quinta-feira, 14 de abril de 2011

ESPUMAS

"ESPUMAS"

deixo as sensações
sentir o coração
enquanto procuro
nu lugar sentido
um corpo despido

vou à sensualidade
imaginando nela
encontrar boutique
de véus e plumas
onde nosso prazer
expluda a espumas

deixo só a leitura
duma ideia pura
como o coração
feito com razão
se descobre rima

debaixo da língua
descubro a língua
línguas tão iguais
vêm viver sinais
onde nosso prazer
expluda a espumas

Querida poetisa,
Você realiza uma poesia sensual, como a Flá... É uma alegria ler a poesia a realizar do corpo um espaço de vida, por mim conduzido à razão de versos para um lugar onde o poema vive a língua enriquecendo-a de ideias, como as próprias rimas construindo marcas de ritmo e melodia; não aconteceu despertar para esse lado tão fecundo que é descobrir em sensualidade o mundo. Por vezes, o namoro dos tropos, é trôpego arremedo onde o sentido se enamora dos sentidos. Dito isto, posso escrever, nada substituir a razão às sensações que a transcendem e mergulham nesse espaço mu(n)do onde em silêncio se pode pensar o desejo; impossível escrever com sensualidade sem sentir os sentidos a fluir para serem dados como dados jogados na sorte de partilhar seu resultado. Essa partilha teu poema consegue, como o mencionado em igualdade de razão pela temática da Flá. Temática que é mais a sua problemática, a transfiguração do desejo em corpo e vice-versa. De resto… meu comentário é aqui deixado como conversa, vale talvez por trazer poesia e mostrar que a poesia gera poesia e perpétua a Poesia enquanto género.
Cá continuei fazendo género, dando à leitura a componente de escrita que melhor é descrita pela própria. Sem ter a pretensão de dizer o que li, deixo ficar de mim para si ou para ti, como se diz por cá quando se trata por tu. Sem esta o gozo não é o mesmo, pelo menos perde em proximidade e partilha; então tu és o eu outro mais rico de real que qualquer realidade feita das coisas concretas onde o dia tem horas ou o ano meses e um minuto segundos.
Valem estes momentos onde, num instante, tentados a escrever o que insistentemente quer ser… queremos criar do ser; no caso um agradecimento, de prazer colhido! Bjs

1 comentário:

  1. Maravilhosa sempre sua poesia amigo. Passo a seguir o belo blog.
    Abraços

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