilhão de água redemoinhando nu ralo, na vertigem dum vórtice, num instante muda o pensamento e muda o momento.
O que fica é esse/este equilíbrio precário, esse SE/se, a imaginação como memória. Magnifico quando um texto nos diz: Fui imaginado! Mais usual, corriqueiro e desinteressante, é quando a areia que cai só tem expressão sobre uma superfície branca, cada letra um grão…
Perante uma materialidade sem densidade espiritual, a emoção perde-se ou nem se chega a encontrar. Fica-nos sempre a possibilidade de olhar a areia, como uma interrogação. Prefiro olhá-la como tempo, areia guardada numa ampulheta, esperando ser virada do avesso e começar… 
NOVA CONTAGEM

segunda-feira, 4 de abril de 2011

MEDITAÇÃO

Gosto de achar o que encontro e só depois encontrar o que acho, acho bem, mais ou menos, menos mal e mal, quando não acho nada o que também acontece. Gosto de Poesia, essa é a coisa mais certa de todas. 
Há uma fase na respiração onde se começa a conseguir cantar, só com o som do ar a entrar nos pulmões, chega-se lá... em meditação.

SENDO

se não fosse como sou
seria como não sou
não sei como seria

sendo como sou
sou assim

ao ser como vou sendo
Assim

VENDO

vendo a minha imagem
reflexo nas palavras
fico só perplexa

o que me chega
e logo vendo

sobre o que digo escrevo
Mim

Gosto de Poesia, essa é a coisa mais certa de todas.

sábado, 2 de abril de 2011

QUANDO ACONTECE

Aproveito para escrever e escrevo, interessa o que digo, o que disse? Digo sempre alguma coisa, depois do disse, é o que fiz. Fixe, interessa o que fiz. Fixar é então o verbo, colar, memorizar, o quê?
Interessa o antes do disse, o que se diz, durante o fiz. Chegamos ao cerne, a duração. Quando estamos no cerne, é quando o quando acontece.
Esvaziar a duração, procurar a intemporalidade, a arte da Arte: a ideia da coisa, a coisa como ideia, aquela a quem ninguém corta a raiz. Fixe, diga o que disser, o que… disse. Passar o que a o quê, eis o trabalho onde não há atalho (quando acontece).
QUANDO ACONTECE

sexta-feira, 1 de abril de 2011

ENUNCIADO


Cada leitura é um “entretexto” que procura o seu lugar dentro do texto, sobre o texto, debaixo do texto, ao lado? Mesmo quando passa ao lado, pode criar um enunciado.
Cada texto é um entretexto na escrita, um texto dentro da escrita, a parte dum todo maior. Beleza do texto, a sua imponderabilidade, seu ser gasoso, sem forma definitiva, evanescente nascente do espírito, lâmpada de Aladino ladino…
Para o “Dia das Mentiras” a verdade nos chegue, sempre que nos chega. Chega?
Dentro do poema “A” vem “ENTRETEXTO”, está em CRÓNICO.
ENUNCIADO