domingo, 3 de junho de 2012

COMUNICAÇÃO


1 – Diálogo com uma possibilidade

A prosa, a poesia, de certo modo tudo o que é escrito, ou pode ser, por tanto, escrita, é uma tentativa ou a possibilidade de tentar reproduzir a comunicação. Tal com ela existe, tal como a conhecemos, coisas que queremos dizer, coisas que entendemos, coisas que podem ser em diferido, ou seja, eu escrevo para poder ser lido ou para poder ler o que escrevi. Acontece que, sempre que se escreve em função desta reprodução que há da realidade, damos conta que há alguém que escreveu, e esse alguém que escreveu por vezes apercebemos que não faz sentido nenhum sermos nós, porque nós estamos a escrever uma possibilidade de dizer coisas, coisas que dizemos para ouvir essa possibilidade e por tanto pôr em cena, criar um cenário, de algo que é um diálogo com uma possibilidade.

2 – O que é

O que é que acontece quando tentamos aprofundar essa possibilidade? Bom, podemos dizer que somos nós. Vamos perpetrar desenvolver a actividade de nos identificarmos com o que estamos a escrever, com o que estamos a pensar no momento em que escrevemos. E pronto! Não fazemos mais do que isto, que é tentar assumir um personagem, a pessoa que aparece aos nossos próprios olhos e de quem queira ler o que estamos a escrever, como sendo alguém que se realiza através daquilo que está a pôr por escrito quem escreve. Só que, quando isso acontece, eu sinto-me um proscrito. Alguém que, de certa maneira, se afastou de si próprio. Porque eu quereria pôr-me como um espectador daquilo que escrevo, então é a tal situação de como é que eu consigo ser o personagem que estou a criar, não querendo ser esse mesmo personagem.

3 – Como é

Como é que crio um “outro” que não eu? E (a)parece-me que o processo é sempre o mesmo, porque vou ter que descobrir a realidade que se cria com a escrita, lendo a realidade que outros já criaram e eu posso entender ou tentar entender ou entender sempre de alguma maneira, mesmo que seja uma maneira desentendida de entender os factos, que é: não percebo como é que os outros fazem personagens e nem como, nem o porquê e para quê. Ao fim, ao cabo, é assim, se eu entendesse, não estava para aqui a perder-me nestas cogitações. Ao ponto de… Fazia o que queria e o que acontece seria, passar para o outro. Passar para o dito cujo personagem, o tal processo onde me sinto preso. Um proscrito, ao estar afastado dos outros, está afastado do convívio. Como vou conviver com esta situação de desenvolver uma reflexão no vazio?

4 – Quem é

Se me levasse a algum lado, levar-me-ia a entender quem é que está na minha presença quando escrevo a presença de alguém. Sendo que, esse alguém, não entendo seja eu e também não entendo que não possa ser, que não seja. Ou seja, não entendo de que maneira é que eu posso deixar de ser eu. Vamos aos factos, os factos são estes: 
Quando nos lemos é diferente daquilo que escrevem as outras pessoas, as outras pessoas escrevem como sendo elas, assinam, fazem reflexões, tomam notas, criam seus próprios diários onde anotam leituras, as mais variadas possíveis, por aí vai...
São as suas cartas para este ou para aquele, por causa disto ou por causa daquilo, são felizes com certeza, porque estão a escrever aquilo que lhes vem a cabeça com a perspectiva de tudo que possam querer.

5 – O que acontece

O que acontece quando projectam um outro personagem? Dão-lhe um nome, contam uma história onde seja essa pessoa a mover-se. Dessa maneira, penso eu, criam novos universos, movem-se noutras esferas, duplicam-se, multiplicam-se, recriam-se, criam novas realidades e pronto, é aqui que estou. Será que estou a criar uma nova realidade? Com certeza que não, estou é a problematizar a realidade tal como ela se impõe. Saber se dando um nome novo a esta pessoa que escreve, supostamente projectada de mim ou sem suposição nenhuma... Isto não passa de uma tentativa, a tentativa de conseguir criar um personagem. Só que, é um personagem que tem um interesse tão relativo como dar importância a este facto e conseguir consubstanciá-lo. Então seria uma história, e este personagem estaria a debater-se com este ponto de partida de se afirmar como tendo, por exemplo, autonomia e depois teria que ter interesse este debate que ele tem consigo próprio e por tanto chegaria a um final.

6 – Um final

Ao haver um final há um trânsito, um evoluir e depois, o final encerra a história ou deixa-a em aberto. Como é que se pode encerrar uma história destas, dar uma conclusão a este tipo de preocupação ou ocupação em discernir o que é isto de criar um personagem? Como não consigo ficar feliz com nenhuma solução para o problema, o problema existe. Existe de que maneira? Em que medida? Existe desta maneira, se agora desse um nome à presença deste texto, uma assinatura e teria criado um António, um Belmiro, um Caetano, um Delmino, uma coisa qualquer que pudesse seguir as letras do abecedário, quando chegasse ao Z, dava um salto no espaço e caía de pé sem assentar em nenhum ponto especial, visto que já tinha esgotado as letras todas e por tanto, tinha que criar um abecedário novo, desenhar uma letra qualquer que fosse um símbolo ainda desconhecido. Entrava em órbita, fazia o pino, era muito feliz… se por acaso estivesse muito bem-disposto com aquilo que tinha acabado de fazer. O que acontece é que nunca se chega a um fim numa situação destas que passou a ser um pouco um problema vital, um problema de vida, se assim quisermos, e que vida é essa? É a vida da escrita.
Vida da escrita à qual só de uma forma muito limitada consigo dar corpo, na medida em que coisas como estas que eu estou a viver neste momento, são ideias de paquiderme, uma coisa gigantesca que só tem lugar para mim nos livros. Livros que não sou capaz de escrever, porque não tenho paciência para isto que estou a fazer neste momento. 


7 - Um desafio

Um desafio este de ir pondo palavras no papel, enchendo folhas, folhas, folhas, para ver quem é que tem paciência para ler um texto tão comprido. Porque eu, eu talvez até fosse capaz de o fazer se o texto me fosse mandado por alguém que eu tenha em consideração e no fim tivesse vontade de dizer: Ora sim senhor/a, consegui ler até ao fim e devo-te dizer que não achei que fosse um tempo perdido, porque acho que… porque sim, porque disse, porque deixa, encontrei coisas com interesse como a persistência num tema onde parece que não encontras solução para o mesmo e realmente a solução para a vida continua ainda a ser a Morte e olha, sempre que escrevas textos como este podes mandar, porque acho piada. Agora vamos ver onde é que pia a piada, frases como esta e como aquela… são sempre interessantes e pronto, lá tinha eu que estar a ler o que escrevi, coisa que provavelmente não irei fazer, mas como pode haver sempre o tal amigo que receba aquilo que eu estou a escrever e que tenha paciência de ler, quanto mais não seja para descobrir a tal frase interessante, ou frases ou a persistência de um problema que se vai resolvendo porque, enquanto à vida sabe-se que há-de haver um final e é isso! Se vocês estão aqui e aqui chegaram sem dar grandes saltos de cavalo, é porque ainda devem estar à procura de saber com é que isto acaba. Bom, olha, acaba de morte natural, cansaço, as células todas a estrebucharem, as letras que já não querem sair e pronto, é um ponto final parágrafo.
Um final, nunca é o final.

sábado, 2 de junho de 2012

MESTRE DAS PALAVRAS


«Serei prisioneiro da Lua, filho do Sol, uma comédia de enganos ou somente, uma cristalina lágrima tua...», O Profeta.
Do Profeta até PARA LÁ DOS SENTIDOS, MESTRE DAS PALAVRAS:
«
Dizem que se leva um minuto para conhecer uma pessoa especial,
Uma hora para apreciá-la,
Uma vida para amá-la.
Existem muitas formas de dizer... eu quero-te bem!!! Tenho-o dito de várias, hoje digo-te simplesmente... eu quero-te bem!!!
»
PUBLICADA POR METAMORFOSE EM 07:00 
Em “Para Lá Dos Sentidos” não há comentários, só Metamorfose…
Sou, personagem à procura de autores,
Quero-vos bem!!!

sexta-feira, 1 de junho de 2012

SIGNIFICADOS USUAIS


«Todos os dias tenham, possam ter, um diálogo que complemente este Diário»,
António de Todos os Santos

Um verdadeiro Diário, daqueles que escapam a serem um registo disperso de impressões ou anotações, as mais diversas, tem sempre a ideia de viagem associada, pois regista uma experiência determinada onde embarcámos/ embarcamos.
Na verdade chamo a este blog “Diário de Letras”, desafiando as palavras a ganharem algum significado mesmo onde o não têm de forma garantida. Um pouco como conseguir respirar fora dum universo conhecido, enfrentando os significados usuais.
De certo modo, este mês, vou fazer um verdadeiro diário. Embarcando num acompanhamento diário... vou tentar, do que possa acontecer neste Diário das Letras II e nos “blogs associados” de quem partilhe leituras. Facto mais curioso, de quem partilhe escritas.
O Coelho conseguiria provar não ser FC, o que se (SE/se) escreve no perfil deste blog, se desse fotos e factos (fatos brasileiros :) da sua existência. Não o desejo, cá... temos o nosso “médico psiquiatra” com licença poética para falar de doentes seus suicidados, isto torna impossível vencer a carapaça de mistério do personagem em que se transforma. Registo, no dia em que, nos transporta "CINCO AUTORES EM BUSCA DE UM PERSONAGEM".
Todos os dias tenham, possam ter, um diálogo que complemente este Diário. Está feia a frase que passa a servir de epígrafe a este diário, cuja expectativa de vida, para já, é chegar ao fim deste mês. Embora tudo indique possa ser apenas um belo despertar para a imortalidade – garantida quando se olha para o horizonte literário – da escrita!

António de Todos os Santos, autor (in)confesso de (série masculina de Contos Breves)...

quarta-feira, 30 de maio de 2012

VEADO!


Estava eu à janela quando um cara parou e me começou a paquerar, eu que era inocente perguntei se ele queria entrar. Foi assim que minha filha ganhou um pai e eu, chifre atrás de chifre, até ele desaparecer.

Zínia

terça-feira, 29 de maio de 2012

PENSAR HIGIÉNICO


As histórias que se prolongam tendem a ser chatas, tenho de pensar ser aqui o princípio, ainda ter de desenvolver o meio, para dar um remate no fim. Concluindo, contar uma história com distinção entre princípio, meio e fim. Uma ofensa para quem é propensa a usar, em vez de "penso higiénico", cone vaginal de grande calibre? Não serve?? Dêem-me uma história que seja só minha!

segunda-feira, 28 de maio de 2012

FIM-DO-DIA


Um pôr-de-sol magnífico, arrepiante: ar_re_pi_ante… ante esta possibilidade, de captar e guardar o fim-do-dia, ficaria bem a modéstia. Quem não a sentisse como uma moléstia, alguém não – tão afirmativa – como eu! 
Peço a um desconhecido que me tire uma foto, vai servir a câmara do meu telemóvel. Imagens destes dias de férias: fêmea fatal – provocando o destino!
Só um casal de velhotes simpáticos, acho que hoje passo bem sem foto. Na verdade, a minha filha que não me suporta, vai aproveitar as que já tenho para… Bom, aproveitando, deixa-me calar! FIM


Zaida

domingo, 27 de maio de 2012

À HORA DO CHÁ


Rodando a sombrinha sentia-me a maior, uma turista inspirada! Andava a ver o meu reflexo nas montras, feliz e contente, inconsequente. Sem pressa, sem fazer compras, completa, sem vícios, toda eu uma adoradora da pose, imaginando a falta que me faz um papparazi capaz de reparar na mulher insuperável, desconhecida, bela e frívola? Como chaleira, que começou a ferver! Felizmente o conto está pronto, vou esperar mais uns minutos e servir-me.

Ynsula

sábado, 26 de maio de 2012

OUTRA MARGARITA


Sob o sombreiro os seus olhos acariciam-me as coxas, entreabro-as. O ar quente ganha lugar, enche a saia, conecta com a fala. Inspiro, semicerro os olhos até se fecharem. Sito… imaginar o sítio, um som fino no fim dum suspiro. Quase me toco, estendo minha mão para a caneta. Parece que o corpo cai pela cadeira abaixo, escrevo de forma estranha. Estendendo o pescoço para olhar, para cima da mesa, ver o que está escrito. Quero outra Margarita! Grito em silêncio, sem barulho, beleza de bebedeira!

Xarif

quinta-feira, 17 de maio de 2012

O

O, de odalisca, ocidental, livre, ideal, idealizada, em trajes do oriente, médio ou longínquo. Chocalham moedas quando agita as ancas, ela vela-se de sedas antigas, com motivos exóticos finamente bordados. Toca um instrumento de cordas, com embutidos de madrepérola. Olhá-la é de suster a respiração, enquanto o coração parece um corcel a correr à rédea solta. Pretos, brilhantes, fosforescentes, seus olhos brilham meu nome.

Ónix

quarta-feira, 16 de maio de 2012

O BEIJO


Leitora que sou, sinto vontade que ele se encontre com ela. O narrador assinalou as características dos personagens, está escrito… irem encontrar-se! Estou frustrada por tantas páginas com descrições marginais, sem o enlace dos corpos se dar. Vou escrever a sua boca vermelha, lábios carnudos, inchados, intumescidos de excitação, erotizados num lamber de língua. Ele vê-a, acabada de entrar na Estação. Breve corrida, segura-a, ela convida ao beijo com os olhos. Beijam-se com paixão!

terça-feira, 15 de maio de 2012

QUADRINHO


Milu, um cãozinho muito inteligente, personagem de banda desenhada. A coincidência com o meu nome, os meus olhos vivos, o olfato apurado que tenho, a franjinha na testa. Dei por mim a olhar para o espelho, a deitar a língua de fora, pôr as duas mãos caídas para baixo, especada a olhar para o espelho, a imitar… a Milu. Finalmente recompus-me. Registo ter rido, será que vou…? Deixo este quadrinho, um episódio bem tolo!

Milu

segunda-feira, 14 de maio de 2012

MIL POEMAS

De mil poemas, possas escolher cem, fazer um livro. Caso não casem entre si, um pedido. Escolhe o que gostarias mais, escreve-o pelo teu punho, guarda-o. Não lhe dês autor, fá-lo teu, completamente. Desse modo serás minha, serei teu; disse ele. Assim seja… este conto, teu e meu, amor.
Linda

domingo, 13 de maio de 2012

A BOCAGE


Já Júlia não sou, a Bocage envio a alma e abandono o invólucro sem dono, sem sono, apago a luz e caio na cama, como um raio! Fico sonhando com um poema erótico onde, bailando no cimo dum mastro, a bailarina exótica, desenha uma curiosa coreografia em espiral, caindo de pé a fazer uma roda, para acabar numa vénia, com a cabeça colada aos joelhos, as mãos segurando as pernas, os cabelos agarrados num rabo-de-cavalo, varrendo o chão. Para se erguerem, numa curva graciosa, ao céu.

Júlia
(graciosa e curiosa)

sábado, 12 de maio de 2012

O DONO


Nada mais sincero do que uma lágrima estúpida, caindo sem autorização dos olhos do "dono". Perco o sono com esta imagem, pensando captar nela a essência da arte. A emoção do outro, tirando lágrimas duma emoção que, sendo nossa, nos escapa. E, sem saber bem o porquê, o quando, o onde, acordamos no instante e nem o queremos ou desejamos, sentimos interesse... O dono é como um forte tomado de surpresa, uma presa!

Irene

sexta-feira, 11 de maio de 2012

CHUVA DE LÁGRIMAS


Já agora vou passar contos que ontem escrevi no exterior dum envelope, duma carta que nem li. Abrindo, ficarei a saber: de quem, para quê? Sei ser algo incomum, feito para contar mais um conto, para quem lê! Fico a ver subir o foguete da exclamação até rebentar, numa chuva de lágrimas…

Hélia

quinta-feira, 10 de maio de 2012

CONTO BREVE


Acordo no fim da noite, principia o dia. Nesta definição nítida, entre o dormir e o acordar. Acordo para uma pequena história, contada da mão para o papel. Ainda chamar penso, chamo-lhe conto breve. Vou fazer o que pensei, o conto acaba, fe(i)to… Falta o nome, mas já está pensado, pronto a ser… passado.

Gabi

quarta-feira, 9 de maio de 2012

QUEIJO


Tornei-me fotógrafa de retratos de rostos por causa de uma ideia, da qual tento fazer breve história. Um texto onde possa contar como as palavras desenham a boca, e, junto com ela, podem espraiar-se a todo o rosto e mesmo ao resto do corpo. Passei a vida a tentar captar emoções, sensações, expressões… para as quais contribuía pedindo palavras que fizessem sorrir, como "cheese" (queijo).

terça-feira, 8 de maio de 2012

NECESSIDADE


A criança embala a mãe que a embala, a mãe acorda, a criança está a dormir. Feito o quadro, deito o bebé no berço pronta a registar este momento. Sinto necessidade física de ir dar um beijo à minha filha adormecida, como se o tecido da sua pele ao tocar os meus lábios desse à vida algo de que ela padece e só sei exprimir com necessidade.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

(A)TINGIDA


Meu nome é Diolinda, não sou de Olinda, mas tenho pena! A solução é ler histórias que me façam viajar; nesta, enterro algumas palavras. Faço-o com o sentido de sagrado que sei, posso, consigo. Consigo? Imagina-se a ver-me como uma criança, enterrando meu canário de estimação? Ah…, por um momento, tem de sentir uma lágrima correr. Precisamente quando, o mais belo gorjeio saído do peito extinto, tinge a minha memória.

Diolinda

domingo, 6 de maio de 2012

RUGAS NA ALMA


Enquanto olhos nos olhos, eu olho-te nos olhos. Os nossos olhos não se olham, nós sim, olhamo-nos. Tenho agora tempo de imaginar os meus olhos a olharem-te, tirei-os, são de vidro.
Quando nos olhávamos, ainda eles eram eu e eu devia aceitar serem eles a olharem-te. A nossa intolerância em relação às coisas faz-me rugas na alma, coisa de palavras.

Celestina

sábado, 5 de maio de 2012

BETINA


Beleza por parte do pai, Tina por parte da mãe; fala dela na terceira pessoa: - Ela tinha pais criativos, os mesmos que ainda tem, capazes de juntar a parte inicial do Pai, no último nome, com o primeiro da Mãe.

Betina

sexta-feira, 4 de maio de 2012

ALBERTINA


Albertina era a minha bisavó, não conheci. Albertina foi minha avó, morreu mais velha que a data de meu nascimento uns precisos dez anos. Aconteceu há dois anos atrás, deixando-me com dez anos a viver sozinha com sua filha, Albertina também. Para não variar, também sou Albertina. Uma concertina de Albertinas: abrindo o instrumento, sai música. Faltava, não vai poder faltar, a concertina de meu pai, Albertino. Morreu em data próxima de eu ir para a escola primária, não entra na minha história essa data. Ou entra, para sair o conto, como fica.
Espero que a história da minha família, assim contada, dê uma redação engraçada. Não gosto muito de coincidências, mas que se há-de fazer, aconteceu tudo, como é e como foi.

Albertina

quinta-feira, 3 de maio de 2012

VERBO DE ENCHER

«Amanhã talvez pegue nesta frase, aquela que agora serve de "verbo de encher", depois da última publicação.»

quarta-feira, 2 de maio de 2012

FAZENDO CONTAS

Contando as letras, os contos, fazendo contas... acabo de verificar ter acabado ontem a série masculina, Acabou com o Zero, nome dos aviões japoneses na última Grande Guerra. 

terça-feira, 1 de maio de 2012

RISCO

Herdei nome de avião assassino, meu pai acordava de noite tendo pesadelos e aos gritos. Isso não impediu minha mãe de engravidar, soube por ela que engravidar era um “risco” associado à terapia por ela levada a cabo: fazer(em) amor. Desse modo, a meio duma noite de pesadelo, fui concebido.

Zero

segunda-feira, 30 de abril de 2012

SURPRESA


A vida reserva muitas surpresas, para quem é apto para se surpreender. Tenho dito, escrevi. Nada mais ou melhor que já foi dito e redito, a surpresa contudo está aí, ela existe e está sempre pronta, para nos surpreender!

Yuri

domingo, 29 de abril de 2012

EVOLUIR DOS ACONTECIMENTOS


Tirou o nome numa rifa, como se fosse a Sorte Grande. Não foi, mas faz de conta. Quem se lembraria de incluir uma rifa num envelope com um nome? Só eu!
Acho que isso aconteceu para imaginar a história, este conto. Como estava a ficar falho de imaginação, escrevi no envelope: Sorte Grande.
Com o evoluir dos acontecimentos, o envelope acabou por me calhar. Fiz o maior sucesso, ao mostrar a “Sorte Grande”: Ficas Xico! Disse uma, O Xico tirou a Sorte Grande, disse outro. Acabou por ser assim.

sábado, 28 de abril de 2012

VINÍCIUS A CORES DADO


Vozes, vagidos de bebé chorando, sons trazidos pelo vento, meu entendimento vago, difuso, vagueando. Incerteza, mesmo assim, fui abrir a porta. Aguentei a lufada de ar, os sons não se tornaram mais precisos, voltei a fechar a porta.
No dia seguinte, por mero acaso, encontrei na escada do prédio uma vizinha a contar a outra como o Vinícius acordou a meio da noite, chorava com dores de dentes que estão a nascer e não a deixou dormir.
O mais interessante da história, que agora acha final, a consciência dos nomes (acho eu).

Vinícius

sexta-feira, 27 de abril de 2012

DIACHO


Deram horas, o diacho entrou eram quatro horas da tarde. Com este pormenor, aconteceu; tudo o mais parece secundário. Pondere-se saber, a sensação não é partilhável. Ao darem as quatro horas, não vi ninguém entrar, senti! Imaginar a cena, alguém a imaginar a cena? Em cena, o diacho!
Seu lado cénico, parede toda branca, relógio preto na parede, o diacho… invisível.

Wenceslau

quinta-feira, 26 de abril de 2012

ASSIM OU ASSADO


Quando acabei de escrever o comentário no blog da amiga, veio este súbito entendimento dum porquê, capaz de fazer jus a um porque sim, assim asado! Uma frase complicada, um conto desenvolvendo-a a ponto de a tornar simples, compreensível, aceitável.
Reconhecidamente a ficção tem vantagem sobre qualquer outra situação onde maravilhoso e fantástico se queiram idealizar, no sentido de converter a ideia em qualquer facto.
O facto era um fato, a vestimenta dada ao corpo da ideia. Eu estava nu, ia desfilar para a rua e dizer: – Meu povo, sou o Rei e levo vestido um vestido real, dum conto inesquecível!

Urbano

quarta-feira, 25 de abril de 2012

(E)LABORAÇÃO


Ela escrevia pequenas histórias, deixava de si particularidades curiosas, observações, a construção das frases, o gosto evidente por algumas palavras, uma forma bem pessoal de desenvolver o que, à falta duma maior precisão, chamarei de raciocínio.
Esta falta de "precisão" é uma proposta, para dela fazer um conto. Raciocinar até dar, como se fora resultado de um pensamento elaborado, uma simples história. A beleza da coisa, a meu ver, está na forma como o enunciado, em qualquer momento, parece ter acabado de acontecer.

Thiago

terça-feira, 24 de abril de 2012

RASTO


O bichinho andava no chão, era muito pequeno, parecia não saber onde ia. Prendeu-me a atenção, pois não havia maneira de se esconder, ir á vida, desaparecer. 
A sua presença esteve a dar matéria para uma história, mesmo se não consegui imaginar um conto para ela. Pois, se tinha um início, parecia não ter fim.
Resolvi sair, ainda era de manhã, voltei ao fim do dia. Do bichinho, nem rasto.
Tal como chegara a desejar, acabei por conseguir contar um conto. O bichinho andou comigo o dia todo, agora já o posso deixar em paz.

Santiago

segunda-feira, 23 de abril de 2012

SENTIDO FIGURADO


Nunca tinha pensado poder gostar de ser... Querêncio!? Vou contar como esta ideia me entrou na cabeça, como se fosse Iluminação do Espírito Santo!!!
Querêncio é autor dum conto que li, logo aí me apeteceu descobrir a palavra… Assim pensei, cá "o" estou a fazer. O o aplica-se ao pensamento, a palavra dá e tem até "sentido figurado".
Houve qualquer coisa no conto do Querêncio, apeteceu-me escrever. No final vou escrever meu nome, quero ter um conto sem nenhum sentido figurado. Ao qual, no final, possa dar: a ideia inicial...

Renato

domingo, 22 de abril de 2012

QUERÊNCIO


Gosto de histórias que têm um segredo, este é bem simples. Podia ser uma combinação numérica, para abrir um cadeado. Na verdade isso é pouco, escapa-lhe desejo e sensualidade. Nesta combinação, a desejada para este segredo, vive um corpo. Maravilhoso, um corpo adormecido. Ela gosta tanto da combinação, resolveu usá-la como camisa de dormir. Agora não é segredo, mas tem um que não conto, o que a faz tirar a combinação.

Querêncio

sábado, 21 de abril de 2012

O VIDENTE


Estou num daqueles dias em que não conseguia ser bom leitor, queria por força saber como acabava cada conto. A solução, é bom de ver, levava-me a ler o final. 
Em que ponto procurava o final? Essa a história pela qual resolvi, também eu, escrever um conto. Na resposta procurei o como descobrir o final, ser o autor, vir_ar... vidente.

Patrocínio

sexta-feira, 20 de abril de 2012

(O.) CONTRATO


Indemnizar alguém indemne? Como os danos nem sempre são visíveis, não há como saber. Ainda com o conto por concluir, sou ameaçado de obrigação moral, indemnizar um personagem. Segundo ele, tem contrato onde assina, O.. Para não me incomodar muito mais com este assunto, vou escrever (o conto). Se ele quiser, o personagem é dele. Fica concluído o contrato! A modos de dar tratos à imaginação, sobre quem é quem.

Otávio

quinta-feira, 19 de abril de 2012

CAIAR O BRANCO

Este conto é tão curto que acabou antes de começar, não chegando a ser. Com tudo, o Ser, afinal se manifesta agora!
Vou apanhá-lo, da exclamação caída… a caiar o branco, desenhando o vazio no interior dum bacio, limpo e pronto.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

1º DE ABRIL

Era aquele dia em que uma coisa muito boa podia criar dúvida(s), caso nos lembrássemos da data. Toda a gente brincava, era um Dia de Enganos. Escrevi nesse dia este conto, contando pensasses fosse uma brincadeira.
Ris-te em riste, em guarda, sem mostrar os dentes, interiormente. Ninguém dá conta, nem tu? Bom, tudo bem! Nem sempre o criador é Criador, não é?

Newton

terça-feira, 17 de abril de 2012

SEM REPETIÇÃO

"Meu amor, igual a uma lesma (deixo a baba das palavras) arrastando-as sobre uma folha". Gostava de encontrar quem escrevesse um parágrafo destes, deixando-o… levantando voo! Criando um micro conto por contar desse modo, deste modo. Apetece-me escrever, uma vez: sem repetição!

Manolo

segunda-feira, 16 de abril de 2012

VOLTO ATÉ AQUI

"Vou até ali, dali volto até aqui" copiei essa frase para o caderno, a ela volto. A ideia de contexto sempre a achei da maior importância, perdi de vez o contexto inicial desta frase. Algo me deve ter influenciado a passar estas palavras: "vou até ali, dali volto até aqui".

Mário

domingo, 15 de abril de 2012

LUÍZ ZITO

Luíz Zito era órfão de pai e mãe e fora um juiz quem lhe dera o nome de Luíz, porque quis. Zito foi dado por uma freira, a Madre Superiora do convento ao lado do orfanato. Cresceu até ficar com a idade de usar o nome no Mundo, tinha a ideia de tudo ser maior fora do orfanato. Não teve tempo para tomar uma decisão, ainda é pequeno já assina (isto). A ideia de tudo ser maior… Quem sabe.

Luíz

sábado, 14 de abril de 2012

POR ESSE MUNDO

Ia viajar e não levava bagagem, estava de mãos a abanar, escrevia este conto sobre um teclado e ele iria viajar por esse mundo fora. Ele o conto (iam viajar, ele ia com o conto: Ele e ele, um novo Deus existia: o conto). Sorria na beatitude de uma atitude budista, sentado sobre a bunda, indiferente para a atemporalidade deste instante iluminado!

Juvenal

sexta-feira, 13 de abril de 2012

UM VERSO

Acabou de acordar transformando sonho em realidade, escrevia no sonho, escrevia agora. Não se lembrava do sonho, apenas queria escrever: escrevia.
Deu conta de ter dormido, havia acordado e começava o dia, "de repente, não mais que de repente"…

Isidro

quinta-feira, 12 de abril de 2012

ESPETADOR

Um espectador do Novo Acordo Ortográfico acordou, deu conta de como retirar o c mudo da palavra a mudava, com consequências transformadoras!
Espetou, expectou… experimentou, foi experimentar ser um experi-mentador, até se tornar "espetador".
A nova grafia fazia-o entrar numa tourada, virava campino, munido de vara: espeta_dor!...

Hipólito

quarta-feira, 11 de abril de 2012

ERUPÇÃO

Entrou em erupção às 00:00h dum dia zero, sem dar acordo da cor para o calendário inexistente do dia. A hora não chegava, o minuto durava, ficou no segundo inicial. Em vão tentou contar a vida e beleza da erupção, bela de mais! Ininterruptamente, o segundo não mais terminava. Teve uma das mais diversas necessidades habituais, tudo se resume… indo neste parágrafo.

Guedes

terça-feira, 10 de abril de 2012

A FERA

Mal tocava nas ideias elas liquefaziam-se, escorrendo da ponta da sua esferográfica. Suava ele do calor tropical, ela derramava a tinta, as ideias surgiam expostas.
Quando parava de correr tinta, ia tomar banho e voltava limpo. Não tardou a escrever em honra da fera que vivia dando tinta, mágica!

Francisco

segunda-feira, 9 de abril de 2012

(QUASE)

Alguma coisa há-de ser alguma coisa, esta coisa é só alguma. Alguma… parece coisa pouca mas cresce (fica de fora?). A primeira palavra trouxe as outras, outras a trazem agora. "Alguma coisa é isto, não me limito a pensar, também escrevo", trata-se dum pensamento quase perfeito, falha o significado final. O que possa ser, mostra como a natureza abstracta, quando aplicada às palavras, não tem um motivo ideal. Apenas a ideia denúncia, quando surgem as palavras escrevendo, um pensamento (quase) prefeito?

Eliseu

domingo, 8 de abril de 2012

DEODORO

Deodoro, é este nome herdado duma carta dum bisavô, para a bisavó. Já essa mãe do avô morrera e dissera ao pai do meu pai, filho dela, não perceber a assinatura na carta. Carta de namoro, normal, duma ocasião em que viajara o namorado.
O avô nunca conhecera o pai dele por Deodoro, os papéis haviam ardido; desaparecidos. Ir a um cartório perguntar pelo bisavô, seria outra história; fiquei assim, com o nome herdado duma carta.

Deodoro

sábado, 7 de abril de 2012

SERENATA

Coimbra é uma cidade que funciona, como um lugar diferente onde volto sempre, para renascer. O que me transforma, como se fosse uma planta sazonal, nela deixando as minhas raízes, sempre que viajo. Uma história, passível de contar depressa, é cada regresso. Possível imaginar o Universo em expansão, sentindo o pulsar da mão abraçando o braço da guitarra, à palheta ou à unha, as cordas tangidas no coração do instrumento, sentir a guitarrada. Para o fado se fazer ouvir, só falta soltar a voz, fazendo serenata. Desta deixo, esta prosa em a©ta do coração, pulsar do peito. Meu preito, está feito!

sexta-feira, 6 de abril de 2012

VERDADE

Que ontem não é hoje era o costume, até ontem ser hoje que continua a ser ontem. Como sei? Essa é a questão e a sua resposta, é a resposta à questão.
Como não encontrei resposta, continuo a pensar que hoje é ontem. Na verdade, não vejo motivo para mudar de verdade. Conto assim o conto, deixo a verdade em letras grandes.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

PENSAMENTOS

Geralmente não escrevo sobre o que me acontece, vou sempre escrevendo onde aconteço. Nem antes, nem depois, a história a nascer. Como se ela mesmo precisasse de estar viva, para ganhar vida.
Não há muito a dizer sobre o que não temos nada a dizer, basta-nos pensar e ir pensando, esquecer e recordar.
Enquanto acordarem, os pensamentos, dão cor e iluminam.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

NADA

– São pequenas histórias estranhas, as que escorrem da garganta e não chegam a alimentar o corpo, desaparecendo no Nada! O padre entrara em delírio, as mulheres tinham medo e admiração nos olhos, os homens não sabiam se haviam de lhe arrear no final da missa ou batiam palmas. Era a coisa mais estranha que alguma vez lhes acontecera, assim o registo.

Casimiro

terça-feira, 3 de abril de 2012

O OUTRO

"Há o orgasmo, existe essa coisa imensa, que vai para lá, além do que se pensa, e se faz o se da escrita". Assim pensava Bruno, distraído sem saber muito bem o que pensava, apenas pensando, por ser natural pensar. Quando pensou e escreveu o que pensara, deu-se conta de, depois de ler Assim, também ele era assim, apetecia-lhe ser "outro".

Bruno

segunda-feira, 2 de abril de 2012

MÁXIMAS EM MASSA

"Estou como estava ontem, com mais um dia", pensava António e ria para a ideia. Se todos os dias, em cada noite, conseguisse registar um disparate… Dessa díspar arte, talvez resultasse a produção dum livro de máximas produzidas em massa. "Nada me massa mais que ter de perder a noite a dormir", pensou.

António

domingo, 1 de abril de 2012

1 DE ABRIL

Era aquele dia em que uma coisa muito boa podia criar dúvida(s), caso nos lembrássemos da data. Toda a gente brincava, era um Dia de Enganos. Escrevi nesse dia este conto, contando pensasses fosse uma brincadeira.
Ris-te em riste, em guarda, sem mostrar os dentes, interiormente. Ninguém dá conta, nem tu? Bom, tudo bem. Nem sempre o criador é Criador, não é?

Newton

sábado, 31 de março de 2012

COMPONHO

COMPONHO

uma muito breve
composição estranha
entranhada

com saudade e amor
ou seja o que for

toda de poesia, tudo.!.
Assim


COMPONHA


componha amor
pois assim me estraga
entranhada

perdidamente dada
sou esta paixão

tudo em poesia, toda()
Mim

COMPOSIÇÃO

não há no amor
nada de normal para
frear toda a paixão

e impulsivamente
a mente pensa

ou penso, nem penso!
R

sexta-feira, 30 de março de 2012

SEIVA

SEIVA

índio
acredito
sinto

natureza
a pulsar

seiva viva!
Assim


em mim
escorrem
aventuras

de nossas
a_venturas

de amar.(!).
Mim

quinta-feira, 29 de março de 2012

MOMENTO

29

dia após dia
todo hoje ontem
acaba por ser

este momento
só ele resiste

o amor renovado!
Assim


vivo o momento
vindo através
meu ser tu

inundando
as entranhas

o delicioso amor!
Mim

quarta-feira, 28 de março de 2012

SOO O SOM DO SER

28
SOO O SOM DO SER

estás aqui em minha casa
a qual será tua assim espero
no sentimento de sentir

o momento a fluir no tempo
sem haver um términos

soo, enquanto o canto canta!
 
Assim


chego onde me levas voo
no som que dás à voz
onde o canto canta

meu encanto de ser
e de dizer-te sim

assim és e serás, tu dás!
Mim 

terça-feira, 27 de março de 2012

TESÃO

27
TESÃO

no meio – da noite .!.
queimam-me saudades,
tu – adormecida…

julgo ouvir – "Acorda-me"
e desperto a transpirar…

poema difícil de aguentar.!.
Assim


enfrenta por mim Minotauro
mergulhando no Labirinto(!)
vêm-me resgatar à noite…

eu entrego-me completa!
mente o espírito se nega

esta loucura incen_diária.(!).
Mim

segunda-feira, 26 de março de 2012

EN/CANTA/DO

26
CANTA
DO


chegas
 
na beleza,
ser!

tudo
é mudo

só canto!...
Assim

[EN]
CANTO
MEU


eu
 
sei,
seja:

somos
nós…

nus(!)
Mim

[EN]
CANTO
DELES


são
foda
estes

dois
num

pum(!)
R