quarta-feira, 22 de junho de 2011

Versos dum fado

«A minha canção é verde, verde,
mas porque é verde não sei»

Oiço este versos dum fado e sem enfado começo, esta prosa que começada continua. Deixo-a seguir seu fado, enquanto Fado vou ouvindo. E é a canção da língua, cantada na ponta da língua, por quem a sabe cantar. Penso voltar ao que ontem escrevi, para passar uns versos, deixando do dia que passou um dia que ficou. Antes disso é ainda isto, o silêncio que fica quando ficamos em silêncio…

CAPOTE RODANDO

aquilo que digo quando penso
poder dar-te do sentimento arte,
è capote rodando em mão toureira,
ensaiando a dança ao movimento

uma última verónica,
no limiar onde a imaginação
perpetrando o número… é faena

segunda-feira, 20 de junho de 2011

O BICHANO

Apanhei um gato na rua, porque levantou o dorso sem eriçar o pelo, fazendo uma espécie de dança coquete, como quem oferece o lombo para receber uma festa. Não quis criar nenhum compromisso, ele deu um miau nem muito baixo nem muito alto, na despedida; fiz uma festa, deixando-o ficar onde ele se encontrava. Amanhã quando lá passar lembrarei o bichano, já lá não estará. Pelo menos é improvável, o lugar fica no meio do caminho, num passeio público duma estrada com bastante movimento. O acaso, às vezes dá-nos momentos como esse, para recordarmos a sua presença? No caso, o acaso foi gato.

Ale,
Se esta festa teve lugar, por certo; improvável é ter sido num passeio público, certo é ter gostado muito de poder responder ao teu comentário. Beijos


SAUDADES

I
mas que saudades sinto
e não conheço
melhor que isto que é
o suficiente para me confessar
assim?
e dá-se
esta curiosa
materialização vinda
da vida para a poesia enquanto
poesia
espaço para
apreciar as palavras
e a sua importância relativa mas
ao mesmo tempo absoluta
e total

II
num segundo momento
procuro as sa_u_dades sem
saudades verdadeiras
das ter
gozo com a prosódia
deste versar
feito
como quem conversa
deixando o tempo passar

III
não tarda
estarás aí a chegar
onde a leitura te interrogará
sobre
como ler o poema?
foi para esse momento que
ele está a ser escrito
e ficará acabado
como se isso fosse possível
tão possível
como ler (o poema)
nas palavras os sentidos
quando nos vivem todo o ser

SA_U_DADES
SA Sociedade Anónima
U Urdida de idades
tão intemporais
como o Futuro neste momento
ainda lá não chegámos
e é quando o temos

domingo, 19 de junho de 2011

PROCESSO INTUITIVO

PROCESSO INTUITIVO

eu queria fazer algo especialíssimo
onde tudo viesse debaixo da língua
para surgir com uma naturalidade
nada compatível à urgência surgida
não se sabe bem de onde nem como
a não ser no processo intuitivo

acreditar a necessidade da Poesia

posto isto, cá vamos nós: O ovo
com a proximidade sonora a novo
indo ao encontro de não saber como
o processo intuitivo faz acreditar
nesta frase feita “seja no que for”
interior deste ninho (as palavras)

Nota: com alterações à publicação em Sobresites


 

NUNCA ACABADO

não é preciso muito tempo,
p’ra falar basta deixar o ar
sair articulado pela boca

mas por outro lado
pensar de dentro,

dá-nos um sentimento…
Assim

ACABADO? NUNCA

o sentimento de sentir faz-
-se ligação sem limites…
temporais ou outros

como um sonho vindo
até nos despertar

verso na pontas das unhas!
Mim
 

sábado, 18 de junho de 2011

PALAVRA INCERTA

PALAVRA INCERTA

vale a pena dizer
não sei o que dizer
e já sei dizer
alguma coisa

contudo o entrudo
festejado no Carnaval
tem um mascarado

a ostra aberta
mostra uma pérola

uma palavra (in)certa
 

MUDANÇA RADICAL

Estendo as mãos para o teclado como raízes que mergulham na terra, mas podem ser veias os dedos, ou terminais dum sistema nervoso; a metáfora procura-se metamorfose, violenta e súbita mudança radical.
O poema é vivido como canto, vibração e ressonância donde lhe vem encanto do vir ao ver da verdade que nele, com ele, ganha idade. Se não fosse assim, o que seria assim? Este é o sonho acordado, onde procuro a cor dum dizer dado ao gesto: disse e fez-se.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

UMA UNIDADE

A BELEZA

existe em todo o lado
a qualquer hora

sentir é seu momento

A POESIA

A Poesia é um género literário, dá nome à poesia. A poesia dá vida a tudo que se transforma em beleza, é a própria beleza de sentir e estar vivo!

A PROSA

Usas as palavras, conforme aprendeste a juntar as letras, seguindo as regras duma gramática. É uma viagem, sem condução não sabes para onde vais. Se te conduzires sempre, perdes o melhor da viagem: a p_rosa…

O PARADOXO

O que é a beleza onde tudo é tétrico? A descoberta da antítese! Esta tese, como todas as teses, mais que ser defendida, exige ser procurada, mantida, etc. Antes disso, tem de ser descoberta (Iluminação). Regressar a ela, ter partido e voltar, é continuar (a circular no ciclo dum circo onde o número é um zero único: uma unidade)

terça-feira, 14 de junho de 2011

A VIZINHA

O lado humano das coisas leva-me a contar este conto, como o conto. “A vizinha” é a história dum gato amarelado, cruzamento com um gato listado. Apresentando as características dum felino, com uma personalidade própria e desenvolvida. Inata e aprendida, no “em terra de bom viver, farás como vires fazer”. Não se aproxima muito das pessoas, se o chamam não se afasta, nem foge. Isto se não for uma criancinha a estender as mãos e a correr, como querendo abraçar um cachorro…
O gato é amigo da vizinha, espia-a delicadamente. Passa os dias no seu quintal, quando não vai à caça ou é caçado pelo cio. Muito mais que isto, na sua e nossa história, não há. Hoje, é suficientemente raro para poderem ser anos do gato, a vizinha deixa leite no prato. O gato faz um miado agradecido, afasta-se como se fosse a andar numa passerele. Vai-se deitar no cruzamento dos primeiros galhos duma grande nogueira, onde tem um dos seus ninhos.

domingo, 12 de junho de 2011

... A HORA & A HORA,,,

A CHEGAR A HORA

não necessito de amanhã
à tarde, antes da noite
neste chegar a hora

de jantar e ter
a comida necessária,

a fazer estes versos assim
Assim

A HORA A CHEGAR

amor vem para a mesa
que já o vou servir,
o nosso jantar

omeleta do ovo
dum voo...

peguei a ler teus versos!
Mim

A ironia em poesia é uma prosa que fica escrita só por engano, é engano (apuro?) de quem lê a prosa na poesia.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

NA ALMA DO (E)VENTO

NAALMA DO (E)VENTO
 
Foi a EB1,2,3 Augusto Moreno
quem nesta Bragança acolheu
nosso encontro de vida pleno
onde boa formação aconteceu

Do evento aqui se vive poesia
procurando juntar-lhe história
ao deixar viver com a fantasia
esta alquimia feita à memória

Onde se tece o que acontece
ainda está bem vivo o evento
causa que num efeito aparece

Linha num papagaio de papel
lançado para todo firmamento
fazendo asas com minha pele?

(a imaginação em altos voos
aqui tropeça em minhas loas!)

quinta-feira, 9 de junho de 2011

VOLÚPIA & VOLÚPIA

NOSSA VOLÚPIA

todos os dias
há uma palavra
para descobrir

desnudá-la
com arte

é nossa volúpia
Assim

SIM… VOLÚPIA

quero ser eu
palavra tua
toda nua

até ficarmos
sem palavras

sinto a volúpia
Mim

Nota: 27,5… versos aos 55 anos

quarta-feira, 8 de junho de 2011

VERSÁRIO

VERSÁRIO

anima a acção com o
que te acontece,
hoje o dia anima
com mais um ani-
versário

onze vezes cinco
anos vividos
em continuo nascer
todos os dias
pares e impares

até no dia corrente
ao passear
na rua à noite
vendo o D per-
feito dum crescente

comecei a pensar
escrever deste
modo o poema
incluindo a Lua
naquele momento

mesmo terminando
já não mudo
o que assim acaba
ficando
neste aniversário

versando
o tempo todo pela
meta(de)…

terça-feira, 7 de junho de 2011

POR UM POUCO

Hoje o arre vertical, como um sinal: A exclamação! Algo ideal, uma ideia.
Feita a frase, passo para um texto com duas frases, pelo menos.
Não me fico pelo menos, mas apenas... por um pouco.

domingo, 5 de junho de 2011

RISO E RISCO

RISO E RISCO

eu gostaria de me culpar de ser quem sou
passando a ser queixinhas
coisa que não
sou

também é isso mas não é só isso
em meus versos me explico e comunico
ou imagino fazer algo
parecido a isso?

já desqueixei das palavras
soltando-as dos queixos virtuais
com a virtude da escrita ainda virgem
esperando atingir (o) orgasmo

coisa que não chega ao fim
começando para lá dos versos antes
deles e depois de aí chegar
(é) um riso e um risco

sábado, 4 de junho de 2011

SIMBIOSE

SIMBIOSE

quando canto o Universo desperta

começando o dia desde uma luz remota
onde as ondas chegam tocando a maré-cheia

desta ideia peço que guardes apenas

um verso solto como um remo caído à água

a mensagem do pássaro que solta um trinado

(oiço na margem, enquanto vou na corrente)

quinta-feira, 2 de junho de 2011

A DO REI

no cair da tarde...
Lendo tuas letras e ouvindo a música eu quero ser as lágrimas que caem dos olhos onde o poema se escreve do que nele é dado a sentir, a_do_rei! Porque a arte se faz do que sentimos quando contemplamos as obras, hoje minha obra vai ser dar a ler tua obra aqui. Beijos.

À conversa na escrita

Ainda palavras para agradecer à BB, podem ler-nos seguindo ligação.

quarta-feira, 1 de junho de 2011