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quarta-feira, 8 de junho de 2011

VERSÁRIO

VERSÁRIO

anima a acção com o
que te acontece,
hoje o dia anima
com mais um ani-
versário

onze vezes cinco
anos vividos
em continuo nascer
todos os dias
pares e impares

até no dia corrente
ao passear
na rua à noite
vendo o D per-
feito dum crescente

comecei a pensar
escrever deste
modo o poema
incluindo a Lua
naquele momento

mesmo terminando
já não mudo
o que assim acaba
ficando
neste aniversário

versando
o tempo todo pela
meta(de)…

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Dia 25

POEMA FEITO

hoje que me lembre
não lembro de ter
escrito um verso

que seja agora
nestes estes faça

até ter Poema Feito
Assim

FEITO POEMA

a pergunta solta-se
como resposta
aqui dada

ao correr da mão
pelas teclas

é tida toda a vida?
toda a vida é tida!
Mim

PREMISSAS RELIGIOSAS
dum poeta ateu

1. a poesia não é uma receita,
    deve ser como se avia;
2. a poesia não é um remédio,
    deve ser o que se cura
    numa necessidade saudável;
3. a poesia não é um passeio,
    deve ser-se viagem interior
    até atingir s_eu exterior
    onde a linguagem se exterioriza;
4. a poesia não é o infinito,
    deve ser infinita e pura
    como associação mental
    onde um demente sente
    para dar verdade à_vida!...
5. a poesia não é uma certeza,
    deve ser (a) certeza(!)
Conclusão: a paga é a dúvida
    ser a vida servida a nu.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Dia 19

PENSAR*

ah, partir as palavras aos bocadinhos!
tirar um a, juntar-lhe um h: ah!
como um ponto de exclamação
pode fazer toda a diferença
e
com nítida certeza vença
a poesia que busca Poesia
nesta arte que pode ser mi_nu_
ciosa do que se pensa mais do que...

APANHADO NA RUA
 

Malaquías, o judeu, deu à sua neta um gato por ele apanhado na rua.  A história acaba aqui, não sabemos a continuidade.

O RESULTADO

Usou demasiada erva-doce, o cozinhado ficou enjoativo. O aroma também era mais que muito, mas era agradável, o resultado foi considerado muito satisfatório.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Dia 18

ESTE DIZER

I
há uma canção que nunca ouvi
a pássaro nenhum
cantando

nasce das palavras
com este dizer

de nomes a coisas sem nome

II
é uma canção para a escutar
com fome de verdade
e sem hipocrisia

fonte de toda a poesia
faz todo sentido

tendo por escolho o significado

III
mar amplo da felicidade livre
dá-se deserto às dunas
ou ondas ao mar

o sonho aqui o disponho
onde o deixo digo

é um bicho e respira, sou eu

IV
como navego entre escolhos?
vivendo a vida por Mim
sendo dela Assim

fazendo da fantasia isto
de poder ser e ser

tudo o mais é tudo ou menos

V
procuro a mão cheia agora
abrindo os dedos nus
à luva da língua

toco em gestos o dito
até sentir tido

este último verso que deixo
Assim

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Dia 10

OBSERVANDO

observo a calma da árvore
plantada no quintal
tentando tê-la

aqui onde escrevo
cada verso

no belo de vê-lo ao dizê-lo
Assim

OBSERVADO

ando lenta escutando ler 
tua voz a visitar-me
envolta em volta

na beleza do belo
descrito bem

em teu nome a condizer
Meu

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Dia 9

A MUDANÇA

a realidade do sujeito
do predicado e do verbo

se não se disser a frase mais
ela não cresce

presa como cobra na própria pele
espera a mudança para crescer
@

sábado, 6 de novembro de 2010

Dia 6

POESIA AO VIVO
 

eu só te queria dizer
quadras simples populares
juntando-as aos pares
fazendo-me de rimares

onde me misturo em ondas
com as águas do mar
onde tu me sondas
deixando-me poder amar

como o Sol os dias
as marés com as praias
nos rios tem enguias

a poesia (ao) vivo assim
tirando à história as saias
nada dizendo depois do Fim :) @

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Dia 3

PONHA-SE NO MEU LUGAR

Agrada-me escolher a imaginação como lugar onde me posso visitar para tomar um chá, eu sou a minha amiga e ambas queremos falar de ti como a ausente que nos faz falta, sem esquecer a tua irmã. As quatro acabaríamos por jogar as cartas, nem desse modo ficaríamos caladas. É como um desafio que nem nos desafia, surge dum modo tão natural a nossa procura de palavras para fazermos companhia umas às outras. O Jaime diz que somos superficiais, interrogo-o sobre a superficialidade de falar da moda como quem analisa as cores e formas de vestidos ou sapatos, cabelos ou perfumes. Cala-se e dá-me um beijo, pede desculpa, diz ter ciúmes das minhas amigas. Confessa que não saberia tomar o vosso lugar e diz-me que o pus no seu lugar, sem me deixar perceber a profundidade do que quis dizer. Digo-lhe que tem de ajudar a minha superficialidade a mergulhar na sua densa matemática expressa em tão sucinta fórmula.
Depois de breve pausa, se eu e minha amiga formos uma, mesmo com o lugar da imaginação dando para várias salas de chá, somos apenas três se tua irmã e tu aparecerem? Convido o Jaime? Distraio-me escrevendo, vendo a escrita a sair dos meus dedos como notas musicais desenhando as formas duma partitura feita para seres minha intérprete e, de seguida, compositora. Não esqueças de escrever uma longa carta, sempre seguro tuas palavras como se viessem em papel e nelas pudesse tocar e sentir a pele duma presença tão forte... Teu espírito visita-me, faz-me companhia, nossa conversa apenas se interrompe, mas sempre se continua. Juntas poderíamos escrever uma "Novas Procuras No Tempo Perdido", faríamos companhia a Proust?
«Je ne sais s'il est déjà opportun d'en parler mais si je vous dis Proust, est-ce que cela vous dit quelque chose?»,
Ainda não falei da resposta do Jaime, deixou-me a pensar. Gostava de ser como ele, seria diferente do que sou. Teria de começar quase do zero, começar a conhecer-me de novo. Na verdade eu não conheço o Jaime que o Jaime conhece, não me conheceria de todo se eu fosse ele. @

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

28

AUTENTICIDADE

o que pôde ser
deve ser ao que pode

quando pode ser
já devemos escrever
toda a admiração

nada como um poema
para abordar o real

quando começamos
a bordar uma realidade
chega o enfeite

o que pôde ser
deve ter autenticidade

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

27

EU QUERO

I
nosso amor eu quero
no aqui e agora
dos versos

quando palavras
nos vêm nus

até ao fim dum poema

II

quanto prazer posso
dizer desse gozo
além Gaza

até viajar tudo
no vieram

do Mais-que-perfeito

III

pretéritos ritos nossos
até ir ao tutano
nu corpo

dum dizer feito
da nudez

onde a beleza é 1000

IV
 
nosso número da sorte
é um quarto só
para nós

toda imaginação
do mundo

um tempo para gozar!...

V

mão cheia de nada
outra de coisa
nenhuma

a memória
guarde

nossa história num Futuro

sábado, 9 de outubro de 2010

9

RAZÃO E CORAÇÃO


recebendo a água quente
o nosso corpo tem razão
nu no bem que se sente
ele aquece seu coração

domingo, 3 de outubro de 2010

3

BEIJO RUBRO

procuro com a alma
as palavras que chamo
até ficar em calma acesa

neste labor procuro
teu beijo rubro

até ser n_osso...
Assim

RUBRO BEIJO

a alma cresce-me
a bater dentro do peito
a canção do amor

a água dum beijo
a brotar na boca

a abro às nossas línguas
Mim

CANÇÃO DO AMOR
esta agitação
feita agir móvel
em meu coração

é em poesia pura
a pura poesia

esta tentativa a ler!
R

HUM?...

quando o poeta
se esquece do poema
para se entregar às palavras

pego num rolo
de papel higiénico
para folhear...

desfolho o cilindro
num amontoado branco
duma lista vazia

gera-se uma imagem
tão pura e cristalina
como uma bolota

sou sempre assim
sem batota
digo

essa poesia
de todas as coisas
para qualquer pessoa

no fim
acrescento
o meu nome à lista

Um!... Francisco Coimbra

(!... assim, é a ejacular.!.)


Chamo a atenção para a poesia da Mim, onde de pequenos beijos "a" entra num final e imenso "a" (linguado). Uma poesia cuja interpretação nos coloca como intérpretes, chamando-nos... para o poema (nus). Com esta alma também, Assim mais uma vez começa, sempre onde as palavras nos tocam...
Bom Domingo!


A PURA POESIA

estou em apuros,
os pardais puros afastam
os canários

não tenho quem cante
no meu quintal

O Professor Pardal
(inventor da banda desenhada)

Sinto-me provocador, se não é do Outono, não será do tempo. Coisa imperdoável e estranha, possivelmente impossível:  ̶  O tempo é causa de tudo, assim falou um mudo. @

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

A TI

impressões da poesia

houve-me
atentamente

ouve-me atenta
e mente se quiseres

diz como é belo o poema
quando de olhos fechados lês

as impressões da poesia
feitas de ti para ti

domingo, 5 de setembro de 2010

DE ZERO A TRÊS

DE ZERO A TRÊS

1
(A) OPALA OPALESCENTE

(imutável Lua, onda ou ode
na mão duma bailarina
pronta a ser escrita)

procura todos os dias
qualquer coisa que não tenhas
sequer a mais remota hipótese de ter
como uma verdade segura
 ̶ imutável como Lua
quando no céu brilha a dar luar à noite
como a vi há pouco quando caminhei
à beira mar num passeio
de pedras em calçada portuguesa
feita por calceteiros
ao longo da estrada que margina
a costa saindo da cidade
prolongando-se
pela ilha até chegar ao outro lado
onde os dois lados se unem
num único lugar onde habito calmo
o pulsar da ilha com a vida
ao ritmo das ondas
feito sentir

havia e há tanta beleza
nas coordenadas tiradas ao luar
que me sentei à mesa
chegado a casa e comecei
um poema que se escreve a si
mesmo como se descrevesse eu
o que pensei e senti
sem memória nem tempo
para ficar preso a algumas palavras
tão semelhantes a estas
assim as tivesse tentado guardar
como aquele imagem
a dar volta ao mundo na volta
onde o poema se faz ̶ onda ou ode

nesta fase da Lua
há uma frase que ainda não veio
escrita em verso nenhum
sonhado por um poeta ou mesmo
pela pedra dum anel
grande parte da vida viajado
 ̶ na mão duma bailarina
a quem o amor se deu presente
encastoado numa jóia
com a qual bailou e dormiu
no dedo anelar

a mesma com a qual sonho
imprimindo o ritmo bom ao verso
 ̶ pronto a ser escrito
não tarda quase nada mesmo
se considerarmos
o tempo que demorou
vir para casa até o escrever

feito poesia onde irei guardar
bela opala opalescente
a anelar na dança

2
(O) TINTEIRO DOS VERSOS


(natureza poética)
distraiu-me, esqueço, uma coisa destas acontece
padeço de distracção congénita
vinda da nascença
até
morrer
neste esforço
duma atenção dada
à natureza poética holística
com a qual se escrevem as mais belas poesia
onde corre a seiva de toda uma selva de veias
desaguando no cérebro a tempo inteiro
o tinteiro dos versos

3
(UM) ÚNICO VERSO

(o ̶ primeiro ̶ número primo!)

onde escrevi a memória dum deus inexistente!

domingo, 29 de agosto de 2010

INICIO


 o fim está no inicio
onde tudo começa, não
há como confundir, sim-
plesmente é necessário
ler de forma a compre-
-ender: tudo continua

Foto: Stoica Stefan
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Estava Judas a fazer necessidades no céu, lançando gazes pesados, capazes de descer como bolhas lenta_mente!...
Se quiserem conhecer onde encontrei a imagem, sigam o endereço: http://nanquin.blogspot.com/2010/08/inicio-francisco-coimbra.html