terça-feira, 24 de maio de 2011

SABOREAR A POESIA

SABOREAR A POESIA

eu só sei que nada sei
o mesmo nada com que sei
saber tudo que sei

até nada saber
sabendo esse nada

como se saboreia a poesia!
PoetaR


A RELEITURA

Escrevo por que me divirto a escrever, fazendo-o de diferentes modos, em diferentes momentos. Gosto de ler o que escrevi:
«
[Os romanos não inventaram o 0, esse é um dos motivos para a sua numeração ter ficado ultrapassada...
Em cinco anos (2005, 2006, 2007, 2008, 2009) passaram-se mais de 4 anos, até hoje retomar:
«À conversa na escrita»
»
Esta é uma nota, seguindo a ligação, encontramos uma sequência estranha e atraente, acaba de me atrair, sigo-a:
«
187

A magia do teu nome/leva a imaginação a navegar/até onde o tempo encontra/um lugar bom para sonhar!
X

http://www.sobresites.com/poesia/forum/viewtopic.php?p=32842#32842
»
Seguindo a nova ligação não sigo a série, encontro:
«
X
FORMA INDISCRETA


Vou passar do caderno CORRESPONDÊNCIA SECRETA, publico de forma indiscreta.

Amor,
A magia do teu nome
leva a imaginação a navegar
até onde o tempo encontra
um lugar bom para sonhar!
Mim, te quero sempre
e muito
Assim

Amor,
Venho dos braços de Morfeu
para acordar para ti/você!
Queria ser a Poesia eu
para me dar a quem me lê!
Assim, te quero muito
e sempre
Mim
»
Nesta altura paro a leitura, sem saber o que ela procura, lançada que está em várias pistas, abre vários caminhos. Procuro um, volto atrás:
«
188

O que é que agora pretendo, pretendia e quero pretender? Reler o que escrevi, fazer um 69 com o “69” feito.
»
Descubro aquilo de que ainda me lembro, a releitura.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

SER E SENTIR

SER E SENTIR

faz da poesia isto
uma coisa capaz
de acontecer

com naturalidade
ela ai acontece

onde se deixa seR
R

Rastro dum astro eu astro, assino-me Assim, aprendiz de Mim? Personagem outro eu um outro e assim, Assim Mesmo, o mesmo. Até que ponto as palavras nos convencem, deixamo-nos vencer por elas, são substituíveis, como conhecer ou detectar a autenticidade esquecendo como uma pergunta termina... numa afirmação?
As palavras moldam-nos quando as tentamos... moldaR

Dei por mim a imaginar-me personagem, aprendiz duma personagem, personagem dum heterónimo. Como esta explicação me parece um pouco caótica, evitemos o caos. Sem uma receita óbvia, misturemos pós de perlim-pim-pim, numa só palavra: Assim.
Começa a sair fumo da garrafa? Pinga, é cachaça!
Não me pergunto o que quer dizer o que escrevi, escrevi.
R

sábado, 21 de maio de 2011

A CÉU ABERTO

A CÉU ABERTO

gosto de escrever sem interrupção um romance
sem me preocupar com o facto
de o mesmo
se poder
tornar infinito e ficar inacabado
mesmo depois de o dar por terminado

o mesmo acontece quando escrevo um poema
no imenso romance dum namoro
onde moro emerso
até imergir
na urgência de versos
onde partilho o tempo da leitura

quando o tempo se esgota
gosto de deixar o gosto como esgoto
para o mesmo procurando escrever “a céu aberto”



Hoje, antes de me ir deitar, ainda o dia de ontem não se dava por acabado, li. Responder, deixei para hoje. Convicto de que responder seja, agradecer.
Tenho seguido o que escreves, ultimamente movida pela música, inspiras e escreves. Penso ser o que aqui vim encontrar, leste «inspiras e escreves.»
Inspirar… respirar uma lufada de ar cheia de energia! Ser capaz disso, é uma inspiração.
Ontem escrevi um poema, não publiquei. Não o queria publicar sem responder a este sentir: «uma inspiração.»
Vou agora publicar, depois de agradecer.
O que penso ir fazer?
Agora tenho um blog, lá publicarei. Também publicarei em “Sobrepoesia(s)”, agradecendo e acompanhando tua/sua presença. Beijos.


EU EM MIM

onde nos encontramos
estando onde estiver
em qualquer lugar

somos poesia
sendo este o poema

descobrir “eu em mim”
Assim

MIM EU TU(A)

(um)a lua lugar ao sol
na órbita parada
do instante

à noite ou dia
saudando

sou dando saudade!...
Mim

Michael Jackson – BEN
http://youtu.be/cwAmpn8ISV0

quinta-feira, 19 de maio de 2011

NOVO

(três de três)

NOVO CAMINHO (1)

o tempo
criou um ritmo
mesmo antes de começar

acabou
por se tornar
pó de um novo caminho

DEVIR (2)

a perfeição
engelha as linhas
do rosto: cria-as

para rir
com o seu verso
(o próprio) devir

PELA LUA (3)

o meu poema
cresça idealizado
sem forma
andando pelos versos
das palavras
feitos de silêncio
prontos para ser
sonhados luares
de dias iluminados
Assim

quarta-feira, 18 de maio de 2011

O SILÊNCIO & A MÚSICA

SEGREDO O SILÊNCIO

o que acontece
apetece dizer único
como um acento tónico

depois do tónico
o eco engolido

caminha com o segredo
Assim

SEGREDO A MÚSICA

teus ecos em meu ser
são meu ser tocado
como por vinho

só há a música
para dizer

o soletrado se-gre-do
Mim

domingo, 15 de maio de 2011

ADEUS

Agradam-me frases cuja interrogativa parece estar presente mesmo na afirmativa, elas parecem interrogar-nos, mesmo quando através delas queremos afirmar o que dizemos. Quem sou eu, é uma delas.
Sou alguém que chega atrasado ao dia da sua desaparição, teria sido perfeita a 13 de Maio, uma sexta-feira. Haveria magia nesta religião e ficaria situada neste blog, blog!... Afundar-se-ia na hora certa, há hora certa, no dia certo. Ao certo, a hora, qualquer uma, o dia, esse.
Vamos aos esses, só falta uma frase e a despedida fica feita. Sou um seguidor da Virgem? Autor, passo a publicar de forma física, não virtual. Sigo um exemplo que não é, nem pretende ser, exemplar. É exemplar: O ADEUS.

terça-feira, 10 de maio de 2011

TEMPO A PASSAR & PASSAR O TEMPO

TEMPO A PASSAR

eu gostaria cantar
meu contar como é
ficar aqui ouvindo

passarinho livre
ladrar de cão preso

e o tempo a passar
Assim

PASSAR O TEMPO

eu quero teu beijo
na falta dele vou ir
até ao meu desejo

livre passarinho
canta como só ele

meu passatempo
Mim

A SORRIR

Escrever Poesia é uma arte onde a noção de composição é muito presente, talvez tanto como na Música. Não é estranho a aproximação entre estas duas artes, ambas registam uma escrita de sons. A Poesia vai mais longe, é menos abstracta mas a sua verdadeira natureza é o canto, a voz modelada, erguendo-se liberta! Começam os formalismos; a liberdade é expressão, no voto, na linguagem e acção...

*A SORRIR

um anjo mudo
olhando o mundo
convoco para vir ver
meu eu a tentar vê-lo*


Ligação, para quem quiser seguir nas suas transformações a vida do texto.

sábado, 7 de maio de 2011

A ESSENCIA DA BARBATANA

eu sei que há versos que nos ficam
e frases
e ideias
e eu sei…
é, pode ser, o essencial

se conseguir fazer do que sei
o que sou
o que vem
o que fica… é,
tem de ser a poesia

trabalhando a essência da barbatana
a orientação,
a deslocação,
a essência re-
sume-se num único item

algo de
iluminado,
inusitado,
íntimo, e,
isso, só acentua o que sei

quando digo eu sei posso pensar
ue vai o q
ue fica a q
uerer e
ue é onde eu sei a essência

quinta-feira, 5 de maio de 2011

CORPO TODO

CORPO TODO

na viagem que um ramo faz
a outro ramo
o corpo todo da árvore
é um poema

saber olhar a poesia
em folhas
para onde olhas no verde

é sentir o coração solto
a bater no espaço

nu o infinito dum momento

Este poema envolve, necessita de toda uma poética que encarna, torna-se carne no seu nome “CORPO TODO”. É um poema cujo título seria bom para nomear toda uma obra mais vasta, um conjunto. Também está bem para o poema, um conjunto de versos, cada verso uma folha da copa, um galho da armação, uma raiz das raízes, o florir dum botão abrindo em todas as flores que chegam a fruto, passando a fase exuberante de abrir seu pólen ao vento, chuva, insectos, aos pássaros, ao espaço!
Vemos os ramos a mover ao vento, num aceno que dança, o movimento na imobilidade aparente do tronco que cresce afundando as raízes da árvore no seu chão. Dessa imobilidade aparente do tronco o poeta passa aos ramos, tentando esgalhar o poema tendo como ponto de partida a viagem no olhar, olhando «o corpo todo da árvore».
O poema não se esgota nas palavras, nasce delas nascendo das coisas e pelas coisas. Gosto da ideia de «saber olhar a poesia», para poder fazer/chegar o poema. Uma ideia que, antes de ser ideia, é o gosto de que gosto. Pode até ser… algo irracional, algo que não se discute. Não se discute, é algo que se curte:

é sentir o coração solto
a bater no espaço

Todo o poema, podendo guarda como desejo a redenção, tenta viver no último verso uma primeira e última palavra, uma derradeira ou nova ideia, um episódio único na sua história, o essencial da essência, o perfume dum verso final onde ainda SE guarda o que se liberta:

nu o infinito dum momento

O que é que te pediste, o que te pediu o poema, o que te poderá pedir? Os poemas são bons ou maus, como todas as obras, devem ser sempre julgados pelo que dão:

saber olhar a poesia
em folhas
para onde olhas no verde

A poética é a ética da Poesia, a Estética do poema, uma Metafísica do poeta. Cá deixo a prosa, uma leitura, dos versos.

terça-feira, 3 de maio de 2011

LUGARES E DESTINOS

LUGARES E DESTINOS
 
I
as palavras podem dizer a vida dos poetas
pois delas fizeram a sua vida
tentando esculpir a língua
num canto a perpassar o tempo
de espaços conhecidos e seus destinos

de Neruda me deram a poder coleccionar
uma lista de lugares para escrever:

habitante del sur de Chile
caminante de los bosques
gestor de la travesía del Winnipeg
su tumba junto al mar de Isla Negra
los mascarones de proa...

II
su casa de Valparaíso  "La Sebastiana"
teria uma janela sua para olhar
sonhando as palavras
antes das escrever sangrando
a consciência de as poder pensar

há sempre uma janela diferente
de onde se vê com mais alma

su casa de Santiago "La Chascona"
aí se sentaria como o imagino
olhando a folha sem olhar
enquanto compunha
um tempo que se queda a viajar

verso que lhe dedico imaginando…
(um tempo que se queda a viajar)

segunda-feira, 2 de maio de 2011

NU ALÉM

A arte dá uma alegria e felicidade cuja natureza é diversa dos pensamentos, imagens, ideias onde poderíamos ir em primeiro lugar procurar correspondências imediatas em festas, jogos, divertimentos para a alegria, sendo a felicidade idem aspas, aspas, mas com o tempo e a disponibilidade de procurar mergulhar no sentimento, com o qual ganha espessura e substancia, no amor, admiração, enlevo, em situações onde, então sim, a arte reclama a sua presença e tem o seu lugar.
Procuro a arte dum momento, perfeição duma identificação plena e completa entre o meu eu e a tua presença minha lua iluminando-me com uma presença reflexa de não sei que sol em torno do qual imagino gravitemos em translação a cada momento em que, em rotação, vamos sempre girando sobre nós mesmos, ao mesmo tempo em que há um outro tempo, outros tempos, de interacção entre astros onde pertencemos a um sistema solar onde o sol seria deus ou a forma para lá (nu além) de todas as metáforas.
Leva o seu tempo este tempo sem história, acaba por apetecer ser mais terra a terra, ganhar a animalidade das acções que captam dum instinto mais acerbo a sua necessidade, dando resposta a coisas mutáveis, sentir-me depender da sorte e do acaso que casam com a observação onde sou uma parte mais facilmente identificável no instante onde coloco em risco o destino, trazendo-o para a descoberta dum sentido para o lirismo no seu percurso onírico, como se, sonhando, fossemos acordando os sonhos até os despertar: escritos.

Questão:
Pesaria aqui pesar, ponderar, medir... se sim ou não os versos trazem em si a necessidade com que devem nascer, alguém saberia dizer?

Eu responderia à pergunta: Não, não haveria necessidade desses [pus a prosa aos esses...] versos, muito corridos e longos, onde apenas a prosa, transportando com ela o pragma, dá a consistência que eu encontro no texto. Nada os impede, respeito-os. Neste caso, eu sei e dei a saber como eles são desnecessários.
 A Poesia é um género à parte, onde nasce? Nasce no coração, como tudo… Nessa medida, ela é medida e dá a medir um sentimento.
Uma pancada no cravo, outra na ferradura. Ferrei, está ferrado!
O importante é que quem faz, faça algo que lhe dê… um gozo superior.!. Muito de orgânico, orgástico, orgia. A poesia só pede à Poesia versos, para se ver a emitir um sos onde eternamente regressa a ver-se no seu espelho: - Versos, ver_sos meus…, conheceis outra mais linda que eu? Ai dos versos que respondam à Poesia algo diferente do seu desejo!

domingo, 1 de maio de 2011

QUOTA-PARTE

Não tenho paciência para celebrações militantes do Dia do Trabalhador, quedo-me por poder celebrar a Liberdade dum 25 de Abril excepcional. A Liberdade é o respeito «a Paz, o Pão, Habitação», conquistas anónimas, para cada um ganhar e todos terem na medida do que há. O que se tem, sempre conta com o que falta. Não me deixo instrumentalizar em tempos de crise, tomo como minha quota-parte da responsabilidade de estar vivo e pertencer ao povo onde pertenço. Quanto à poesia, o povo é quem mais orden(h)a!…

DESESPERAR O POEMA

ainda que não saiba o que dizer, escrever
faz-se de olhos fechados, se apetece
sentir a mão a desenhar letras

as palavras percorrem o movimento
até ter a imobilidade e silêncio

um poema se traduz desesperadamente!
R