quarta-feira, 27 de julho de 2011

PRAXE

Tenho uma amiga com quem falar é muito agradável, vai dar para uma crónica. Sentamos, olhamos um para o outro, cumprimos praxe. Coisa dum minuto, como se estivesse a nascer uma criança no momento! Fala primeiro quem achar que tem alguma coisa de importante para contar, nunca sou eu. Hoje fui eu, para variar.
Vou contar uma pequena história, podes contar a quem quiseres… não é segredo! Disse, continuei. Estava eu sentado a ver o mar, apareceu-me uma sereia muda. Fiquei mudo e não lhe consegui dizer nada, como deduzi que era muda? Não consegui ter a certeza, mas não resisto a saber a tua opinião.
Porque contei esta história? Ela não costuma respeitar o minuto de silêncio e já íamos no 00:01 da hora, quis distrai-la. Para crónica já chega, imagine ter uma crónica crónica? Quanto ao minuto… Deu para o aparecimento da sereia, enquanto pensei em Braille. O inventor da escrita lida pelos cegos; não quer assinar a crónica, porque será?...
Braille

Vou buscar o que ontem publiquei:
«
UMA MÚSICA

colho lírio branco
a brilhar no ar
aí plantado

é como sonho,
perfume

e há uma música...
Assim

http://tatuaanalfabeta.blogspot.com/2011/07/versos-dourados.html

CABELO CAÍDO

tinha uma folha larga onde os versos cresciam
quase desmesuradamente,
mas a poesia,

não querendo a desmesura,
fazia mesuras

à forma como SE/se enrolava nu cabelo caído
Assim

http://www.sobresites.com/poesia/forum/viewtopic.php?p=38845#38845

MENTE DEPRAVADA

arregaças
as saias à alma
para ela se deixar
fazer total e completa
mente depravada.!.
Assim

http://deliriosincessantes.blogspot.com/2011/06/words.html

UM VERSO

quando me esforço
para fazer comentários
como se fossem boa poesia

depois da primeira estância
vem logo uma segunda

às vezes dá um verso!
Assim

http://eroticamenteincorreto.blogspot.com/2011/07/100-amor-mas-com-humor-xxvi.html
»
http://www.sobresites.com/poesia/forum/viewtopic.php?p=38844#38844

terça-feira, 26 de julho de 2011

AGRAFO UMA E OUTRA NUVEM

PARÁGRAFO
Olho as mão, de seguida o teclado. Agora elas movem-se nele, a dança começou. A música? Oiço a ideia da dança, canta na minha cabeça. É um micro conto, p®onto.
R
UMA E OUTRA
Agrafo uma folha a outra, as duas folhas, formam um único documento. Agora vou escrever numa, logo vou escrever na outra. E foi, fui.
Ri
A NUVEM
Ruindo a alma desmorona como um prédio implodindo, o pó rodopia enquanto a nuvem está no ar… esta é a nuvem.
Rui

segunda-feira, 25 de julho de 2011

VERSO VINDA

«Entrega nua!»,
in "Convite ao Amor"
de Luli Coutinho

o tempo não passa
quando tu chegas,
nada já me massa
é mossa ou chagas

és a nossa poesia,
pois me descubro
em nós e fantasia
de prazer a cubro

numa leitura vária
de coisas diversas
toda a razão varia,
a realidade versas

domingo, 24 de julho de 2011

A PELE DO CORPO

A PELE DO CORPO

I
hoje isto é possível,
enquanto escrevo gravo
não só o que escrevo

também a minha imagem
fica digitalizada

é um momento variável

II
num segundo momento
imagino ainda este
o mesmo tempo

feito de momentos
sem dúvida

como a vida da poesia

III
convida à possibilidade
de ler em voz alta
esta ideia

e então será facto
tido em acto

a pele do corpo vestida

FALA

Se a poesia deve produzir imagens para que a possamos ver, o mais importante mesmo é que ela se faça ouvir, para dela sentirmos a voz. Deus é como um Cristo, de longo cabelo? O importante na voz do poeta, é o leitor tentar ouvi-la através da sua própria voz. Ao fazer isso, o leitor acrescenta a plasticidade latente na palavra escrita, liberta a energia potencial potenciando-a. Dito isto, também a prosa pode e deve ser lida, como uma fala.

sábado, 23 de julho de 2011

ARTE DE NÓS

Está feita a dedicatória. A informação dos dados brutos, não sendo filtrada, mostra apenas, é amostra: funciona como montra. Geralmente olhamos de fora as coisas, mesmo as obras com que nos envolvemos o suficiente para as ler... Chegando ao fim, arrumamos e rumamos a outra, vamos a uma próxima? Não, procuramos a vida, na obra.

Investir a vida numa obra, lê-la, estudá-la, senti-la, amá-la, aprender a_prender e a libertar a obra como parte de nós. Isto levou-me a tentar implicar na dedicatória uma história onde um nome é assinalado por um ponto assinado, assinalado... localizando um ponto para nós, tu e eu ou outro, a quem digo: Este é o livro (!)

Do meigo nomear: Tesouro, passando a ver o Touro no que és, é um estouro! São as mais variadas possibilidades do (o)vário, um desvario. Com isso, acredito ser possível dar corpo ao que vive da ternura à fúria, do carinho à luta, à meiguice e amor.

T(es)ouro…

X
Este é o livro

sexta-feira, 22 de julho de 2011

A GRADE

Aguarde até ao fim, vamos ver como acaba. Maria é a portadora do nome que gosto mais, é o nome dela. Claro, gosto do nome e gosto dela. A tentação de me perder nos pormenores de “a grade” e aguarde… predem-se com os por maiores das pequenas coisas que fazem da escrita um ritual delirante. Esta dança ao som do batuque quando, como é o caso, em silêncio… vou escutando o som das teclas.
A grade fechou-se, ao som da música, sou a dançarina drogada dançando a sua última dança ou a primeira. Cada coisa como se fosse a última, viver como se me despedisse da vida em cada momento que passa e não volta. Maria move-se felina, dança gesticulando uma ginástica macia como os sonhos quando penetram até aos ossos na maciez da carne com a tensão dos músculos e as cartilagens em zonas de articulação, com alta precisão.
O que faz Maria, fecha os olhos e abandona-a à música. Fico a seguir a música hipnótica sem qualquer melodia, os dedos tocam e são tocados “o que está em baixo como o que está por cima”, a química emprega a alquimia. Quando a grade abrir, Maria será um sonho liberto, um voo de ave-do-paraíso, faisão de grande beleza abandonando a prisão da história que se abre, ao mundo maravilhoso da fantasia.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

SUPER(O)FÍCIE

Este blog alimenta-se do que me alimenta. Continuando a dar atenção aos comentários, uma resposta, um agradecimento, à pouco… deste momento. A pouco espaço do agora, onde o tempo vai ganhando volume, espalhando-se na superfície das letras.
Oficiando neste ofício onde procuramos (o) orifício, porá tentar penetrar O Infinito!

Com toda a sinceridade, gosto dos seus/teus comentários. Eles descobrem meandros onde o meio se divide, nas curvas do rio. Além de agradável, pelo apoio, é como um poiso. Dá para ser ave, levantar voo. Como diriam em saudação os romanos: ‒ Ave!... Saudações em todas as direcções, na esquina do momento. A_braços!!

quarta-feira, 20 de julho de 2011

AMEI-O

AMEI-O

Sem saber as palavras, tendo uma ideia, um re_sumo… deixo ficar a polpa e o sumo, com o caroço e a pele, o fruto completo. A estrutura planto-a, como uma planta.
Desde sempre, há ideias para as quais procuro palavras, as mesmas ou outras, da mesma ideia em momentos diferentes. Uma das ideias recorrentes é a de pensar, sentir, presente_ar… o como a nossa presença se modifica a cada momento.
A escrita vive esta instabilidade procurando a pulsação, o coração batendo dentro do peito, no pulso, a transmitir-se ao impulso, donde mana a vontade que nos irmana, do antes até ao depois (não sabemos) a meio.
Amei-o, é o que disse ir dizer deste texto, mesmo antes de começar a escrever. É pois como um fruto, o fruto da escrita, onde se enraíza o coração e o cérebro, a emoção e a razão, tentando não perder o sentido do maior órgão do corpo.
Um último momento, este em que penso, estará à espera de resposta. Quem duvida qual seja o maior órgão do corpo? Só podemos ensinar alguma coisa a quem não sabe alguma coisa que sabemos mas, o que sei, é que o que queremos saber nas histórias, é o que vamos sentir… enquanto sentimos na pele, no maior órgão do nosso corpo.
Altura de dizer quando comecei a sentir este sentimento, voltar ao antes que existe só quando o ser duma coisa se forma. Foi quando pensei ficar a braços com o texto, comecei a amá-lo como a um filho ou um deus, um ser do qual ser queria e quero. Dele me separo, dizendo para quem nos ler: - Há braços para abraços!!
Viajo no tempo e volto a um momento que não está perdido, pois volta e regressa, sem pressa nem falta, para preencher a sensação de completude, talvez a mais completa das sensações!
A quem queira procurar sentir, essa sensação… A_braços!!

Um abraço muito especial, porque pessoal e próximo, aconchegado ao peito, a quem deixou comentário que ainda não tenha agradecido.
A qualidade dos comentários é vária e varia, mesmo se é sempre o prazer de receber uma visita que vem e fica vis(i)ta sem pressa, ou presença de mera ocasião, é uma pura part_ilha… Ilha o que fica rodeado de mar por todos os lados, um amar, de desfrutar prazer de cada um(a), cada comentário, toda a visita.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

ESSE ADJECTIVO...

A prosa é esta treta que trata de tudo, talvez por isso, prefiro a poesia. A poesia é um género literário definido por ser escrita em verso, dilatado para a prosa na prosa poética, para o formalismo desde o concretismo e já antes. Tem como característica tornar-se melódica e não pragmática, vivenciando a experiência do próprio entendimento do que é a poesia enquanto adjectivo capaz de caracterizar algo real, tangível, sensível. Nem toda a música é melódica, também a poesia é ritmo e pode ser um desafio, capaz de integrar o ruído?
Fazendo novo parágrafo, voltando ao inicio do primeiro. A poesia trata de tudo, mas não de qualquer maneira. Mesmo se a poesia pode ser muito diferente, para duas diferentes pessoas, não havendo duas pessoas iguais, havendo pessoas tão diferentes a poesia questiona a filosofia, a religião, tudo: vai do Tao ou Tau do Tauísmo ao tão
Gosto de procurar a prosa e deixá-la gravitar em torno desta ideia de saber o que é a poesia, esse adjectivo…
Poesia poesia, aquela que desperta sentimento do Belo, do Bem e do Bom, ou apenas sentimento… poético.
A diferença da Poesia é essa manifestação a que chamamos poema e elegemos como arte suprema do uso das palavras, da fala, do (seu) canto!

PERGUNTA SEM RESPOSTA

A ideia de que a dor faz doer
agrada ao masoquista?
Por um motivo de pertença
ao gosto da sofrer, Sim
Tendo em conta dar prazer
a quem a deseja, Não?
A negação é positiva..
dá à pergunta uma resposta!

O Assim, o que diz?

ACORDAR PARA O SONHO

as diferenças
deixam-nos indiferentes
quando temos fome, frio ou sono

durante o sono os sonhos fazem
do sonhador ser especial

poesia é este acordar para o sonho
Assim

Chamaram-me a atenção para:
http://www.bookess.com/read/389-o-provavel-/

terça-feira, 12 de julho de 2011

IRREMEDIAVELMENTE

IRREMEDIAVELMENTE
«Assim, me livro das palavras,
Com as quais você me veste»,
Fauzi Arap
(de poema declamado
por Maria Bethânia
quando cantou a canção
“um jeito estúpido de te amar”)

as palavras me estorvam
neste não saber sequer
o que quero e desejo
para dizer A poesia

esta que eu quero
assim do que sinto
irremediavelmente

mesmo se não há
uma palavra única
capaz de dizer tudo

eu corro atrás dos versos
e vou fazendo o poema
até cansar da canseira
de sentir ser asneira

este meu jeito
estúpido de te amar

segunda-feira, 11 de julho de 2011

domingo, 10 de julho de 2011

HIPER REALISMO

Cara confrade, ainda bem que não há mulheres que são frades. As freiras são umas frieiras, têm febre de Deus! O bem que um homem não faria a essas mulheres que dão a vida a Ele? Quanto a eles, os frades, esses, mesmo sem saberem de mim, nem eu quero saber deles mais do que a possibilidade de escrever isto: são meus confrades, na realidade, todos existimos nela. 
Vamos ao real, procurando o hiper-realismo! Hip-hip!...

REAL

Aos 10 dias de um mês qualquer, que é este, escrevo isto. Dou continuidade ao que escrevi ontem, vou usar a arte. Ela parte da realidade para dela, na idade certa, no momento, captar o real.

EM SI MESMO

Um texto pode ser grande ou pequeno, engloba sempre, em si mesmo, p_artes…

SIMBIOSE

A arte faz-nos saber fazer de forma simbiótica: saber/fazer, a arte que tento replicar.

VIDA À ARTE

Adaptar e tornar apto à situação de “apanhado”, captar e adaptar. Um apanhado diferente, a adaptação da realidade ao real: vida à arte.
Vou tentar fazer o apanhado, este vai de REAL a VIDA À ARTE (o hiper-realismo é “fora”).
A partir daqui, juntamos ou apartamos os “apanhados” ainda indiferenciados, tentando não ser indiferentes à realidade, dela procuramos o real. Esse é o papel da arte, feita de partes como tudo que existe, ela procura uma realidade utópica na realidade mas possível no real.
Vou voltar à realidade e fazer os apanhados, vou ser um “apanhado”. Nome empregue para apelidar os alienados da realidade, aqui aplicado para quem o faz no sentido inverso, procurando entrar no hiper-realismo.

Falta o texto já ontem prometido, este:

O QUE É ISTO

Uma inquietação antiga, a velha oportunidade do medo: quem sou, onde estou, o que é isto? Donde surgiu este corpo cheio de necessidades, movido a estímulos, tão estranho à minha realidade que é, esta dúvida: toda a dúvida, toda a sua fragmentação? Há possibilidade de crer e, por ventura, quero?? Um eu??? A a_ventura…
O que… a pergunta, mesmo inerme, é tudo o que resta: o solo para tocar, bater na bateria, até parar, arar, ar… Viajar de novo em poalha, ser levado para o Espaço!

sábado, 9 de julho de 2011

AS ESTRELAS EM PÓ

Eu sou uma mulher calma e paciente, ponto. Se o que vou contar me desdisser, de forma desprendida aceitarei o resultado dos meus atos.
Esta possibilidade do que dizemos ou fazemos fazer ou dizer o contrário do que desejamos, cremos, acreditamos e somos!? Ah, de bom grado me ponho em causa antes de começar a contar a história, talvez preferisse ser homem nesta história. Na verdade, acho que ninguém fica muito bem na fotografia. Nem sei mesmo se devo contar a história, para que escrevemos contos? Com este não irei adormecer ninguém, gostaria que a história fosse electrizante! Com todas as minhas hesitações já me começo a sentir estúpida, talvez imbecil? As duas coisas muito possivelmente, primeiro porque não resolvo nada, de seguida porque a fraqueza parece dominar o meu perfil.
Imbecil, sim. Escolho ir por este caminho da auto-punição, sem procurar a auto-crítica, nem explorar o ponto de vista do outro. O outro seria o meu namorado, aquele que sofreu as consequências duma cena de ciúmes ridícula, absurda, histérica, mais alguns adjectivos dos quais perdi o rasto e não interessa procurar, já que ela não decidiu ser ele e ele ou ela talvez caiam sobre a alçada dum narrador que se diverte a fazer um guião duma cena ridícula.
Ela não tem razão de queixa dele, namoram porque não se vêem a apresentarem-se como este é o meu homem ou esta é a minha mulher. Já o namorado ou namorada, parece ser mais simples. Ah, está-me a dar de novo, estou quase a desistir de contar a cena triste de novo. A culpada de persistir é a minha amiga Camila, a quem chamo camela quando quero insultar, sempre na brincadeira pois é esperta, amorosa e… é para ela que escrevo esta prosa.
Pois é, isto é um castigo. Não sabes porque fizeste o que fizeste? Vais escrever como quem conta um conto, um sonho, uma história. Tenta ser objectiva, falar de algo vivido e deixa acontecer a história. Quando chegares ao fim dizes: Vitória, vitória, acabou a história! Sentir-te-ás melhor, posso garantir-te. Disse ela, eu acredito. Logo logo... porque, só de ter acabado, será um consolo.
A minha amiga falou de catarse, o que me convenceu foi dizer que o seu interesse também faz parte do estudo que anda a fazer: a interpretação dos sonhos, segundo a interpretação psicanalítica do Freud. Terá sido pelo Freud, pela psicanálise, pela Camila, pela catarse? Também gosto desta ideia. Contudo, com tudo, a possibilidade de desdizer o que venha a dizer, a efabulação que possa dar ao que escrevo, as resistências que coloco no enredo e a forma como venha a ultrapassar toda a trama que possa ou não montar na forma como conto o acontecido isso, diz a Camila, é a parte mais rica para a desmontagem dos obstáculos que criamos à realidade. Pode ser essa a forma de melhor vir a tornar compreensível o que não percebo, do que me aconteceu.
Acho que só vou dar o nome a uma das personagens, aquela que fica com a obrigação de desembrulhar toda esta embrulhada! Estou a ser mazinha? No meio disto, não me livro de estar a lidar com uma certa má consciência do que fiz. Embora, verdadeiramente, ache que não vou desdizer nada do que tenho a dizer. Estou a empatar, isso é verdade. Também, salvo erro, não devo estar enganada, estou a encanar a perna à rã para que o caso passe a merecer ser, ter, valer um conto. Então estou a trabalhar para a história, a entrar no folclore da ficção.
Neste caso, é bom que diga que as minhas influências literárias são as revistas e os jornais. As revistas na cabeleireira, os jornais, os desportivos do namorado, o da terra quando vamos ao café e ele se põe a ler a Bola ou o Recorde e eu vou ver as crónicas. É destas que retiro o gosto de acompanhar o pensamento de alguém que decide abordar um tema político, cultural, económico, religioso, pouco importa, gosto de ver os meandros por onde o pensamento vai tendo o seu curso. Imagino estar a fazer um rio, cá vou metendo água…
De resistências à história verdadeiramente a história não as têm, não tarda esvazio o saco, veremos como. É que isto é muito lindo dizer que vamos dizer, mas depois não sabemos se queremos mesmo dizer, finalmente estamos a fazer um conto. Neste momento é mais isto, deixar a minha amiga intrigada, o que é que esta “camela” está à espera para chegar aos factos? Vejo-a a vingar-se, a camela sou eu, a esperta é ela. Nisso até estamos de acordo, a camela da Camila é muito esperta! Até lhe dou graxa, tenho curiosidade de ver o que ela pode tirar desta tramóia do digo que vou dizer e sigo a dizer que vou e não chego a lado nenhum, adiando antes, adiante e depois. Depois hei-de contar e, quando o tiver feito, há-de ser como o que fiz, um disparate.
Estou arrependida, isto é para o Tó também ler a minha veia de romancista! Topam? Afinal não resisti dizer o nome do meu amor. Era o que faltava para me sentir inspirada, agora vai. Foi assim, ele é um ferrenho pelo futebol, tem coleccionado os posters com a equipe da sua predilecção. Regista em roda pé ou nas costas da fotografia a composição da equipa e sei que tem um grande amor a essa recordação que guarda, de ano para ano aumentando a sua colecção.
Na segunda-feira passada acendi um fósforo, queimei a foto com a equipa deste ano e guardei as cinzas dentro do pirex que serviu de pira ao meu lindo serviço! Pois é, foi isto e foi mal feito. Nada que ele não tenha já resolvido, com uma calma absoluta. Chamou a Camila e mostrou-lhe: Vê o lindo serviço da Vitória!...
Não foi só esta calma, foi a cama à noite. Deu-me uma cama tão boa, Nossa Senhora! Ah, e é o meu último: Ah! Esmigalhei, até transformar em farinha, o poster depois do queimar. Foi como se o estivesse a transformar, não em cinza... Pó das estrelas. As estrelas do futebol, pu-las a arder, vinguei-me do tempo que me roubam do meu Tó! Pô… as estrelas em pó.

Uma versão mais curta, para a_bordar… o mesmo tema, fica para amanhã.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

ANÁLISE CRÍTICA

ESQUECIDO?
“poderia ter esquecido alguma coisa importante, ou alguém”

Um texto não tem de ter nome mas, não tendo pede, para referência, exige estratégias. Nos poemas geralmente o primeiro verso, na prosa, “Entre aquelas folhas amareladas…”, uma primeira frase ou o seu inicio.
Depois de lido o texto, dei por mim a pensar o que escrevo, a escrever o que penso. Pensei no título, na sua ausência. Criei um título, onde vale a afirmação e interrogação, lançando a dúvida como vida prévia ao dúbio destino do escrito: ao que nos levará? Nada pior, opção p(i?)or, destacar o seu inicio: “Entre aquelas folhas amareladas…”
Quanto ao texto, ele aceitaria bem Shakespeare citado por William Fawlkner, em torno da ideia do texto viver entre a hesitação e o sentido e etc. Daria para entrar no mundo das referências, onde se fazem as pontes que permitem passar da bidimensionalidade, à tridimensionalidade, à quarta, quinta e todas as dimensões. Verdadeiramente a arte exercita um poder de auto e hetero hipnose, sua melhor hipótese para um estado alterado de consciência sem recurso a químicos orgânicos ou sintéticos. Produto natural da nossa mente onde, procurando o artificio, o oficio do artista é: atingir a Arte. Sinónimo de perfeição levada ao superlativo (loucura!), significado do sentido do sentido, no mais prefeito entendimento entre o corpo sensível e a alma sobrenatural. Se não é assim, também não faz mal, deve ser o que o entendimento der e pedir. Se o intelecto nada pedir e o corpo nada der a sentir, a alma, para a perfeita ignorância, é perfeitamente ignorada, é nada.
Tentando ainda voltar ao texto, o pretexto desta leitura, vive dentro dum contexto. Neste caso, este texto é o desenvolvimento de "o que se perde enquanto os olhos piscam", o título do texto? Entremos nesse espaço de automatismo no uso da razão, onde estamos impossibilitados de parar o coração e cada um leia e frua. Dizer o quê? Fazer juízos de valor? Procurar o fio condutor, onde o que há é um condutor que se deixa conduzir pelo texto onde se transporta? Resisto, mas não resisto, vamos lá… Há uma ela, sem remorsos ou culpa e um rosto de culpada, meio sorriso e um “poderia”, a mata ao sol, mistérios e histórias à mesa, verdades descartáveis, aventuras juvenis a reviver o passado, esquecer o quê? É-nos dito que não saberemos, e ficamos bem com isso «Cremos, a partir de então, que tudo [se havia perdido]»... Qual a receita sugerida? A que é dada, inventá-la [a ela]!
Quem seguir William Fawlkner como referência, poderá encontrar menção ao fluxo de consciência e patati-patatá, já está.
Claro, é uma leitura, é o que todo o texto pede. 
Tive como referência prosa de Marcos Maxnuk.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

CONFRADES

Cá estamos, agora fazendo parte dum grupo que vou tentar começar a conhecer. Ficando a ler, participando nos desafios propostos. Sem dar muitos afagos, mas mostrando interesse em interagir, usufruindo deste espaço de convívio e amor às letras.
Se repararem, tudo na nossa vida alimenta uma ficção, a ficção é mesmo a nossa realidade, vivemos do que ficcionamos. Sem imaginar a realidade em que nos movemos, paramos e nada fazemos. Somos movidos por emoções, paixões, sentimentos, palavras...
Muito bom partilhar a curiosidade e interesse de quem se interessa a uma causa, o que causa tanto as causas como as consequências, quando escrevemos. Gostei do teu texto, gosto desta tua intervenção. Como muitas, como todas, pode ser uma fonte de inspiração!
Confrade e confrades, abraço.

Grato pelos considerandos!
A expressão "desdobramentos licenciosos" faz-me sorrir,
licencioso |ô|
(latim licentiosus, -a, -um, livre, desregrado, sem freio)
adj.
Que excede os limites do lícito. = DEVASSO, LIBERTINO
Plural: licenciosos |ó|.
Ser libertino com as palavras, meu caro, podes crer, essa tentação é sempre uma tentação!
Por mim não terás errado nada, nem um milímetro ao lado, onde o centro pode e deve variar. Como dizias em teu texto anterior, logo, amanhã, depois, quando ler o que estou a ler/escrever, já lerei de forma diferente. Entre outras coisas, poderei pensar: ele (eu) poderia ter escrito outra coisa...
Um grande abraço.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

POEIRA ESTE_LAR…

Com Fé ou sem, todos acabam acreditando transformar-se tudo que é terreno em pó. A matéria duma terra seca e improdutiva, onde o que nasceu foi e já não é. Pó ao pó, diz a despedida fúnebre. Agora… que pó é esse de que somos feitos?
Pó das estrelas, a ventura da matéria! Aventura começada do nada para tudo, por tudo e por nada, transformação cósmica, realização cómica e trágica, a vida pronta em todos os seus aspectos, sempre incompleta. Já o pó é completo, completíssimo, competentíssimo, absoluto, soluto, dissoluto, dissolvente… comovente, como gente. Já se transformou quando chegamos aqui com a disposição de parar nesta posição, adormecer e sonhar.
Quando quero estar acordado e livre, deixo-me adormecer acreditando na liberdade, no meu poder de decisão, pronto para ser árbitro do meu livre arbítrio. Sorte de quem dorme bem, como é o meu caso.
Se é esse o caso, porque perco tempo a sonhar acordado? Porque não sonho o suficiente enquanto durmo! Adão desistiu de continuar a fazer um artigo, apetecia-lhe agora escrever um conto. Como se fosse o primeiro homem, esperando encontrar nas palavras sopro divino!
O seu conto logo se transformou ou guardou como uma crisálida no interior dum casulo, Adão ficou esperando romper o casulo e aparecer uma borboleta, pronto a voar na leitura como pó das estrelas, fecundo: libertando sua fé no mundo!

terça-feira, 5 de julho de 2011

UM(A) GATO

UM(A) GATO

Apontou e disparou, só depois parando para pensar. Não havia nada a pensar, não iria esconder o corpo, não iria fugir nem se esconder. Ia ficar, enquanto ficasse, ia escrevendo. Inescapavelmente, sem capar a mente, a mente deu-se como solução, pensar noutra coisa. Comer? Não, nada de bulimia, nem as coisas inanimadas bolem, nem o gato adormecido mia. Respira, o corpo movesse mesmo na imobilidade de não ir a lado nenhum.
Depois dum parágrafo tudo devia ser diferente, mas é como são as histórias. Se não mudam, continuam, apesar de todas as diferenças possíveis. Depois que nascemos, só há dois estados definitivos da vida enquanto elementos básicos: estamos vivos ou mortos. Continuo vivo, falar da morte, dizer porque carreguei no gatilho. Isso interessa, na perspectiva de argumentar o gatilho como uma peça chave na arma, talvez a mais importante de todas!
O corpo, um péssimo desenho da gata, colado na parede. Isto porque, nesta série de “contos realistas”, só se deve dar um tiro depois de ter, de forma objectiva, visado um alvo. A fonte de inspiração? Sim, a necessidade de mudar a areia à gata, o gato que melhor conheço. Agora que já cacei um gato para este painel de história hilária, o Hilário disse um dia… Vou ouvir cantar, um fado.
Não querendo terminar sem deixar o inicio ainda mais intrigante, o batismo da história deveria ser feito durante um daqueles mergulhos nas piscinas donde os crestes saem renascidos. Só consegui foi desconseguir, inescapavelmente…

segunda-feira, 4 de julho de 2011

DO TEMPO AOS DEUSES

UM MINUTO

Um minuto antes de chegar ao depois, o depois já era: tinha o relógio adiantado, um minuto.

ELE

um minuto
antes de chegar
ao depois, o depois
já era: ele tinha o relógio
adiantado (um
minuto)

DEUS

Uma espécie de desafio lógico, para provar ter vindo antes o ovo e só depois a galinha que pôs o primeiro ovo, permite afirmar que Deus só foi deus, depois do homem. Como se formou o primeiro ovo sem a galinha que não o pôs? É como dizer que só houve Deus na sequela dum deus que ainda não era Deus e já era Osíris, um deus único contrariando a existência de deuses que coabitam.

sábado, 2 de julho de 2011

O CANTO QUE DESPERTA

Maria Bethânia canta "O doce mistério da vida"
«Nesse vídeo, a cantora diz o "Poema do menino Jesus", de Fernando Pessoa e, em seguida, canta "O doce mistério da vida". Mais um trecho do Dvd "Maricotinha ao Vivo".»

O CANTO QUE DESPERTA

é um arrepio ouvir a voz da cantora,
sentir que nos atravessa e deixa a vibrar,
como se dentro de nós nos desse a descobrir
um diapasão – a vibrar de profunda emoção
o canto que desperta – da poesia mais incontida
aquela que só pode ser a que nos reclama

sexta-feira, 1 de julho de 2011

RETA A RE©TA

na minha forma de pensar
ela está pedindo reforma,
não dá nem para hesitar
se quadra em nova forma

desisto de me incomodar
procurando novas rimas,
continuo onde venho dar
sem procurar mais cismas

soneto sem ter emenda,
brincadeira para o poeta
a deuses fazer oferenda

com a sua poesia da treta
feita pronta de oferenda,
a terminar curva na reta