domingo, 20 de fevereiro de 2011

PERPLEXO

 
Agrada-me, um blog político. Um olhar sobre a realidade, é sempre o melhor da fantasia e imaginação que cada um nos pode dar!
O voto é secreto, fazes segredo do teu voto? Aqui tens uma pergunta que ajuda a definir muito duma pessoa, dividindo as pessoas em duas hipóteses distintas: aquelas que gostam de ter opinião e a dar, convictos que podem transformar a realidade? e outras pessoas para quem a sua opinião é pessoal e não a pretendem transmitir. Esta última classe de pessoas não pretende transformar a realidade, procura ter a realidade dentro de si. É pouco, para quem quer conhecer. Mas, do pouco se faz muito. A transformação da realidade, em si mesmo, não é realidade nenhuma, é a realidade em si mesmo: tudo está permanentemente em mudança. O que penso não dizer agora, é o que não me importo de dizer logo, tudo depende de, para onde pende a vontade de conhecer: como conheço, se não me der a conhecer?
«Então, sim, haveria uma democracia plena, onde cada homem valeria um voto, e não como agora, que cada voto nos partidos grandes vale mais que cada voto nos partidos pequenos, devido às consequências do método seguido – o de Hondt.»
A democracia plena: «onde cada homem valeria um voto», com o método de Hondt cada homem vale dois? Não, sim, e quem não dera... Concordo, acabe-se com o método de Hondt. A democracia não fica plena na mesma, torna-se é mais difícil haver maiorias que foi a finalidade procurada.
Concordo que as maiorias sejam encontradas na Assembleia da Republica, os arranjinhos deixaram de ser tão internos aos partidos, a corrupção tornar-se á mais transversal, atravessando a necessidade de entendimentos entre as várias cores políticas. Lá estou eu, a dar voz à desconfiança geral. Temos remédio? Não temos, temos de confiar. É mais difícil corromper quem não é da minha cor política? Talvez, então estamos a ir no bom caminho. O problema é que o bom caminho é, potencialmente, um não caminho. O que pensar dos senhores que, na Federação Portuguesa de Futebol, representam os seus representados? Não sei falar do que me é repelente, a estupidez dá urticária, nojo, o repúdio completo!
As sociedades são famílias, se a família não tiver no amor e fraternidade os seus valores, podem tornar-se impraticáveis! E sim, Deus nos livre da Máfia. Nem sei o que isto pode dizer, até ver estou livre dum e da outra. Querer dizer? Quer dizer qualquer coisa, a imensa possibilidade dos valores e da falta deles. 
Deus é um valor obtuso, mas representa um ângulo de abordagem da realidade que talvez não se possa ultrapassar por completo, entendendo por Deus: a tão desejada omnipotência ter uma representação qualquer! A Máfia representa o contrário da crença na omnipotência, só busca a potência ao preço do crime e da corrupção.
Vamos à Poesia, deixemo-la poisar... na poesia dos versos.

NO GRITO/ NU SILÊNCIO
(d' ele grito desertando...)

roxo da cor das contusões que tiram tudo
apenas deixando a dor e o horror num ror
de queixas que não o expressam no mudo
de forma diferente à dum brilhante cantor

um grito rasga o peito e sai pela garganta
aberta como um vale cavado num perfume
onde a inspiração persegue o que espanta
a quem desperta como estivesse em lume

ardendo nas angústias de quem sem leme
sente que a dor na sua alma lhe implanta
toda a agonia com a qual o coração freme

paro sem freio a acelerar de febre um calor
onde a energia vibrante desse grito escuto
no silêncio nu e desigual sinto-me desertor

3 comentários:

  1. Que soneto belissimo!

    Tuas idéias são bem delineadas e tem a força necessária a fazer pensar. A sociedade é hipócrita, tanto quem manda quanto quem não... Somos todos tolos, manipulados por nós mesmos a fazer o que não queremos!!!

    Um beijo grande, querido!

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  2. Obrigado pela referência, pela citação e pelas reflexões derivadas.

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