quarta-feira, 14 de setembro de 2011

BROTA & BROTO

3X4 (Dir. Caue Nunes) - Trailer

BROTA DA FONTE

eu só tenho ideias originais,
vêm todas da origem,
minha nascente.

nela
nasce beleza:

meu amor é esse mistério!
Assim

FONTE DO BROTO

eu sou seu brotinho e você
é meu grande tesão,
pensando bem

nele
beleza nasce

dilatando o corpo nela?
Mim

ETC…

em rigor sou um mediador
entre mim e não
sei…

pois
a invenção

só tem limites limitada!!
R

terça-feira, 13 de setembro de 2011

EU & VOCÊ


VOCÊ E EU

é sentar aqui e procurar
teus olhos ao ler
o que viu

para imaginarmos
assim juntos

você e eu mais eu e você!
Assim
 
EU E VOCÊ

é andar aqui a procurar
ler nos teus olhos
o ver em si

com esta nitidez
de dez/dez

escala mínima o máximo!
Mim

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

GESTO & GESTA

O GESTO

por esta hora do dia
pertença da noite
o silêncio fala

oiço-o e componho
uma canção

gesto e movimento!
Assim

A GESTA

é sempre à aventura
seguir-te assim
às escuras

sentindo o sangue
a cantar

quente e comovente?
Mim

domingo, 11 de setembro de 2011

ANTES & ANTES

ANTES DO DIZER

andava aqui a pensar
quando parei sabendo ter
descoberto descoberta

andava a andar
agora volto

na fala antes do dizer
Assim

DO DIZER ANTES

chegas quando queres
mas é no ir que chegas
levando-me a viajar

venho onde vamos nus
no aqui do agora

onde poesia se dá poema
Mim

sábado, 10 de setembro de 2011

ALGODÃO & ALGODÃO


ALGODÃO DOCE

suave como algodão doce
sua fala chega como
sons no vento

meu alimento e cor
adoçam o ser

dos versos se dando a ler…
Assim

DOCE ALGODÃO

você me envolve vindo
nesse silabar de eco
no meu côncavo

onde convexo
eu O sinto

à conversa onde versa…
Mim

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

SEI DE UM RIO


SEI DE UM RIO

sei de um rio
onde corre o canto
levando de mim a tristeza

ao levar as mãos
cheias de água ao rosto

volto para a vida com gosto
Assim


SEI DE UM RISO

sei dum riso
onde me faço eu
uma fonte cristalina

caindo dentro
de mim

onde de ti sou toda eu
Mim

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

PERÍFRASE & PERIFRÁSTICA

PERÍFRASE

o outro lado do vidro
onde a transparência ganha
corpo nos corpos

é o desenho desta
palavra perifrástica

procurando universo-verso!
Assim

PERIFRÁSTICA

ergo meus braços bem
alto acima da minha cabeça,
es-pre-gui-ço-me

espero venhas por trás
para abraçar-me

e são tu_as estas palavras!
Mim

terça-feira, 6 de setembro de 2011

PASSOS + UM PONTO

PASSOS
No túnel tudo era negrume e o eco
(caderno A5)
05.09.11

UM PONTO

um sinal assinala
o ponto onde termina
.
(bloco A6)
05.09.11

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

ESPAÇO + ECO

ESPAÇO
«um escaravelho cego caminha sobre o globo
sem perceber que o seu caminho é curvo,
eu tenho a sorte de perceber isso»,
Einstein
Gozemos o prazer da curva,
a linha dum verso, acompanhando
a Terra na sua viagem,
pelo Espaço.

ECO

saindo, na margem
da escrita, um vazio
externo à folha: eco

domingo, 4 de setembro de 2011

VOZ FALANDO


palavras com seu recorte clássico
a construir um belo labirinto
muito maior que o teor frásico
onde me perco no que sinto

é o soneto que não tem emenda
e sempre se renova com o dizer
de novas vozes indo em sua senda
colher o fruto da vida pelo ser

esta voz falando do silêncio
parece assoar sem filtrar o ar
registando este estranho comércio

dum som que se dá como canto
nada querendo em troca retornar
e não mais falando do que espanto

Poema publicado no POEMA DIA, inspirado e primeiramente publicado aqui

sábado, 3 de setembro de 2011

POESIA POUSO


POESIA POUSO

as mãos em repouso
repouso, movo
o olhar

deixo-me
cair

no transe do poema!
Mim

POUSO POESIA

pelas minhas mãos
nas tuas quero
toc_ar...

a poesia
de as dizer

escrevendo-nos...

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

TANTO MELHOR QUANTO MELHOR

O texto é uma construção tanto melhor, quanto melhor permitir a sua desconstrução, de modo que a leitura possa ser infinita [e, i. é (isto é), fique] nunca acabada.

Este era para ser o comentário a deixar ao texto que manuscrevi, quando o transcrever comento, deixá-lo-ei para quem quiser ler. A_braços!!

terça-feira, 30 de agosto de 2011

DO QUE SE É

Por favor não responda ou, se responder, saiba que eu não vou responder. Vou sempre escrever desta maneira, como se não existisse motivo nenhum e não existe. Nenhum motivo é motivo para ter essa importância que pode ser desmesurada, sem medida. Na medida em que as medidas têm de ter um padrão, ora a verdade é não haver nenhum padrão capaz de quantificar o ser. Do que se é fala o que escrevo, é pelo menos isso que quero dizer quando em silêncio respondo ao que correspondo. Sendo bem certo ser incerto, tudo tornando ainda mais incerto. Ser o ser alguma coisa, é como podeR ser eu, tu, ele ou ela, nós, vós e eles ou elas consoante seja ele ou ela o eu, tu, nós ou vós, é tudo igual. O que muda, é só ele ou ela, eles ou elas. O sexo tudo condiciona, mesmo se nada determina. Condiciona, já não é pouco. Querer um motivo melhor para escrever uma história, pode haver mas não existe. Trata-se duma impossibilidade, sendo impossível, tudo é possível. Sabe-se lá com o que podemos sonhar, enquanto nos dá sono de tanto repetir a mesma interminável paráfrase do parágrafo.
R(i)

http://manufatura.blogspot.com/2011/08/do-que-se-e.html

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

CONTO AMBICIOSO

Está visto, basta ler um livro, sabe-se que a história dum livro ou de qualquer coisa escrita pode não ser a história do seu autor. Nem sempre o autor pode escrever a sua história, embora seja coisa que pode fazer de muitos modos…
Para a narrativa de factos onde o autor conta a sua vida, ou partes dela, damos o nome de biografia, juntando na mesma palavra, bio: vida e grafia: grafismo, escrita…
O nome a dar aos momentos em que o autor se escreve, já que ao escrever não escreve sobre mais nada, escreve sobre si mesmo como um cão... fazendo "a cama para se deitar".
Lembrei ser essa esta história, sendo, depois de pensar, este fazer da cama para me deitar. Pensando, desejando, ambicionando… adormecer e sonhar o conto que acaba por não ter uma história muito ambiciosa. Principalmente por duas razões: a primeira por ser ambicionada muito devagar, quase palavra a palavra, a segunda não é muito diferente, é a mesma razão a ser feita, frase a frase.
Nu fim. Só falta uma frase, é quando, imagino, o autor dá vida à história! Pega no barro… dá um berro, um sopro de palavras atiradas boca fora, diz:
Está feito o conto ("é… foi… será… a minha vida")!

domingo, 28 de agosto de 2011

VIAJAR

Depois do ontem é o hoje, quando hoje acontece. Amanhã, depois de ontem, em relação a hoje, que dia é? É amanhã.
amanhã > hoje, passa a:
amanhã + 1 > hoje + 1 (hoje + 1 dia, é amanhã) = amanhã + 1 > amanhã
O hoje afasta-se do que irá acontecer, como há-de ser?
Depois de ontem, o amanhã é hoje, em relação ao dia de ontem não falha, sem falha!
Concluindo… hoje é hoje, tendo por pressuposto que ontem foi ontem, amanhã será sempre depois e antes de depois de amanhã.
Enquanto me amanho com estas considerações, vou ajeitando a ideia de deixar duas ligações de ontem ou já de hoje.
Se isto dá uma história ou se já deu, depende do que devemos entender por história. Neste caso, uma história é tudo que nos conta um caso. Neste caso, este é um conto verdadeiro, se agora apresentar as duas ligações. Em todo o caso, é sempre um projecto de ficção: "VIAJAR"
F®ase onde possa deixar as ligações, aqui e aqui.

sábado, 27 de agosto de 2011

ANFITRIÃO

Estranho era se não andássemos por cá e andássemos, andando bate tudo certo, estamos plenamente de acordo. Deste modo começa mais um conto, uma destas histórias onde, desta feita, a ironia funciona como trave mestra duma divisão onde procurarei erguer as paredes da frente para trás ou vice-versa, dum lado ao outro, deixando a divisão sem teto… neste chão.
Gosto de me deixar surpreender pelas histórias, não tenho a mais pequena dúvida que esta me surpreende. Então, tendo esta certeza, estou convencido que me prende o suficiente para a levar até ao fim. Desenvolvo a trama, teia onde tento apanhar o que se apreende de tudo isto.
A ironia dificilmente nos deixa indiferentes, desde que seja detectável. Ela tem essa particularidade, só é verdadeiramente boa quando não é "boba". Trata-se duma problemática que é… problemática, virada para a sensibilidade.
Esta é daquelas histórias que, mesmo até ao fim, não sei como acabam. São as que têm mais ironia, o que faz da ironia uma espécie de tempero semelhante ao sal, elimina o insonso. Sondei o insonso, para agora pensar em voz alta "Se cheguei ao fim, estou plenamente de acordo com quem chegar até aqui". Aliás… a minha obrigação, como anfitrião, não é outra!

Este conto nasce dum comentário

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

ANJOS E CIBORGUES

 

ANJOS E CIBORGUES

Vou passar um mês a escrever pequenas histórias, quando o tiver feito, todas as histórias darão uma história, muitas histórias. A melhor de todas deverá ser sempre a próxima que ainda não aconteceu, no convencimento da melhor ser a que está a acontecer.
Tudo se passa assim num hino a anjos e ciborgues, onde escrever é uma borga. Uma brincadeira de crianças, feita por adultos. Crescer é a ideia mais magnífica com que se pinta esta realidade…
Vamos lá pôr os anjos a ter coitos angélicos jogando à “cabra cega”, onde contam 1, 2, 3… partem à procura, fugindo e batendo no coito, todos cantam “Quem está livre, livre está!”
Os ciborgues, esses seres cibernéticos, os transformers e mais outros parentes, andam a fazer anúncios de televisão. É uma visão redutora, até diria triste, mas não há dúvida que derrota qualquer espécie invasora alienígena. Infelizmente também nos derrota a nós, criando uma mentalidade idiota pronta a viver da moda, à procura do que não muda, enquanto não enjoa.
Então, um anjo lindo, a moça perfeita, pega no ciborgue com carinho e dá-o a uma criança. A criança agradece, o anjo afasta-se… A criança fica sozinha, mete o ciborgue na boca, engasga-se, morre. Atónitos, vemos a cena passar-se no telejornal, não acreditamos.

Isto começou no dia 1.
Vou ver se publico algo que escrevi ontem, abrindo o dia de ontem.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

POIS SIM…

Uma história para escrever um conto grande, para um pequeno não iria buscar a informação toda que vou passar ao leitor. Desisto, só gosto de histórias do meu tamanho. Foi isso que me atraiu, a minha personagem sentia-se sempre sozinha e já tinha sido prostituta. Eu sou seu filho, estou para nascer “filho do pai”!
O que faria a história grande, seria dizer tudo que minha mãe gostaria de ser, estudar ou fazer. Ainda não tenho objectivos próprios, os impróprios são todos os outros. Para minha pequena história, daria muito jeito um desses, qualquer um, um bom tema!
Bastou ter essa ideia uma vez, agora não quero outra vida. Começo a ter vida própria, eu sou e serei meu tema. O meu primeiro sonho, o meu primeiro sono filmado para ser reproduzido acordado. Minha mãe a ser balançada, debruçada no alto dum castelo e eu sendo… gerado!
Zerada mais uma ideia… Tenho ideia que, quando a história estiver acabada, todas as ideias serão possíveis. Vamos lá, só falta chegar aí. “Ai, diz a marquesa, vou ter um filho e não sei quem é o pai”, este é elemento de anedota. Escrevê-la? Pois sim, pois não?

A anedota, em quarta mão, aponto-a com o pé…
“Ai Jesus, diz a marquesa, vou ter um filho e não sei quem é o pai!” foi a redacção do Zequinha, Joaozinho, Luizinho, um desses. Surge por ação duma professora insegura que não segura o menino, tendo ido fazer queixa à Directora:
Senhora Directora, tenho um menino que consegue destabilizar qualquer aula.
Irei assistir a uma aula sua, veremos se a consigo desmentir.
Tentarei fazer de modo que a realidade me desminta, crente que não teremos essa sorte.
Combinada hora e dia, no dia seguinte a professora dirige-se à turma tendo ao seu lado a Srª Directora. 
Hoje vamos mostrar como a turma é ordeira, quando quer… e olha para o menino reguila, ele sorri. Um sorriso bonzinho de... “Já vais ver!”
Hoje, para estarem muito atentos e sossegados, devem fazer uma composição versando três temas: a religião, a nobreza, a natalidade e ter uma incógnita. Quem acabar primeiro, vem mostrar e ganha uma bolachinha.
A professora tinha levado um termo com chá quente, duas chávenas e bolachinhas. Estava a sentar-se para servir o chá nas chávenas sobre a secretária, levanta-se o menino:

Já acabei senhora professora!
Levanta-se a Srª Directora:

Quem quiser faz de Directora, menino... a professora vai tentar ficar quieta e calada. Fui.

Elementos inspiradores:

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

DUETO

Devaneios d'uma Quimera!/ Duas Quimeras
Luli Coutinho/ Francisco Coimbra
 
Um olhar que dura uma eternidade/ reflete-se como imagem em espelho
De tão profundo um mel de ternura/ escorre espesso doce grosso quente
Mais parecem dois lapidados jades/ diluídos no prazer novo nunca velho
Iluminados devaneios d'uma quimera/ outra se junta a trazer o que sente!

Tão cheio de saudade e ideais/ solta ais como um poeta maneirista
A espera do outono que vai chegar/ exagerando até mais já não querer
Trazendo um crepúsculo acolhedor/ de cores acrílicas e gosto modernista
Enlaçado aos ventos colher folhas pelo ar/ captando ao Outono um colorido ser

Onde a vida dos sonhos se sustenta/ na mudança da estação mais requintada
Translúcido entra no meu coração a vagar/ de gostos suaves em sumarentos tons
Fechando os olhos, abro os braços e espero/ onde aconchego dum chamego é dada
No corpo o apelo que a saudade seja perto/ nota certa no timbre próprio aos sons

Tempos dourados, quentes alaranjados/ a linguagem viaja no corpo seu sangue
Mágicas luzes por todos os lados/ aquecendo da magia o magicar poético
Ah, o meu amor espera!/ onde dueto se aproxima e vem profético
Um outono de neblinas quisera!/ filtrado ao ar espessuras de ser langue…

26/03/11
24/08/11
São Paulo – SP
Açores – PORTUGAL

terça-feira, 23 de agosto de 2011

E SE POR ACASO…

«se por acaso, prometer o poema para daqui a pouco»
E SE POR ACASO…

De certeza há uma história para o poema que ontem escrevi, há de certeza uma história para o poema… interessam-me muito mais as palavras que as histórias, os sons. Gosto de fechar os olhos e filtrar as cores pela memória, verdadeiramente, são assim as minhas histórias.
Voltando à história do poema, nem preciso de me lembrar dele, basta lembrar-me dele, saber que existe, que existiu. Logo aí, aqui, neste momento, agora, o poema existe e, se por acaso, prometer o poema para daqui a pouco e disser: Vou mostrar o poema!?...
Não me sinto minimamente inclinado a fazer o que disse, pois sobre isso é que estou a escrever. Precisamos de uma base, essa é a nossa verdade. Não, não se trata de imaginação, é a imaginação. Quanto mais real, mais verdadeira. Concordo com esta verdade, será real?
O problema do real, não é um problema, funciona como um trampolim. Impulsionamo-nos no real e saltamos na realidade, pode ser tudo fantasia. Nesta altura voltamos atrás, ir atrás da realidade, ir atrás na realidade… A verdadeira beleza anda por aqui, à espera de ser criada, de servir.

Tenho 21, 22, 23… tenho estes dias por fazer.