sexta-feira, 27 de julho de 2012

POESIA EM FÉRIAS - A & M


PRAZER DA POESIA 1

venho ao teu encontro
com o coração nas mãos
batendo na ponta dos dedos

a beleza dos sentidos
na sobremesa do mundo

servido para o prazer da poesia
Assim

POESIA DO PRAZER 1

tenho esperado chegues
como a louca uivando
em silêncio contido

todos os medos
de não saber

dizer como a espera dura
Mim

PRAZER DA POESIA 2

é só quando o choro quente
é jorro frio da necessidade
é necessidade deste rigor

solto o rumor do som
no silêncio do gesto

de dizer em silêncio o sentir
Assim

POESIA DO PRAZER 2

fico apaziguada pela beleza
de te saber tão perto
mesmo no fim…

do mundo… tão perto,
tão dentro, tão…

na boca como badalo sinto
Mim

PRAZER DA POESIA 3

soltas-me a imaginação Sim
sino do meu destino
sem a solidão

em fragmentada badalada
aos fragmentos eco

de palavras em letras Sim Sim
Assim

POESIA DO PRAZER 3

teu Sim repenica campainha
dentro da imaginação
de sentir versos

trazidos para junto
destes meus

teus e meus ateus de tudo +
Mim

PRAZER DA POESIA 4

é como se… quando te leio
nomeasse a coisa todas
com o impróprio   elo
[selo]
da ligação das palavras
com as coisas nelas

fazendo vagem na viagem
Assim

POESIA DO PRAZER 4

eu sou a vagem onde abrem
as sementes da tua poesia
procurando meu ninho

para chocar teus passos
passarinhos em voo

trinados das cotovias no ar!
Mim

PRAZER DA POESIA 5

quando imagino tudo
que só tu sabes dizer é como
sinto a tua boca

no segredo dos corpos
em união carnal

num indescritível bacanal .(!).
Assim

POESIA DO PRAZER 5

cá te espero sempre
onde tu ficas e moras
até que eu morra

a morte nos una
ou a vida nos junte

ou inclusivo só peço ()
Mim

PRAZER DA POESIA 6

és fenda onde se desvenda
lábio a lábio o sábio
fio da saliva

na ponta da língua
sirvo arrepio

para a imaginação ser acção
Assim

POESIA DO PRAZER 6

em saltos de corça corro
feita de imaginação
selvagem sou

sonora gargalhada
solta ao desejo

corro como o vento beijo (())
Mim

PRAZER DA POESIA 7

não vás já, hoje
deixa-me dormir aqui
dentro de ti

sentindo a forma
do corpo

na forma do teu corpo
Assim

POESIA DO PRAZER 7

tens de pensar
que faço sempre
o que quero

e desejo o desejo
como desejo

com toda a certeza!
Mim

PRAZER DA POESIA 8

és ninho de aconchego
é quanto me chega
o que procuro

não tem cura o amor
fica em aberto

incurável ferida aberta ()
Assim

POESIA DO PRAZER 8

ainda bem que o que dizes
é sempre o que quero
ouvir, ver, cheirar

com o paladar apenas
te tenho pelo tato

de tactear com bom trato ;)
Mim

69

PRAZER DA POESIA 6

levo a língua a segredo
onde jorra o leite
do teu prazer

entrando bem fundo
nesse coração

onde abres a boca toda
Assim

POESIA DO PRAZER 9

sou eu a boca toda
de ser espanto aberto
à língua de todos só tua

como só tu me sabes
dizer como a vida

convida ao prazer juntos (!)
Mim

segunda-feira, 16 de julho de 2012

DISPOSIÇÃO CRÍTICA


«o porquê de alguns escritores matarem seus próprios personagens, a fim de que não sejam usados por outros após sua morte, eventualmente de uma forma que não gostariam»,

Comento para dizer que li e gostei, concordando com as ideias avançadas em absoluto. Passar do uso para o abuso, é um pequeno passo. Como a ida do Homem à Lua!? Não deverão ser necessários muitos mais anos para se descobrir toda a (in)verdade. Chamou-me a atenção a forma contida, "disposição prática" para expor as ideias e o raciocínio que as forjou.
Ao fazer testamentos, para os abrir, pressupomos a passagem do tempo? A morte do artista!... Tudo num sentido figurado, cénico, metafórico, até a metáfora ficar cansada e se deixar apanhar com a língua de fora…

"Disposição Crítica" fica a dever a leitura e comentário.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

VELA ACESA

Explicando um conto conseguirei fazer um conto, se conseguir. Desejei ter esse efeito, transmitir a cena, encontrar a criatividade que permite criar a ambiguidade. Fazer nascer várias leituras, a partir duma cena com várias. Uma delas, pensei encontrá-la na imagem do fósforo, soltando um fumo. Como se idealiza... a materialização do génio guardado na lâmpada!
O narrador, acenderia um fósforo, quando escreve um conto? Se sim, para quê? Imagino vê-la, uma vela ardendo. Como se o narrador, travestido na pele de autor, fizesse refeição romântica alimentando-se das letras, à mesa com a imaginação. Incorporando o quê, do quem, de qualquer coisa melhor que... ficar em branco. Um algo/alvo desconhecido, onde acerta: até descobrir... a história!

quinta-feira, 12 de julho de 2012

FÓSFORO

De onde partem as histórias? Onde vão? Quando voltam? Quando voltam, ainda encontram o mesmo sítio? Nasci num barraco com uma lâmpada desenroscada, pendurada no tecto, sem haver um interruptor. A luz acendia-se enroscando a lâmpada que ficava quente demais para ser apagada, se demorasse muito tempo a acender uma vela com os fósforos guardados numa lata enferrujada. Volto num belo carro, a um sítio que nem sei se ainda existe. Gosto e tenho comigo, quase sempre, fósforos. Uso as chaves num porta-chaves, um parafuso com rosca, uma argola. Às vezes, acendo um fósforo, conto uma história!

quarta-feira, 11 de julho de 2012

IMAGINAÇÃO PRODIGIOSA


Estive aguardando guardando algo para você, só estas palavras. O invólucro duma ideia surgida, duma necessidade, a qual fiz, guardando a ideia, as palavras. Das quais, só você e alguma imaginação prodigiosa, ficam com o segredo.
Acabei jorrando, quente e loiro, sem esperar ser trigo líquido regando a pele de teu corpo lindo. O trigo ondulando por acção da brisa, com o peso das espigas, dando tato às mãos, transmitindo a sensação duma onda imensa nas colinas quase planas da paisagem onde te leve esta imagem.


ESCRITOS VERSOS





à minha amiga
e comadre
de letra



I – sendo Maria

quando morrer
nem me vou lembrar
de ter existido viva


II – sendo eu

quando morreres
vou fazer de conta
nas minhas lágrimas
um refrescante sumo


III – eu e você

nesta hipotenusa
onde por hipótese
somos unidos agora
pelo lado maior  =
triângulo rectângulo!


3²+4²=5²


fazendo
de conta…

I – sendo Maria
quando morrer
nem me vou lembrar
de ter existido viva
sangrando vida
na procura esdrúxula
de sentimentos
como os poetas
mais seus poemas
falam deste viver
com que celebro
a morte de pessoas
atentas aos dizeres
escritos pelos versos

II – sendo eu
quando morreres
vou fazer de conta
ser minhas lágrimas
um refrescante sumo
sumindo nos dedos
a procurar a cara
como prova certa
de dar o meu rosto
à tristeza necessária
para ficar assim
o ponto de rebuçado
certo de quem ousa
derreter a tristeza

III – eu e você
tínhamos poemas
daqueles tidos
como quadras vindo
ao desafio feitas
estão esquecidas
elevando quadrado
da potência de dois
nos lados catetos
desta hipotenusa
onde por hipótese
somos unidos agora
pelo lado maior  =
triângulo rectângulo!

segunda-feira, 9 de julho de 2012

FÍSICA FLUÍDA


A FÍSICA DO AROMA

junto aos vira-latas
nesta actividade de virar
palavras onde venho
procurar desta procura
uma refeição de aromas
semeados pela prosa
nestes versos dedicados
sem pensar na delicadeza
capaz de tornar do tudo
transmudado em beleza
toda a sua fragilidade
onde não quero parar
tão pouco para pensar

então a certeza se
acerta por si mesma
na descoberta aceite
da maior delicadeza
ser a que decorre nua
a dar corpo e agrado
no discorrer que se faz
sobre uma sementeira
onde ajeitas canteiros
para permitir ver regar
com o frescor da água
sua terra escurecendo
nu pensar tão pouco
SORRISO FLUIDO

A Poesia fica assim, acabada/ inacabada, como um puzzle, onde todas as peças parecem ser todas iguais e a ordem se organiza, de acordo com a compreensão melhor de quem, para compreender, em vez de comprimir, liberta as peças do desenho estanque da forma, para a beleza gloriosa da flora, flo_rindo…





MUITO PERTO

toda uma fragilidade
onde não quero parar
tão pouco para pensar

domingo, 8 de julho de 2012

POR DENTRO

"eu apenas queria deixar você saber quanto eu realmente me divirto",

Esperando apoderar-me por dentro da citação em epígrafe, vejo/veja como o autor retoma a foto usada ontem. Do dia de hoje, a pedido de CC, um dueto onde Mimo sou e Mima é quem quer ("apenas uma mulher")…

ARRANQUE/ SUAVE

Tuas pernas me suspendem
deixando-me ficar no ar
como macacos hidráulicos
bem alto subindo desejo
erguendo um carro parado
à boleia de um beijo seu

Calibro a boca no meio delas
os lábios carnudos abrem
encho meu corpo de tesão
numa profusão de sentir
sentindo o motor de propulsão
num arranque suave voo.!.

No vai e vem da língua passeio
a língua no falo num falar
sinto o calor da tua combustão
nu na pele, no palato, o céu
que não me deixa puxar o freio…
da boca aberta tão desperta!

Seu carro é todo sensualidade
me leva pela auto-estrada
conforto, prazer e velocidade,
pelo gozo e na felicidade
é meu transporte de explosão.*.
leve onde a palavra serve!

Mima/ Mima


sábado, 7 de julho de 2012

ROSTO OU MÁSCARA


Nada aproxima mais as pessoas que sentirem terem em comum uma cultura, sempre algo variado, incompleto, efectivo, afectivo, variado (repito). O que há de variado na cultura é a variedade, a diferença, as diferenças, é uma das coisas que as caracteriza, que a caracteriza.

Chego ao blog trazido pela frase deixada em epígrafe, nela deixo ligação. Agora escrevo duas frases, talvez três. As suficientes para fazer uma moldura ao torso, ao rosto…
Como o dia já é outro dia, apresto-me a deixar do dia... passagem.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

MOLDADOR DE MOLDURAS


Estou a pensar conseguir moldar o pensamento em imagens, tentando olhar o corpo das mulheres que se deram a ver nuas. Dentro destes moldes, cada texto se revestiria da natureza sortida duma moldura feita para encontrar na língua um suporte físico para as imagens. Fazendo-o com o olhar imparcial dum fotógrafo, o qual fica fora da foto. De facto a foto é um facto fantástico, despe as mulheres e dá-as a ver. A haver, como acredito exista, uma predisposição capaz de determinar a vocação, idealizo acreditar dever ter sido fotógrafo. Melhor ainda seria poder ser, o fotógrafo! Determinismo e ambição a mais para o meu gosto, vou-me dar por feliz por ser moldador de molduras.

domingo, 1 de julho de 2012

APROXIMAÇÃO


Betina, aliás ou lilás, Eleonora, escolheu uma pintora e fez um blog, dando texto às imagens. Pelo mesmo pretexto, escolho um fotógrafo. Procuro para os fatos uma história, semelhante aos corpos, rostos e olhar(es) com que dou a ver no encontro surgirem palavras encantadas com o mundo, a desencantarem a sua observação numa procura de assimilação de factos e fotos, fatos e fotos… despindo os corpos, para os ver vestidos na sua pele. Talvez se trate da procura de identificação, partilhando a espiritualidade do(s) ser(es) com o dizer produzido por esta… aproximação.