segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Dia 29

SETE VEZES MAIS RÁPIDO
(imagine-se gravação de voz)

Olá, estou há mais duma hora a ver as tuas fotos e ainda não acabei!
Há momentos, parei e pus-me a escrever:

"Caminhos e Descaminhos do Ser"

O que se pode dizer dum livro de Poesia tem mais diversidade do que se pode dizer de qualquer outra coisa, talvez possa ser semelhante ao exercício de falar dum outro livro? Talvez, dependendo apenas de qual seja o livro, a sua natureza versus finalidade. Qualquer livro deveria ter poesia, mesmo não sendo de Poesia. O problema é determinar o que seja a poesia, mais fácil indo pelo género: Poesia?
Muito na Poesia é forma, os versos começam por chamar a atenção para essa forma. Depois exploram-na, tendo esse depois uma ausência dum antes na sua preparação a mais das vezes. O poeta começa a escrever um poema e não uma carta ou um conto porque, naquele momento, procura dar forma - à poesia que sente - através da Poesia.
Isto dos géneros é muito curioso, vejamos os livro de Filosofia. Entre eles estão livros escritos por matemáticos, biólogos, cientistas dos mais variados ramos, poetas? A Filosofia é um ramo das Letras onde se acantona a especulação que visa determinar o conhecimento e a reflexão em torno do mesmo.
Uma das ideias que tenho e se vai perdendo no tempo - sem chegar a ganhar espaço suficiente para esse encontro - da escrita com as palavras onde se corporiza, é escrever um livro de filosofia sobre a Poesia. Não vejo melhor abordagem que a resultante da leitura da reflexão presente no acto poético, no meu caso, vou-a centrando sobre a realidade do se, es_se... tropo onde tropeço com grande frequência. Ele diz-me: és... se... conseguires exprimir como se ama alma/mala/lama observando, variando, trabalhando as Letras desde as letras com as quais se escreve.
Posto isto, não basta pegar num livro de Poesia e começar a dizer onde se encontra a poesia que se sente na leitura desse livro. Seria necessário procurar ler, nos livros de Poesia, o livro do mundo. A Filosofia tem muito de evasão, diversão, expansão do espírito no labirinto das ideias. Seguindo um fio que, supostamente, nos permitiria ir ao centro do labirinto e voltar a sair do mesmo. Ou seja, acaba por se fazer Filosofia mantendo ou procurando o pensamento Mítico, na origem de toda a reflexão e tentativas de explicação do mundo do Homem pelo homem.


Antes tinha resolvido no quadro sem explicar, lendo e aplicando a informação; limitei-me a dar os “mecanismos” para a resolução, mostrando a resolução. Ver não é resolver, não conseguiram refazer os passos que levaram à resolução do problema. O que se terá esforçado mais?, disse ter ficado com dores de cabeça. O meu diagnóstico, falta de organização na recolha e tratamento dos dados; passo a dar essa organização, mais o caminho escolhido para resolver o problema.

Analisar o problema
Queremos responder à pergunta:
- Qual a nacionalidade de quem tem por animal de estimação um peixe?
Recolha de dados, recebemos informação em 15 tópicos com: 5 nacionalidades, 5 cores para as suas casas, 5 animais de estimação, 5 bebidas, 5 marcas de tabaco.
5 nacionalidades: Inglês (1), Sueco (2), Dinamarquês (3), Norueguês (9;14), Alemão (13);
5 cores: vermelha (1), verde (4;5), branca (4), amarela (7), azul (14);
5 animais: peixe (é 0 - o problema), cachorros (2), pássaros (6), gatos (10), cavalos (11);
5 bebidas: chá (3), café (5), leite (8), cerveja (12), água (15);
5 marcas de tabaco: Pall Mall (6), Dunhill (7;11), SG (10;15), Marlboro (12), Winston (13);
posição de casas: centro (8), primeira (9)
 
2º Criar uma grelha com 30 casas, a preencher com os dados fornecidos
Nacionalidades
Cores
Animais
Bebidas
Tabacos
 
3º Ler com atenção, determinando as informações mais completas.
 
4º Determinar os elementos de maior dificuldade, as informações menos completas.
 
Preencher a grelha até, por exclusão de partes, obter a casa onde ficará o peixe.
 
Existem cinco casas de cinco cores diferentes. Em cada casa mora uma pessoa de uma diferente nacionalidade. Essas cinco pessoas bebem diferentes bebidas, fumam diferentes marcas de tabaco, e têm um animal de estimação.
Nenhuma delas tem o mesmo animal, fuma o mesmo cigarro ou bebe a mesma bebida.
1… O Inglês vive na casa vermelha
2… O Sueco tem cachorros como animais de estimação
3… O Dinamarquês bebe chá
4… A casa verde fica à esquerda da casa branca
5… O dono da casa verde bebe café
6… A pessoa que fuma Pall Mall cria pássaros
7… O dono da casa amarela fuma Dunhill
8… O homem que vive na casa do centro bebe leite
9… O norueguês vive na primeira casa
10. O homem que fuma SG vive ao lado do que tem gatos
11. O homem que cria cavalos vive ao lado do que fuma Dunhill
12. O homem que fuma Marlboro bebe cerveja
13. O Alemão fuma Winston
14. O Norueguês vive ao lado da casa azul
15. O homem que fuma SG é vizinho do que bebe água
Questão: Quem tem um peixe como animal de estimação?
Este problema foi escrito por Einstein o qual afirmou que 98% da população mundial não o consegue resolver.
As informações mais completas:
8… O homem que vive na casa do centro bebe leite
9… O Norueguês vive na primeira casa
14. O Norueguês vive ao lado da casa azul
Estas 3 informações, permitem preencher três casas em três colunas diferentes: 1ª, 2ª, 3ª (a do centro). Está resolvido 3/25 avos do problema, faltam 22/25 avos do total. Sendo que a última casa nos dá a resposta do problema, precisamos na verdade de solucionar apenas 21/25 avos, isto é: preencher mais 21 casas da grelha desenhada.
Nacionalidades
Norueguês
Cores
AZUL
Animais
Bebidas
leite
Tabacos
As maiores dificuldades:
10. O homem que fuma SG vive ao lado do que tem gatos
11. O homem que cria cavalos vive ao lado do que fuma Dunhill
15. O homem que fuma SG é vizinho do que bebe água
A dificuldade acrescida deriva de relacionar casas diferentes, estabelecendo o posicionamento entre elas.
Uma forma de resolver o problema!                                    
Depois de preencher as três primeiras casas, sem ter qualquer dúvida sobre elas, já temos informação em três colunas: 1ª, 2ª e 3ª.
Vamos imaginar a resposta à informação seguinte, obter informação sobre as colunas em falta:
4… A casa verde fica à esquerda da casa branca
As casas verde e branca vão para as colunas 4ª e 5ª, passando a ter um elemento em cada coluna. A aposta, vai verificar-se certeira! Aliás, a única hipótese alternativa disponível, seria serem as colunas 3ª e 4ª, por estarem dependentes do conhecimento anterior da casa azul.
Nacionalidades
Norueguês
Cores
AMARELA
AZUL
VERDE
BRANCA
Animais
cavalos
Bebidas
leite
café
Tabacos
Dunhill
5… O dono da casa verde bebe café
Já temos 3 cores, 2 bebidas, 1 nacionalidade, 6 casas preenchidas + uma que se obtém só “por exclusão de partes”, falta apenas resolver 18/25 avos do problema.
Passamos a:
7… O dono da casa amarela fuma Dunhill
11. O homem que cria cavalos vive ao lado do que fuma Dunhill
Estas duas informações permitem conhecer três casas: AMARELA, Dunhill, cavalos.
Nota: só havia uma outra hipótese, se esta se verificasse errada, a casa AMARELA ser na coluna do meio.
1… O Inglês vive na casa vermelha
Ficamos a saber a localização das cores todas, sabemos que as opções anteriores estão certas!
Nacionalidades
Norueguês
Inglês
Cores
AMARELA
AZUL
VERMELHA
VERDE
BRANCA
Animais
cavalos
Bebidas
Leite
café
Tabacos
Dunhill
Temos 11/25 avos do quadro preenchido + 1/25 que será obtido por exclusão de partes (o peixe), faltam 13/25 avos; chegamos a meio do problema!
6… A pessoa que fuma Pall Mall cria pássaros
Uma hipótese ainda a verificar, vamos colocar estas informações na coluna mais vazia, a 5ª coluna.
Nacionalidades
Norueguês
Inglês
Cores
AMARELA
AZUL
VERMELHA
VERDE
BRANCA
Animais
cavalos
pássaros
Bebidas
Leite
café
Tabacos
Dunhill
Pall Mall
Usada a informação dos nºs: 8, 9, 14, 4, 5, 7, 11, 1, 6 (9 nºs).
As informações ainda não utilizadas: 2, 3, 10, 12, 13, 15 (6 nºs)
2… O Sueco tem cachorros como animais de estimação
Só pode ser na 4ª casa, a única com nacionalidade e animal de estimação ainda vagos.
Nacionalidades
Norueguês
Inglês
Sueco
Cores
AMARELA
AZUL
VERMELHA
VERDE
BRANCA
Animais
cavalos
cachorros
pássaros
Bebidas
Leite
café
Tabacos
Dunhill
Pall Mall
O que falta:
3… O Dinamarquês bebe chá > duas hip. 2ª e 5ª casas
10. O homem que fuma SG vive ao lado do que tem gatos > duas hip. 2ª e 4ª
12. O homem que fuma Marlboro bebe cerveja > só uma hip. 2ª ! Mas…
13. O Alemão fuma Winston > ... está mal!
15. O homem que fuma SG é vizinho do que bebe água
Voltamos a:
6… A pessoa que fuma Pall Mall cria pássaros
Vamos passar da 5ª para a 3ª casa >>> Fica uma coluna completa!
Nacionalidades
Norueguês
Inglês
Sueco
Alemão
Cores
AMARELA
AZUL
VERMELHA
VERDE
BRANCA
Animais
cavalos
pássaros
cachorros
Bebidas
cerveja
leite
café
Tabacos
Dunhill
Marlboro
Pall Mall
Winston
3… O dinamarquês bebe chá > algo está mal!
Temos de libertar a única hipótese possível para o Dinamarquês, a 2ª casa
12. O homem que fuma Marlboro bebe cerveja
Tem de ir forçosamente para a 5ª casa, a única com espaço para bebida e tabaco
13. O Alemão fuma Winston
Tem de ser obrigatoriamente na 4ª casa, única com espaço para o tabaco
2… O Sueco tem cachorros como animais de estimação
Resta a 4ª casa
(bateu certa a escolha 6… A pessoa que fuma Pall Mall cria pássaros)
Nacionalidades
Norueguês
Dinamarquês
Inglês
Alemão
Sueco
Cores
AMARELA
AZUL
VERMELHA
VERDE
BRANCA
Animais
 
cavalos
pássaros

cachorros
Bebidas
 
c
leite
café
cerveja
Tabacos
Dunhill
 
Pall Mall
Winston
Marlboro
Falta:
10. O homem que fuma SG vive ao lado do que tem gatos > única hipótese 2ª casa
15. O homem que fuma SG é vizinho do que bebe água > água na 1ª casa
Nacionalidades
Norueguês
Dinamarquês
Inglês
Alemão
Sueco
Cores
AMARELA
AZUL
VERMELHA
VERDE
BRANCA
Animais
gatos
cavalos
pássaros
peixe
cachorros
Bebidas
água
chá
leite
café
cerveja
Tabacos
Dunhill
SG
Pall Mall
Winston
Marlboro
Nada  podemos trocar, só tem esta solução!
Duas das três maiores dificuldades… foram as que só conseguimos colocar no final.
Está feito:
O último animal de estimação em falta, pertence ao Alemão, é o peixe.

PERMISSÍVEL
 

eu deixaria que falasses
ao meu corpo
nu

meu corpo
só iria agradecer

eu sou assim... previsível
Assim

PREVISÍVEL
 

sou o corpo onde falas
poesia & língua
onde tocas

cada reentrância
ou saliência

minha ânsia de ser tua
Mim 

domingo, 28 de novembro de 2010

Dia 28

L' ESCULTURAIS

encontro as palavras
onde elas estão
à espera

nítidas as linhas
esculturais

destas composições
Assim

ESCULTURAIS LI

insinuantes sensações
de quem não fica
só à espera

ataca as linhas
e ata-as

redigindo acta-poema
Mim

DESCULPEM-ME...

há as maneiras
de falar dos encontros
únicas e absolutas

eu só queria saber
o que me dão?

ver e ler tanta poesia!
R

AFOITO

quando fico + afoito
ninguém me diz o que sei
para poder inventar-me

sou a crisálida
no casulo

criando as su_as asas...
R'

EU E ELAS

navegador interstelar
monto quimeras
em pelo
Ri

NOTAS

Com amigos como estes, sempre descubro a madrugada antes de deitar!

Leio à pressa um livro de Poesia, paro para ler um poema, baixo-me para olhar de perto, há um chão nas palavras.

Quando escrevo frases como esta sinto-me Iluminado, é como ler uma descoberta...
{volto com micro contos, ver no "Índice"}

sábado, 27 de novembro de 2010

Dia 27

ENGANO LEDO
HOTEL

chegado ao aqui e agora
toco o gado dos pastos,
pensamentos para a Hora
arrastam-se de rastos?

experimento experiência,
escrever qualquer coisa
feita sem grande ciência,
onde o silêncio se oiça

junto palavras varrendo
letras caídas dos dedos,
sou vassoura correndo
a loucura sem medos!

herói de meu enredo
personagem de cordel,
deixo o engano ledo
e cego aqui no Hotel...

ESPÉCIE DE RELIGIÃO
 
«Ao consolidar-se, a poesia dos Tang [dinastia Tang (618-906)] expressa a essência do espírito chinês e assume-se como uma espécie de religião. É a fonte de percepção do maravilhoso, do misterioso, da depuração da alma, da mística contemplação da natureza, do entendimento e da união com a beleza cósmica. Em inúmeros poemas de Li Bai avançamos muito para além das palavras, ficamos suspensos em ressonâncias que não sabemos explicar e nos deixam a pairar sobre, entre, por detrás do que o poeta diz», escreve na p.33 do prefácio, António Graça de Abreu. Volto na p.47, Nota à 2ª edição
«A vida dos livros tem, frequentemente, algo de semelhante à existência dos homens. (…)»
«Por detrás de um livro existe sempre um homem, uma mulher, uma imensidão de seres. São construídos com palavras, espelhos límpidos ou embaciados onde se reflectem os sentimentos, vivências, mentiras e verdades comuns a quase todos nós», António Graça de Abreu.
“Poemas de LI BAI”, Instituto Cultural de Macau, 1996, 2ª edição.

Sem título
gu feng nove


Zhuang Zi sonhou
                ser uma borboleta,
ou a borboleta sonhou
                ser Zhuang Zi?
Tudo se transforma.
                Em nós
Tudo é presente,
                Infinito e nada.

Li Bai

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Dia 25

POEMA FEITO

hoje que me lembre
não lembro de ter
escrito um verso

que seja agora
nestes estes faça

até ter Poema Feito
Assim

FEITO POEMA

a pergunta solta-se
como resposta
aqui dada

ao correr da mão
pelas teclas

é tida toda a vida?
toda a vida é tida!
Mim

PREMISSAS RELIGIOSAS
dum poeta ateu

1. a poesia não é uma receita,
    deve ser como se avia;
2. a poesia não é um remédio,
    deve ser o que se cura
    numa necessidade saudável;
3. a poesia não é um passeio,
    deve ser-se viagem interior
    até atingir s_eu exterior
    onde a linguagem se exterioriza;
4. a poesia não é o infinito,
    deve ser infinita e pura
    como associação mental
    onde um demente sente
    para dar verdade à_vida!...
5. a poesia não é uma certeza,
    deve ser (a) certeza(!)
Conclusão: a paga é a dúvida
    ser a vida servida a nu.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Dia 24

TEMA:" MUDANÇA"
- mudanças -
de linha em linha
a fazerem danças
de verso em verso
no tema avanças
e nele adivinhas
"mudança"

Francisco Coimbra
http://www.lunaeamigos.com.br/varal/varal46ano9.htm

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Dia 23

A PARIÇÃO...
 

os acasos neste caso
chamam bem a atenção,
deixo nota sem atraso
faço minha aparição!

COMPAGINANDO
 
O blog tem mais uma página: 1, coincide com o dia 1 deste mês. Quem quiser passar da página de 1, para a página 1, pode vir dar ao dia de hoje. Onde, como? Seguindo a epígrafe «...»
É esta história das coisas escritas, a singularidade da escrita atrai-me, histórias fazendo História.
História com H grande, a procura da verdade através dos documentos onde a mesma é e fica (e_di_fica) documenta e faz: o ficar junto ao fazer, a documentar (este, aquele: aquele/este), de Este (Nascente) a Oeste (Poente), de Norte a Sul. Rosa dos Ventos soprada por zéfiro amoroso, enche-nos de a... da podermos imaginar: Rosa, lavada com sabonete de rosas :)
Já ia para lá de Klimane... "Onde, como?", na epígrafe do dia 1 ou da página 1*, situações diferentes a partir duma mesma citação.

* renomeei - com o nome do mês - 10 - Outubro

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Dia 22

MOMENTO A MOMENTO
 
Pois é... a realidade, de momento a momento, é ultrapassada. Para entramos na mesma realidade outra, onde a mesma se continua e renova. Estou a escrever sobre a escrita, o se onde a ponho em questão, a reformulo a cada momento para procurar uma fórmula vá_lida... para o momento presente.
Então é assim... podia ter sido assim: (ficou assim)

DOIS TERCETOS

(1)
já partindo
resto inquieto
eu ficando

(2)
dos olhos
haja (en)canto
de um compositor

domingo, 21 de novembro de 2010

Dia 21

CHAMINÉ NOCTURNA

recorta a chaminé dentro do teu peito
pois dá sempre jeito tê-la
para por ela
fazer

(1)
sair um suspiro

(2)
soltar uma nuvem

(3)
apontar para o céu

recorta a chaminé
dentro do meu peito ergo
a catedral dum desejo inorgânico

(4)
como uma nuvem de fumo queimado

(5)
a chaminé
do poema necessário
para soltar um corvo curvo queimado!

(em direcção à lua ou ao sol apagado)

INSUBSTANTIVAS FALAS

1 - Sentamo-nos num palco e conversamos, não acham que tudo se altera?
2 - As pancadas de Moliére ajudam, marcam uma ruptura, dão início à peça.
3 - O importante é ganharmos vida, sermos alguém: Quem?, Ninguém?...
1 - Apresentemo-nos: - Eu sou o Pai!
2 - Eu sou o Filho!
3 - Eu sou o Espírito Santo!
1 - Expliquemo-nos! A Trindade, o deus trino, com existência em três pessoas, nunca subiu a um palco de teatro; parece-nos ser a altura certa para dar lugar à imaginação dos homens sobre esta questão, em palco.
2 - Na segunda pessoa, o Filho, voltando ao Céu, no seio do Pai, senta-se com ele e ambos fazem companhia ao Espírito Santo.
3 - Tanto posso ser o Avô da peça, como a criança. O importante é pensar que, pensando, enquanto ser pensante, o que pulsa, o pensamento, pode e deve preencher o Universo: Céu e Terra, uma só realidade. A criança pensa, o ancião pensa, se..., quando, tem algo para pensar.
1 - Nesta peça deve haver pouca representação, apresentar um diálogo com pouca tensão, como se, os três, nos completássemos uns aos outros e fossemos um só.
2 - Proponho que se debata a diferença entre poema e poesia! Não resisto a fazer alguma representação
3 - Não acho bem prosseguir sem que o Filho faça um milagre...
1 - Apoiado!
2 - Aquele cajueiro é sagrado, ninguém dele poderá comer cajus na vigência desta vida!
3 - Já percebi, boa ideia, vou buscar uns cajus que sejam sagrados para a ocasião, e uma cerveja. Quem quer?
1 - Na Plateia, Balcão ou Geral, esperem, antegozem, fazemos um intervalo (pode ser no final?) a coincidir com a sede e o mais apurado paladar do apetite!
2 - Aqui estão as bebidas e... os... amendoins?
3 - A poesia e o poema ou o poema e a poesia, palavras em minúsculas, ideias ainda insubstantivas... O poema uma ideia de poema, a poesia uma ideia do que há na Poesia?
1 - O Pai vai pôr os pontos nos iis!

sábado, 20 de novembro de 2010

Dia 20

OXALÁ

aqui ali ou acolá
acolhi um oxalá
tanto se me dá

haja a hipótese
à falta da tese

tempo o Futuro
R

NÃO OU SIM?

- Fez-se luz! Fico iluminado em palco e falo, cego pela luz, para uma plateia que sei existir mas neste momento não consigo vislumbrar. Preparo-me para um longo monólogo, mas eu mesmo me interrogo fazendo uma voz diferente:
- Hei-lá... aqui há gente! Podeis falar, confiante de ser ouvido.
- Dou por mim a pensar (voltando à minha voz inicial, a mesma com outro timbre):
- Não estaria mais tranquilo se soubesse não ser ouvido, apenas sendo escutado pela imaginação com que povoo a plateia?
- Não sei, tudo depende duma ideia, tens alguma?
- Não reconheço a voz que me responde!?
- Não tens a certeza, é isso que dizeis?
- Sim, suponho seja.
- Sim, vamos no bom caminho!
- Sim, vou supor que sim.
- Sim?... 

O Teatro é uma arte tão antiga como a palavra transformar-se em representação do mundo através de Mitos transmitidos oralmente naturalmente, ao calor da fogueira, à sombra de bananeira, numa clareira ou não. Quem terá sido o primeiro actor, alguém que dançou enquanto cantava? Alguém falando, enquanto gesticulava e dando-se conta, sentindo uma sensação de ridículo, ridicularizou os gestos e acabou a falar perfilado, primeiro rindo, depois chorando? Como é fácil calcular, é pura especulação falar dos primórdios desconhecidos de seja o que for. Não deixa de ser uma boa intenção, capaz de valer a atenção dada à questão.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Dia 19

PENSAR*

ah, partir as palavras aos bocadinhos!
tirar um a, juntar-lhe um h: ah!
como um ponto de exclamação
pode fazer toda a diferença
e
com nítida certeza vença
a poesia que busca Poesia
nesta arte que pode ser mi_nu_
ciosa do que se pensa mais do que...

APANHADO NA RUA
 

Malaquías, o judeu, deu à sua neta um gato por ele apanhado na rua.  A história acaba aqui, não sabemos a continuidade.

O RESULTADO

Usou demasiada erva-doce, o cozinhado ficou enjoativo. O aroma também era mais que muito, mas era agradável, o resultado foi considerado muito satisfatório.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Dia 18

ESTE DIZER

I
há uma canção que nunca ouvi
a pássaro nenhum
cantando

nasce das palavras
com este dizer

de nomes a coisas sem nome

II
é uma canção para a escutar
com fome de verdade
e sem hipocrisia

fonte de toda a poesia
faz todo sentido

tendo por escolho o significado

III
mar amplo da felicidade livre
dá-se deserto às dunas
ou ondas ao mar

o sonho aqui o disponho
onde o deixo digo

é um bicho e respira, sou eu

IV
como navego entre escolhos?
vivendo a vida por Mim
sendo dela Assim

fazendo da fantasia isto
de poder ser e ser

tudo o mais é tudo ou menos

V
procuro a mão cheia agora
abrindo os dedos nus
à luva da língua

toco em gestos o dito
até sentir tido

este último verso que deixo
Assim

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Dia 17

ARGUMENTO

Comentar é antes de tudo mais, mais um acto de escrita. Agradeço o facto de, regularmente, incorreres nesta componente da leitura que a projecta na esfera da partilha. Peço desculpa de nem sempre corresponder, agora o faço.
Este poema podia ser perfeito, pode ser perfeito, o que necessita? Aqui o orador teria de entrar num esquema cénico, fazer teatro. Como quem se distrai do que ia dizer, começa a ler o poema: quando acaba, termina. Se, quando termina, as fundações do poema não tremem e o equilíbrio for perfeito, o poema está dito e feito, ficou perfeito! O único senão pode estar na sensação que se leva para a atenção e nos torna desatentos? Permite questionar: - Acabou? Porquê estas palavras e não outras? Este poema tem esta capacidade, comporta tudo... é infinito. Logo, talvez seja como a capela inacabada do Mosteiro da Batalha, chama a atenção! Mas, se na capela inacabada o que falta é o fechamento do teto, deixada a céu aberto, neste poema nada falta se a leitura lhe der voz em nada lhe faltando.
Foi complexo o raciocínio do comentário? Não pretendia ser, apenas chama a atenção para a atenção e como ela se requer infinita nesta "fita" da qual concluo agora o argumento.

No próximo mês não escreverei neste blog, a não ser através de publicações agendadas: é essa a minha "agenda", transformar o próximo mês num "regresso ao passado". Contudo, não esperarei pelo próximo mês para publicar do dia 1 do presente mês. {Isto só aconteceu a vinte e três... 23}

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Dia 16

IDEALIZAR

Hoje é daqueles dias em que tenho de começar a escrever para conseguir escrever, isto vai contra o "ideal" de ter ideias para idealizar seja o que for.
Nascido um parágrafo, ao qual nada quero acrescentar ou corrigir, é só redigir mais este e procurar ler...

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Dia 15

PENAR A PENSAR
«um ser inteligente pode ser alguém que cheira a mijo de cão e só outro como ele o poderia reconhecer»

Olho a minha personagem, numa imagem que vejo ao escrever, dou-a a imaginar! Uma mulher, olhar atento, mas de foco desconhecido, penso "Quando olha parece que está a espreitar"!? Fico a pensar o que pensar do que pensei, como será essa mulher?
Tudo o que venha a escrever prende-se com o que venha a pen(s)ar do que pensei neste momento inicial, penso que não pensei mais do que isto, começar "Momento Inicial" (mais uma tentativa de desenvolver uma personagem). Supostamente... todos conhecemos professoras, imaginemos esta uma: uma professora, esta. Quero pensar "Já existe"! Então, para que escrever mais? Para a conhecer!

domingo, 14 de novembro de 2010

Dia 14

DESCREVENDO

I
procuro no escuro,
vario no que curo
a preposição

do pro ao es
sou este

observador puro

II
fecho os olhos
antes de os abrir
ao contraste

III
apoio a mão
sob o meu queixo

olhando o que deixo
Assim


COMENTÁRIOS

I
Lindo, lindo, lido de viver: onde o lindo é lido, da amargura e dor, à alegria e fúria, com o necessário riso de inventar e sentir: Anaximandro! Os nomes, as coisas, pessoas, acontecimentos, ao todo... tudo.

II
O poeta (a poetisa) bisa usando o bisel, talha e entalha cada palavra, mas deixando-as fluir dá-as a ler, trabalhando a voz nesse gesto de escrever aqui com a espessura dum pensamento que não solta ideias, conduz o sangue num sentir (de ideias) deixando-as cor_rer... do ser. 

sábado, 13 de novembro de 2010

Dia 13

MIL PALAVRAS

"Mil palavras" serão estas, contando com espaços, sinais e letras, mais um final inesperado, depois de cada palavra que não espera e passa à seguinte o testemunho de levar a prosa até à Rosa, mítica flor, representando a Poesia onde esta em verso verso mesmo em p_rosa ritmando o rumo do infinito dentro dum labirinto fechado entre sentido e significado: até meter minha língua na tua boca num linguado que nade como uma solha olhando por um olho e vendo pelo outro, o movimento puro do texto à procura de concluir o seu pretexto sem o denunciar mais do que dum baloiço baloiçando a existência do eixo; aqui fica e deixo, "Mil palavras", tudo contando.

E_STAND_ARTE

a cada queda me levanto
com mais raiva e força
para combater o destino
ergo meu estandarte.!.
enquanto tudo desafino
deixando que tudo torça
e parta em meu canto

Francisco Coimbra
(um aprendiz de Assim
à amiga Maria José Limeira)

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Dia 12

A FILOSOFIA EM ASSIM

Qualquer um que ceda perante uma educação feita à base de ideias institucionalizadas como boas e válidas: vá (todas as que são...) lidas (com bom senso) da maneira mais comum, conforme, conformada, formada por gerações e gerações, cedeu o seu eu a eus que são como deus a tutelar totémico a  mentalidade social de cada sócio com que deparamos na partilha da realidade, alheia ao real que teima em vingar de forma pessoal ou, mais ou menos, individual; cada um que tenta resistir, à tentação de partilhar o seu bom senso. Eu sou esse indivíduo que rejeita a massificação e faz do "bom senso" uma filosofia prematura do que deve ser um bom senso inorgânico, desarticulado dum todo ideológico: não assimilável. A partir deste enunciado, rejeito toda a Filosofia, não amo a sabedoria passível de ser aceite por Gregos e Troianos.
Quando me ponho a questão de saber o que escrevo e porque escrevo, cedo ao que me é improvável e provo da Filosofia este desafio terreno de procurar no solo da escrita as sementes das ideias desenterradas pelos frutos, trazendo ainda um ressumar do suco bebido à terra pelas raízes dos tropos. Dá-se esta "arte da fuga" onde o tema persegue o tema e o modula até o conseguir mudar num modo de perseguição e fuga onde a cauda descobre a boca do cão e morde a língua sem o deixar ganir na mão do poeta entregue a um verso suspenso da inutilidade inútil do que torna útil a ruptura onde se molda o molde modelando a forma, a ponto de podermos apontar uma origem para os seguintes

SALMOS

SALMO I - O HIATO

ó noite, acolhe o silêncio
com a doçura costumeira usada
para aceitares palavras ocas
feitas como ecos dessa voz
pronta a mergulhar no corpo
da noite imensa e intemporal
onde mora o meu poema

nesta demora de o escrever
sem a pressa nenhuma capaz
de vencer o hiato onde sou
aquele que se ata ao leme
neste acto dum teatro mudo
feito dos gestos calmos
de quem gostaria ler salmos?

SALMO II - FIAT LUX

a violência vive a metamorfose
deixando a crisálida muda mudar
no movimento dum "fiat Lux!"
(faça-se Luz!) sobre a areia
praia do tempo em rebentação
feita rotação à mão que roda
ampulheta cheia de areia inerte
pronta a correr tempo guardado

na asa do vento recolhido voz
dum mar interior aos búzios
cheios de ecoar imensamente
redundantes na orla litoral
à qual a musa dá seus seios
na fome nascente do vampiro

SALMO III - QUIETUDE

escuta a apressada conclusão
capaz de conduzir à música
a sinfonia inacabada ao todo
exprimindo orquestra hilariante

deixo os dentes a rir paralíticos
as gengivas duma ideia pronta
para morder sem pensamento
mal ela abra a boca insólita

falta-me concluir mais a quadra
que deixa incompleta quietude
para a criança deixar pegada
de "pé de valsa" quando adulta?

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Dia 11

Sento-me esperando que as minhas mãos me contem uma história, um dia de Sol cheio de glória! Uma pequena flor abrindo as sua pétalas, esticando o pescoço do seu caule e saltando para as minhas mãos para, com ela, poder presentear uma mulher bela, sensual e doce. Procuro a dose certa do improviso, viso esta sensação intuitiva de deduzir, dedo a dedo, letra a letra, cada palavra nova que chega.

FESTA
 
poema leve e feliz
respondendo continua
voando quando diz
uma palavra que flutua

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Dia 10

OBSERVANDO

observo a calma da árvore
plantada no quintal
tentando tê-la

aqui onde escrevo
cada verso

no belo de vê-lo ao dizê-lo
Assim

OBSERVADO

ando lenta escutando ler 
tua voz a visitar-me
envolta em volta

na beleza do belo
descrito bem

em teu nome a condizer
Meu

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Dia 9

A MUDANÇA

a realidade do sujeito
do predicado e do verbo

se não se disser a frase mais
ela não cresce

presa como cobra na própria pele
espera a mudança para crescer
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segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Dia 8

CURTA

Uma curta frase, para ser curtida curta.

A realidade do sujeito, do predicado e do verbo, se não se disser a frase mais, ela não cresce, presa como cobra na própria pele.

domingo, 7 de novembro de 2010

Dia 7

PROSE_ANDO...

A história da menina imóvel, ela apenas abria os olhos quando a mexia, deitada fechava os olhos.

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O NAMORADO

Vivia perseguindo o seu amor com os olhos, um dia , este onde acaba a história, morreu de amor.

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A CARTA MICRO

Sonhei contigo, um sonho encantador, andávamos de noite empurrando uma traquitana com música e vídeo, levávamos uma lanterna nas mãos, tu e eu.

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ESTÁ_TUA

O animal olhava no escuro, os seus olhos brilhavam, de felicidade. Estava silencioso, estático, tento agora reproduzi-lo...

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PASSOU-SE

A nitidez era tanta, a imagem tão intensa que, aquele que pensa, este que pensa, pensou "sou aquele que pensa".

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BELEZA

A beleza, insatisfeita, saltou-lhe para o colo, pôs as pernas à sua volta, abriu a vulva, começou a comê-lo com os lábios húmidos, quentes... "Tão bom!..." e foi a última coisa que pensou.

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TELEMÓVEL

Tinha de dormir, ia ser à pressa, estava preso a compromissos inadiáveis. Pôs o despertador, onde acertou a hora de despertar, na mesa-de-cabeceira o telemóvel.

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CA(B)RA
Da tua lavra, o desenho dum “cabra”… A primeira namorada, com quem fizeste, marmelada e cozinhados vários… tudo.

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ALEG_RIA
Aleg não acreditava na alegria, andava sempre triste, até que um dia arranjou uma namorada. Ela, para o fazer rir, começou a fazer-lhe cócegas, corou-o (lambia como um anjo habitando o céu da boca)!...
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sábado, 6 de novembro de 2010

Dia 6

POESIA AO VIVO
 

eu só te queria dizer
quadras simples populares
juntando-as aos pares
fazendo-me de rimares

onde me misturo em ondas
com as águas do mar
onde tu me sondas
deixando-me poder amar

como o Sol os dias
as marés com as praias
nos rios tem enguias

a poesia (ao) vivo assim
tirando à história as saias
nada dizendo depois do Fim :) @

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Dia 5

VIVA A REPÚBLICA

para quem se escandaliza
dou a imaginar o fausto da nobreza
junto duma pobreza desvalida
para quem beleza se não é comida
teria sido e foi mudar de vida
mas essa será uma crença creio
sendo o mais certo...

ir agora deitar! @

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Dia 4

COMPROMETIMENTO

O comprometimento com as palavras é tão difícil como com o amor, um emprego, seja o que for; só resulta quando é (ou se transforma) uma necessidade. Trabalho porque necessito de ganhar a vida, amo porque necessito amor, escrevo porque... criei este comprometimento com as palavras. Efectivamente, escrevo porque me comprometi a escrever todos os dias, ou todos os dias pensar escrever. Quando não escrevo sinto-me em dívida para com a vida, porquê? Porque decidi fazer da vida uma escrita, uma história. Essa história aconteceu quando tinha dezoito anos, tornou-se uma preocupação aos quinze, deu sinal de vida aos nove.
Aos nove anos pensei escrever um livro, só através duma história conseguiria representar o como terá sido. A maioria das histórias, para serem bem representadas, vejo-as como peças de teatro. Passado este acto, aos quinze comecei a pensar o que queria ser como artista. Ser artista não é uma coisa que se é, é algo que se tem de querer ser de forma consciente. Caso contrário: somos artistas para os outros? Outros... seriam os artistas, porque não. Ou seja, a resposta depende sempre de quem a dê. A minha, serve para a dar, não a vendo... é sem venda, de olhos fechados ou abertos, é visão!
Pensar a Arte, a necessidade de fazer arte: esta foi é, sempre será, a minha necessidade básica, procurar a perfeição em algo que... vi_vemos. Obriga a pensar a realidade como algo real, uma construção partilhável da realidade, uma ficção, a "construção do real".
Toda a arte é ficção, desejo de transcendência, busca, demanda do Bem, Bom, Belo!


UMA HISTÓRIA

«Parece-me que a presença do leitor é apenas uma desculpa para escrever ou escreverem, não seja por falta dum comentário que a história continue./ Boa sorte!»
Com certeza há sorte que não é boa, quando se entende que as coisas feitas à sorte dão azar. Cabe-nos agradecer, desejando também Boa sorte! Esperando mesmo partilhar a nossa Boa sorte, pois se nos sairmos bem, fácil será admitir poder entreter o leitor. Mais difícil se o próximo comentário for igualmente despido: nu e cru, quem nos escreve disse tudo dando pouca margem para improvisar. Serve o exemplo para a perspectiva e personalidade de cada um, escolher "o copo meio cheio ou o copo meio vazio". O mais breve comentário pode ser encarado como aquele que deixa "tudo em aberto", abrindo caminho às mais diversas possibilidades para uma resposta.
A ideia de história foi, logo de imediato, o que mais nos chamou a atenção. Esperamos que o uso do nós do sujeito narrador seja curioso e simultaneamente pacifico, pouco importante. Por certo irá condicionar a abordagem duma história onde não estamos muito apostados em construir "uma história", mesmo trabalhando para ela, olhando-a como resultado da acção de sujeito, predicados e complementos directos: indo aos elementos gramaticais das diferentes frases e deixando os verbos falarem do tempo e do modo como se flexiona a escrita em função de reflexões tão maleáveis como uma erva a mover-se por acção do vento.
A existência dos dias úteis deve servir para valorizar os feriados? A resposta a esta pergunta fica à espera do próximo feriado! Se passar despercebido, o Futuro continuará na mesma garantido. Isto damos por certo, se não começarmos a dar atenção à aniquilação diária das espécie, à destruição constante de todo o tipo de eco sistemas, à fome no mundo, acompanhada da mortalidade infantil e não só, até chegarmos às maravilhas da técnica que nos dá a possibilidade de sermos a muito curto prazo portadores desde nascença dum micro-chip que informe as autoridades de quem somos, onde estamos, o que fazemos, com quem e, se possível, com que motivo e intenção.
"Somos escravos da nossa condição humana", esta citação, não sendo de nenhum leitor, serve para acabar em beleza mostrando a falta de beleza dos horizonte lúcidos da realidade objectiva e da poluição que também é cognitiva. Poluentes? Sim, procurando um efeito detergente. Como a explicação se mostra um busílis, deixemos o busílis ficar calma e recatadamente em sossego. Vamos à procura dum final onde, voltando ao comentário, possamos dar conclusão à desculpa fornecida de bandeja: a presença do leitor. Aguardando que a mesma se continue a verificar, iremos continuar a verificar o email maria_manuel@.
{Continuação deste/neste mês @}

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Dia 3

PONHA-SE NO MEU LUGAR

Agrada-me escolher a imaginação como lugar onde me posso visitar para tomar um chá, eu sou a minha amiga e ambas queremos falar de ti como a ausente que nos faz falta, sem esquecer a tua irmã. As quatro acabaríamos por jogar as cartas, nem desse modo ficaríamos caladas. É como um desafio que nem nos desafia, surge dum modo tão natural a nossa procura de palavras para fazermos companhia umas às outras. O Jaime diz que somos superficiais, interrogo-o sobre a superficialidade de falar da moda como quem analisa as cores e formas de vestidos ou sapatos, cabelos ou perfumes. Cala-se e dá-me um beijo, pede desculpa, diz ter ciúmes das minhas amigas. Confessa que não saberia tomar o vosso lugar e diz-me que o pus no seu lugar, sem me deixar perceber a profundidade do que quis dizer. Digo-lhe que tem de ajudar a minha superficialidade a mergulhar na sua densa matemática expressa em tão sucinta fórmula.
Depois de breve pausa, se eu e minha amiga formos uma, mesmo com o lugar da imaginação dando para várias salas de chá, somos apenas três se tua irmã e tu aparecerem? Convido o Jaime? Distraio-me escrevendo, vendo a escrita a sair dos meus dedos como notas musicais desenhando as formas duma partitura feita para seres minha intérprete e, de seguida, compositora. Não esqueças de escrever uma longa carta, sempre seguro tuas palavras como se viessem em papel e nelas pudesse tocar e sentir a pele duma presença tão forte... Teu espírito visita-me, faz-me companhia, nossa conversa apenas se interrompe, mas sempre se continua. Juntas poderíamos escrever uma "Novas Procuras No Tempo Perdido", faríamos companhia a Proust?
«Je ne sais s'il est déjà opportun d'en parler mais si je vous dis Proust, est-ce que cela vous dit quelque chose?»,
Ainda não falei da resposta do Jaime, deixou-me a pensar. Gostava de ser como ele, seria diferente do que sou. Teria de começar quase do zero, começar a conhecer-me de novo. Na verdade eu não conheço o Jaime que o Jaime conhece, não me conheceria de todo se eu fosse ele. @

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Dia 2

À VELOCIDADE DA ILHA

Li(n)do o desenho da chuva nas vidraças da janela da sala deixando ver, por trás, um quadro do quintal: sem pintura, sem desenho, sem representação, a ideia que cada um vá buscar para preencher este espaço que dou a imaginar. Por trás duma chuva exterior, tocando interiormente a mente, o interior do texto. Este momento duma narração tranquila, como o meu coração navegando à velocidade da ilha.

§
 
DESCREVO
os olhos dum pensador
(penso eu) olham-me
duma foto que observo

de seguida escrevo
fazendo-me uns versos

e penso que é tudo...

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Dia 1

A NOTÍCIA DO MOMENTO

A história continua mal, era suposto não estar com qualquer conversa aqui, acrescentar qualquer coisa do dia 1 de Outubro e seguir directo para o Futuro, procurando qualquer novo "furo": a notícia do momento.
Não tendo encontrado no dia 1 de Outubro, encontro no dia 1 de Setembro (caderno A5: )

recolhi ainda na água
uma garrafa a boiar
flutuava como mágoa
que só me faz penar

e saudade tão antiga
já devia estar esquecida
mas volta como cantiga
de melodia aprendida

só pode ser amor disse
olhando à transparência
vendo nada que visse

guardei com zelo e amor
para guardar a essência
de vinho raro ou licor

Engano!
Afinal é de 31.08.10
Justifica o engano ter, logo a seguir, isto:

01.09.10

- Isto sou eu, diz enquanto indica um remédio com uma seringa hipodérmica, nome Dipomicina. Um (continuou)...

Agora vou criar nova página: 11 - Novembro
Renomear a página 1: 10 - Outubro
Voltando ao poema, tem título (na página anterior):

GARRAFA VAZIA

Nomear é uma enorme responsabilidade, agora seria:

SAUDADE ANTIGA

Na verdade, podia ser:
recolhi ainda na água


Um poema que começasse no primeiro verso e vivesse com ele e cada um dos versos seguintes.