quarta-feira, 27 de julho de 2011

PRAXE

Tenho uma amiga com quem falar é muito agradável, vai dar para uma crónica. Sentamos, olhamos um para o outro, cumprimos praxe. Coisa dum minuto, como se estivesse a nascer uma criança no momento! Fala primeiro quem achar que tem alguma coisa de importante para contar, nunca sou eu. Hoje fui eu, para variar.
Vou contar uma pequena história, podes contar a quem quiseres… não é segredo! Disse, continuei. Estava eu sentado a ver o mar, apareceu-me uma sereia muda. Fiquei mudo e não lhe consegui dizer nada, como deduzi que era muda? Não consegui ter a certeza, mas não resisto a saber a tua opinião.
Porque contei esta história? Ela não costuma respeitar o minuto de silêncio e já íamos no 00:01 da hora, quis distrai-la. Para crónica já chega, imagine ter uma crónica crónica? Quanto ao minuto… Deu para o aparecimento da sereia, enquanto pensei em Braille. O inventor da escrita lida pelos cegos; não quer assinar a crónica, porque será?...
Braille

Vou buscar o que ontem publiquei:
«
UMA MÚSICA

colho lírio branco
a brilhar no ar
aí plantado

é como sonho,
perfume

e há uma música...
Assim

http://tatuaanalfabeta.blogspot.com/2011/07/versos-dourados.html

CABELO CAÍDO

tinha uma folha larga onde os versos cresciam
quase desmesuradamente,
mas a poesia,

não querendo a desmesura,
fazia mesuras

à forma como SE/se enrolava nu cabelo caído
Assim

http://www.sobresites.com/poesia/forum/viewtopic.php?p=38845#38845

MENTE DEPRAVADA

arregaças
as saias à alma
para ela se deixar
fazer total e completa
mente depravada.!.
Assim

http://deliriosincessantes.blogspot.com/2011/06/words.html

UM VERSO

quando me esforço
para fazer comentários
como se fossem boa poesia

depois da primeira estância
vem logo uma segunda

às vezes dá um verso!
Assim

http://eroticamenteincorreto.blogspot.com/2011/07/100-amor-mas-com-humor-xxvi.html
»
http://www.sobresites.com/poesia/forum/viewtopic.php?p=38844#38844

13 comentários:

  1. Estive lendo e respondendo comentários, venho aqui trocar o 0 pelo 1. O que quer dizer que um comentário altera radicalmente uma situação inicial, mesmo se saber se radical é ou não apropriada designação fica por conta dum saber que pertence ao gosto (cada um tem o seu).
    Fazendo do conto crónica, partilhando autoria com R, Ri, Riu... chegou Braille!
    É caso para dizer, o baile continua :))

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  2. Bem, pela praxe na minha opinião o autor é o mudo.O inventor inventou algo que nao domina. rsrsrs!Beijos no coraçao!

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  3. bbrian, Um mudo que fala a língua escrita, dizendo por mímica o que cada um imagina, sabendo ao certo que está certo estarmos errados se nele não acreditarmos. Ele é a certeza, nua: o vestido que veste o Rei nu, antes de ser “despido” do seu traje, pelo ultraje duma criança ignorante do que sejam convenções?
    Nenhum rei está nu, deve-o vestir a aura da nobreza, deve estar tão consagrado como uma hóstia! A criança era ignorante, não conseguia ver o que ninguém via. Viviam a arte, magia, fantasia hipnótica: o rei vestindo a mais sumptuosa das vestes, vestido de tecido transparente, sem peso, sem aspereza, sútil até ao imaginável/imaginado. Beijos do Coração!

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  4. Pois eu gostei do diálogo monologado... um luxo! E os versos seguintes que acompanham a gente em deleite.
    Um beijo carinhoso.

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  5. Francisco, não entendi mudez a incapacidade de palavra falada ou escrita. Entendi como recato e elegancia ( coisa que não tenho, falo demais). E com certeza o inventor do Braille tão falante nao domina a própria invençao por não conhecer as limitações impostas as pessoas incapacitadas de algum dos sentidos (na poética).Todos comentários que faço são sempre ligados a poesia por isso me desprendo das convenções. Sou para os poetas o que são para mim. Livres de qualquer conceito pessoal.
    Desculpa se li PRAXE com meu sempre jeito aberto a uma pitada de alegria. Beijos no coraçao!

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  6. Teca,
    Deixo (aqui) comentário que deixei lá…
    Bom te ver/ler por aqui.

    INICIATIVA

    a poesia está sempre disponível
    desde que estejamos
    disponíveis

    a ela cabe toda a iniciativa
    fica-nos a modéstia

    nada que nos impeça da beleza!
    Assim
    http://sedimentosdateca.blogspot.com/2011/07/mensagem-um-desconhecido.html
    Um convite a quem não conhece teu espaço! Bjs

    bbrian,
    Tristeza seria ler sem alegria! Recato e elegância, sempre. Acredito na definição que identifica poesia = verdade, acrescento verdade = alegria, aquela que vem intuitiva = ideia = conhecimento = sonho! Suponho que tudo isto está indissociavelmente ligado. Bjs

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  7. Ah... que precioso... de verdade que tenho lágrimas nos olhos... de emoção. Assim terei mais companhia que adoro!
    Um beijo imenso!

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  8. Gostei, amigo Francisco do diágolo monologado:)
    «Porque contei esta história? Ela não costuma respeitar o minuto de silêncio e já íamos no 00:01 da hora, quis distrai-la. Para crónica já chega, imagine ter uma crónica crónica? Quanto ao minuto… Deu para o aparecimento da sereia, enquanto pensei em Braille. O inventor da escrita lida pelos cegos; não quer assinar a crónica, porque será?...
    Braille».
    Como sempre a tua escrita, é única.
    Parabéns. Abraço amigo.

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  9. Teca,
    http://www.sobresites.com/poesia/forum/viewtopic.php?p=38861#38861
    Não sei se terás mais companhia, mas faço esse voto!
    Tecas,
    Bem aparecida!
    A_braços!!

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  10. Ah... obrigada pelo convite, querido. Mas eu posso continuar apenas amante dos versos?
    Te vejo sempre aqui e por aí... pode ser?
    Vocês, os poetas, me fazem companhia de todos os modos... :))
    Um beijo imenso!

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  11. Francisco..... até fui no blog da MENTE DEPRAVADA, tamanha minha curiosidade acerca de teu post. Vc é uma figura!

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  12. Teca,
    Amante de versos é o que também desejo ser :)
    Wal,
    «imaginar a curiosidade como ingrediente»... essa é uma passagem de texto que desejarei publicar amanhã! Grato pelos comentários, vou passar pelos outros.
    A_braços!!

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